Variante brasileira da Covid-19 se espalha por SC e acende alerta; veja cidades com casos

Em quatro dos casos, a transmissão aconteceu dentro do Estado; um deles segue sendo investigado e outros dois foram considerados importados

Mais sete casos da variante brasileira (Variante de Preocupação P.1) do coronavírus foram identificados em Santa Catarina, segundo a SES (Secretaria de Estado da Saúde). A informação foi confirmada neste domingo (7) pelo órgão estadual por meio da SUV (Superintendência de Vigilância em Saúde).

“Os sete novos casos foram confirmados pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina) seguindo o fluxo da vigilância genômica nacional, o qual encaminhou as amostras para o Laboratório de Referência Nacional para Santa Catarina – a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) do Rio de Janeiro, que realizou o sequenciamento genômico e encaminhou os resultados em 5 de março”, comunicou a secretaria estadual.

Saúde confirma mais sete casos da variante brasileira do coronavírus em SC – Foto: Divulgação/NDSaúde confirma mais sete casos da variante brasileira do coronavírus em SC – Foto: Divulgação/ND

As Secretarias Municipais de Saúde das cidades nas quais os casos foram registrados fizeram uma investigação epidemiológica e constataram que pelo menos dois deles são importados. Nesses casos, os pacientes tinham histórico de viagem para estados da região Norte, entre eles o Acre.

Outros quatro casos são considerados autóctones, o que significa que a transmissão aconteceu dentro de Santa Catarina. Já o local provável de infecção do sétimo caso segue em investigação, informou a SES.

O superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Eduardo Macário, destaca que as variantes foram identificadas em diferentes partes do território catarinense. Um dos casos é de um residente de Laguna, no Sul do Estado, e dois deles são da cidade de Chapecó, na região Oeste.

“Demonstrando que há uma disseminação da variante P.1 por diversas regiões, o que explica em parte o alto nível de transmissibilidade observado no Estado nas últimas semanas, que vem causando o aumento da pressão hospitalar”, destacou Macário.

Saiba de onde são os casos:

  • Presidente Getúlio, 30 anos – importado
  • Presidente Getúlio, 36 anos – importado
  • Laguna, 32 anos – autóctone
  • Joinville, 39 anos – autóctone
  • Joinville, 55 anos – em investigação
  • Chapecó, 31 anos – autóctone
  • Chapecó, 52 anos – autóctone

Com as sete novas confirmações, Santa Catarina soma 17 casos da variante brasileira. Do total, dez casos são importados, seis são casos autóctones e um continua em investigação de local provável de infecção.

Identificação de variantes pela UFSC

A equipe da Força Tarefa Covid-19 da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) realizou sequenciamento genômico de seis amostras oriundas de pacientes residentes no Estado. De acordo com os resultados do sequenciamento, foram identificadas a variante brasileira (P.1) e a do Reino Unido (B.1.1.7).

Segundo a SES, a variante B.1.1.7 é proveniente de um caso com histórico de viagem para a Europa, “podendo ser classificado como um caso importado”.

Conforme o superintendente Macário, “dessas amostras, três foram encaminhadas para o laboratório da Fiocruz para realização de um sequenciamento genômico, que vai validar a técnica utilizada pelo laboratório da UFSC. Com isso, os dados serão incorporados [aos do Estado] e vamos poder utilizar o laboratório da universidade como parceiro na vigilância genômica em Santa Catarina”.

Confira os casos por cidade e as variantes identificadas

  • Florianópolis, 58 anos: Variante B.1.1.7 (Reino Unido) – importado
  • Florianópolis, 76 anos: Variante P.1 (Brasileira) – autóctone
  • Jaraguá do Sul, 45 anos: Variante P.1 (Brasileira) – autóctone
  • Florianópolis, 29 anos: Variante P.1 (Brasileira) – autóctone
  • Florianópolis, 49 anos: Variante P.1 (Brasileira) – autóctone
  • Florianópolis, 42 anos: Variante P.1 (Brasileira) – autóctone

Na próxima semana, serão selecionadas 60 amostras de diferentes regiões do Estado pelo LACEN e pela DIVE (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) para realização de sequenciamento na UFSC, considerando indicadores dos testes de RT-qPCR e critérios clínicos como, presença de comorbidades e desfecho clínico.

Casos suspeitos da Variante B.1.1.7

“O Laboratório Santa Luzia, em parceria com o Laboratório DASA, de São Paulo, realizou a identificação de casos suspeitos de infecção pela variante britânica em 46 amostras de pacientes residentes na Grande Florianópolis e na região de Joinville”, informou Macário.

Laboratório analisou 46 amostras de pacientes da Grande Florianópolis e de Joinville – Foto: Anderson Coelho/NDLaboratório analisou 46 amostras de pacientes da Grande Florianópolis e de Joinville – Foto: Anderson Coelho/ND

Segundo ele, esses casos são considerados suspeitos, pois foram identificados por meio de um teste de RT-PCR que identifica alterações nas proteínas Spike do vírus, aquelas que sofrem mutação e tornam o vírus mais perigoso. Além disso, como Santa Catarina ainda não possui confirmação de casos autóctones desta variante até o momento, estes casos precisam ser confirmados pelo método de sequenciamento genômico.

Como as amostras estavam no Laboratório DASA em São Paulo, o LACEN organizou o envio de nove amostras viáveis para a Fiocruz, para realização de sequenciamento genômico que poderá confirmar se realmente são casos da variante britânica.

“Assim que essas informações forem confirmadas, esses dados também serão incorporados à vigilância genômica do Estado de Santa Catarina. Por enquanto, eles permanecem como casos suspeitos”, explicou o superintendente.

Enquanto aguarda a confirmação do laboratório de referência nacional, a Dive encaminhou as informações referentes aos casos para que os municípios completem a investigação epidemiológica, identificação do local provável de infecção, rastreamento e monitoramento dos contatos.

Fiocruz detecta mutação associada a variantes no país

Na última quinta-feira (4), a Fiocruz emitiu um comunicado técnico alertando sobre a dispersão geográfica das variantes de preocupação pelo país, assim como sua alta prevalência nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

O pronunciamento da fundação surgiu a partir de um novo protocolo do teste RT-PCR desenvolvido pela Fiocruz Amazonas, que utilizou cerca de mil amostras representativas das três regiões do Brasil citadas anteriormente, capaz de detectar a mutação comum em três das variantes de preocupação (P.1 – Brasileira, B.1.1.7 – Britânica e B.1.351 – Sul Africana).

Em Santa Catarina, os pesquisadores identificaram uma prevalência de mutação associada às variantes de preocupação de 63,7%, e apontam que “embora o teste seja capaz de detectar uma mutação comum a três variantes de preocupação, há indicações de que a prevalência que está sendo observada nos estados esteja associada à P.1, uma vez que as outras duas variantes não têm sido detectadas de forma expressiva no território brasileiro”.

Essas amostras foram encaminhadas para sequenciamento genômico pelo laboratório da Fiocruz, que irá confirmar se a proporção das Variantes de Preocupação identificadas.

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