Valdir Steglich divide-se entre a medicina, as aulas, o Bolshoi e a família

O atleta que virou médico conheceu a dança por causa da filha, que acabou se formando médica, e hoje preside o conselho administrativo do Bolshoi no Brasil

Rogério Souza Jr./ND

Valdir Steglich, gaúcho de Ijuí, tem uma agenda atribulada, mas com espaço para o Bolshoi

Se hoje Valdir Steglich pode comemorar conquistas alcançadas na profissão, houve um tempo em que as honrarias vinham em forma de medalhas. “Era apaixonado por atletismo, especialmente as provas de fundo, e virei ortopedista justamente para me manter ao lado do esporte”, diz o médico, recordista gaúcho dos 1.500 metros no tempo de estudante – além de bom jogador de vôlei, outra de suas paixões.

Agora, aos 58 anos, a atividade física se resume ao necessário para manter a saúde e a boa forma. Ficou, porém, o amor pelo Grêmio, ao qual se somaram a mulher, a filha, a profissão, Joinville, o JEC, o Bolshoi… “A agenda diária é bem pesada, mas procuro me organizar para que tudo tenha seu tempo.”

Nascido a 13 de setembro de 1955 em Ijuí, no Noroeste gaúcho, o primogênito dos três filhos dos Steglich teve uma infância típica de uma então pequena cidade do interior: “Era um piá ativo, gostava de esportes e de leitura, hábito estimulado por meu pai”. A carreira estudantil foi feita no Colégio Evangélico Augusto Pestana, onde também se destacou como atleta: “Participava de tudo que era competição estudantil, sempre com destaque para o atletismo e o vôlei. Cheguei a ser campeão e recordista gaúcho dos 1.500 metros”.

Foi como estudante secundarista que Steglich teve despertada a vocação para a medicina: “Ainda que minha bisavó vaticinasse que eu não seria um bom médico, decidi seguir essa carreira. Queria ser ortopedista”.

Arquivo Pessoal/ND

Na formatura, junto com a mulher, Eoda, “a morena bonita” que despertou paixão imediata durante uma aula de anatomia

Paixões no campus

Aprovado no vestibular da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), Steglich morou durante um tempo numa pensão, antes de se mudar para um apartamento adquirido pela família, quando os irmãos iniciaram a vida universitária. Nos fins de semana, graças aos pouco mais de 170 quilômetros de estrada, o destino era a cidade-natal.

Durante a faculdade, o esporte seguia lado a lado com os estudos. “Entrei para as seleções universitárias de atletismo e vôlei, participei de competições internas e também em nível nacional.”

Mas logo a agenda precisou abrir mais espaço, ao surgir uma nova paixão. “Foi numa aula de anatomia. Eu me sentava logo na entrada, e vi quando entrou uma linda morena. Foi paixão imediata!” A morena em questão se chamava Eoda, vinha de Faxinal do Soturno e também cursava medicina.

Entabulado o namoro, casaram-se em setembro de 1981, último ano do estágio – que Valdir fez no Hospital Independência (atual Ulbra), em Porto Alegre. Em 1983, nasceu Raquel, hoje dermatologista como a mãe (“Ela fez residência no mesmo hospital da mãe”, frisa Valdir). Quatro anos depois, nasceu Gustavo, que chegou a jogar nas categorias de base do JEC e, profissionalmente, no Piacenza da Itália.

Valdir Steglich veio a Joinville pela primeira vez em 1991, para participar de um congresso. No ano seguinte voltava, em definitivo, ao aceitar um convite para trabalhar no IOT, o Instituto de Ortopedia e Traumatologia. Trouxe a família em 93, tornou-se sócio e hoje é diretor administrativo do instituto. A ligação dos Steglich com o Bolshoi começou quando Raquel, bailarina desde os cinco anos, ingressou na escola. Formada, passou uma temporada na Rússia, até se decidir pela medicina.

Steglich assumiu a presidência do Conselho Administrativo em 2006, e desde então divide a agenda entre o IOT (dirigindo e clinicando), o Bolshoi, o Hospital São José, a Univille (dá aula uma vez por semana) e a família. “Quem manda na minha agenda são as mulheres”, brinca, referindo-se a Eoda, Raquel, secretárias do IOT e da Univille e à diretora-administrativa do Bolshoi, Célia Campos.

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