Vale do Itajaí já registrou 461 acidentes com animais peçonhentos em 2021

Dois casos de ataques a crianças na região chamaram a atenção nos últimos dias; veja como se prevenir

Na última semana, pelo menos dois acidentes com animais peçonhentos comoveram e chamaram a atenção no Vale do Itajaí e, com a proximidade do período mais quente do ano, a tendência é de que os encontros entre animais e humanos se tornem cada vez mais comuns.

Escorpião está entre os animais peçonhentos – Foto: divulgação/SESEscorpião está entre os animais peçonhentos – Foto: divulgação/SES

Os animais peçonhentos são os que possuem veneno, que eles utilizam como mecanismo de defesa. Segundo a Dive-SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), os acidentes podem ocorrer por mordidas, picadas, ferroadas, arranhões, contato com a pele ou pela ingestão desses animais.

No Vale do Itajaí, dois casos envolvendo crianças foram registrados nos últimos dias. Brayan Gabriel Duarte dos Santos, de dois anos, foi picado por um animal venenoso e morreu no domingo (12), em Salete. Já Benjamin Vicente Machado, de um ano e meio, foi picado por uma cobra na segunda-feira (13). Apesar do susto, a criança sobreviveu.

As ocorrências acendem um alerta para estes. Conforme os dados registrados pelo Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), o Vale do Itajaí registrou 461 casos de acidentes com animais peçonhentos de janeiro a agosto de 2021.

Dentre os municípios da região, Blumenau está em primeiro lugar no ranking de casos, com 55 pessoas atacadas por animais peçonhentos:

  • 28 picadas por aranhas;
  • 16 por serpentes;
  • sete por escorpiões;
  • duas por abelhas; uma por lagarta;
  • uma por outra espécie venenosas.

Outras cidades que registram maiores números são Pouso Redondo, Ibirama e Rio do Sul.

Confira o infográfico com o ranking de casos no Vale do Itajaí:

Blumenau está em primeiro lugar, com 55 casos – Foto: Nátaly Lopes/NDBlumenau está em primeiro lugar, com 55 casos – Foto: Nátaly Lopes/ND

Segundo a bióloga e mestre em Engenharia Florestal Roberta Ramos, o clima influencia diretamente no aparecimento desses animais. “Nos meses mais quentes os animais estão saindo dos abrigos, pois começa o período reprodutivo – em especial, as serpentes”, relata.

Isso explica os altos índices de acidentes no primeiro trimestre do ano em Santa Catarina. Conforme o Sinan, cerca de 60% dos 3.586 casos registrados de janeiro a agosto de 2021 ocorreram entre janeiro e março.

Os locais onde os animais peçonhentos vivem também são fatores considerados quando se avalia a ocorrência de acidentes. “O habitat original de todos esses animais é a Mata Atlântica. Porém, com o avanço das áreas urbanas sobre as florestas e a supressão de vegetação, as residências acabam ficando mais próximas aos remanescentes florestais, e o contato se torna mais próximo”, argumenta a bióloga.

Prevenção

A Dive-SC explica qual a melhor forma de se prevenir contra acidentes de animais peçonhentos. Confira:

  • Utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) no manuseio de materiais de construção, lenhas, móveis, em atividades rurais, limpeza de jardins, quintais e terrenos, entre outros;
  • Observar com atenção os locais de trabalho e de passagem;
  • Não colocar as mãos em tocas, buracos e espaços entre lenhas e pedras, mas utilizar ferramenta;
  • Evitar aproximar-se de vegetação rasteira ao amanhecer e ao anoitecer (período de maior atividade de serpentes;
  • Não mexer em colmeias e vespeiros, e contatar órgão local responsável;
  • Inspecionar roupas, calçados, roupas de cama e banho, panos e tapetes antes de usá-los;
  • Afastar camas das paredes;
  • Não depositar lixo, entulho e materiais de construção junto às habitações;
  • Evitar que plantas e folhagens encostem-se às casas;
  • Fazer o controle de roedores;
  • Evitar acampar onde se sabe que existem roedores e serpentes;
  • Não fazer piquenique às margens de rios, lagos e lagoas;
  • Não se encostar-se a barrancos durante pescarias;
  • Limpar regularmente e com EPIs móveis, cortinas, quadros, paredes e terrenos baldios;
  • Vedar frestas, buracos, portas, janelas e ralos;
  • Manter limpos jardins, quintais, paióis e celeiros;
  • Combater insetos, especialmente baratas, que servem de alimento para escorpiões e aranhas;
  • Preservar predadores naturais de animais peçonhentos.

O que fazer na hora do acidente?

Além de muita atenção e agilidade, há orientações específicas que precisam ser seguidas em caso de acidente. O Corpo de Bombeiros de Blumenau explica o que fazer nessa hora:

  • Caso você se depare com uma pessoa picada por um animal peçonhento, a orientação é deslocá-la imediatamente para uma unidade de saúde. Se você estiver próximo, vá com meios próprios. Caso esteja distante, acione os bombeiros pelo número 193 ou Samu pelo 192;
  • Mantenha a pessoa em repouso e evite que ela caminhe ou corra, pois os movimentos intensificam a circulação do veneno pelo corpo;
  • Ajude a pessoa a lavar bem o local da picada com água e sabão, a fim de evitar uma infecção;
  • Identifique o animal para obter o antídoto na unidade de saúde. Para isso, basta tirar uma foto do animal. Não tente capturá-lo, pois você também pode ser picado e se tornar uma segunda vítima;
  • Você jamais deve: fazer torniquete, tentar sugar o veneno, cortar ou aplicar substâncias no local da picada.

Santa Catarina

O levantamento feito pelo Sinan aponta o registro de 6.582 casos em Santa Catarina, em 2020. Destes, cerca de 66,5% foram por aranhas; 10,6% por abelhas; 10,5% por serpentes; 3,3% por lagartas; 3% por outros; e 0,8% por ignorados.

Em 2021, no período entre janeiro e agosto, o Sinan já registrou o total de 3.586 casos. Os acidentes com aranhas seguem como os mais comuns, com 2.442 casos. Na sequência estão: 366 por serpentes; 361 por abelhas e 180 por escorpiões e 145 por lagartas.

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