“Vamos ter que escolher quem fica”: dois hospitais estão lotados na Grande Florianópolis

Hospital Regional de Biguaçu tem fila de espera de pelo menos 50 pacientes e Hospital Florianópolis opera com 130% da ocupação geral

Na Grande Florianópolis, ao menos dois hospitais estão lotados nesta quinta-feira (25).  “Vamos ter que escolher quem vem e quem fica, com base no quadro médico e idade”, lamenta a médica Paola David, diretora clínica do hospital Regional de Biguaçu, que atingiu 100% da capacidade.

Na Capital, o Hospital Florianópolis está com ocupação geral em 130%, com 173,91% da enfermagem ocupada, além de 96,67% dos leitos de UTI preenchidos.

Hospital Regional de Biguaçu, na Grande Florianópolis, está com pelo menos 50 pacientes aguardando uma vaga na UTI de Covid-19 – Foto: Divulgação/SES/NDHospital Regional de Biguaçu, na Grande Florianópolis, está com pelo menos 50 pacientes aguardando uma vaga na UTI de Covid-19 – Foto: Divulgação/SES/ND

“Eu tenho preparado a minha equipe porque vamos viver dias muito difíceis, temos mais entradas do que saídas, inclusive já estamos vivendo esse cenário”, diz a médica Paola David.

A unidade de Biguaçu está com a UTI lotada há mais de dez dias, com pelo menos 50 pacientes aguardando uma vaga no hospital.

“Iniciamos o dia de hoje [25] sem leitos para Covid; os dez leitos de UTI estão ocupados e todos os leitos da ala Covid também. Desde o dia 14 estamos mantendo 100% de ocupação na UTI”, afirma Clarice Gielinski, gerente de enfermagem do hospital.

O local tem uma ala e uma UTI para os casos graves e gravíssimos de Covid-19. Segundo a médica diretora clínica, os pedidos só crescem.

“Desde o dia 17 estamos tendo uma procura bem maior do que podemos absorver, diversos hospitais estão solicitando vagas, já tivemos mais de 50 pedidos”, detalha Paola.

Em nota, o IMAS (Instituto Maria Schmitt), que administra o Hospital Florianópolis, contestou sobre uma suposta denúncia de que óbitos estariam ocorrendo nos corredores da unidade por falta de equipamentos, por meio de nota nesta quinta.

O IMAS informou que a unidade está superlotada, atendendo acima da sua capacidade, mas que “a instituição e toda a equipe do hospital estão fazendo o possível e o impossível para não deixar nenhum paciente desassistido”.

Na Capital, oito pacientes aguardam uma transferência das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) para hospitais da região, segundo a Secretaria de Saúde municipal. A taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na Grande Florianópolis está em 93,49%.

Aumento do número de casos de Covid-19

Florianópolis emitiu um alerta nesta quarta sobre o aumento de casos da doença. Conforme a Secretaria de Saúde do município, os casos graves também aumentaram na cidade. Casos de uma nova variante de coronavírus já foram identificados na cidade, considerada mais transmissível.

Em Biguaçu, muitos pacientes também tiveram piora no quadro nos últimos dias, precisando de intubação, segundo a assessoria do Hospital Regional.

“Eu tenho preparado a minha equipe porque vamos viver dias muito difíceis, temos mais entradas do que saídas, e vamos ter que escolher sim, quem vem, quem fica, com base no quadro médico, idade, e, inclusive já estamos vivendo esse cenário”, lamenta a médica Paola David.

Em Florianópolis, a Secretaria de Saúde afirma que pacientes são atendidos com cilindros de oxigênio, mas o indicado é a internação hospitalar.

Há algumas semanas, os cilindros de oxigênio eram carregados em média três vezes por semana. Atualmente, estão sendo gastos de seis a 12 galões de oxigênio. Até esta quarta, no entanto, não havia falta de oxigênio nas UPAs.

Mudança de faixa etária

A previsão é de piora considerável, segundo as profissionais do Hospital Regional de Biguaçu, já que mesmo com alta médica ou mortes, ainda há uma fila de espera para os leitos que desocuparem.

“O que eu tenho notado é que estão chegando pacientes mais jovens, na faixa dos 30, 40 anos. Hoje nós temos dois pacientes – um homem de 22 anos e uma mulher com 23 anos. A faixa etária mudou”, aponta a médica.

Ainda segundo Paola, a maioria dos hospitais do Estado, “tanto os particulares quanto os públicos, estão na mesma situação que a nossa. Inclusive recebemos pacientes até de hospitais particulares devido a essa falta de leitos”, aponta.

Conforme a assessoria, representantes do Estado estiveram no hospital para conversar sobre a possível abertura de novos leitos, o que está sendo cogitado. Porém, ainda não há confirmação.

A reportagem tenta contato com o governo do Estado desde a manhã desta quinta-feira, mas não recebeu retorno até a publicação.

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