Variante Delta em SC: entenda os novos riscos com a transmissão comunitária

Transmissão comunitária foi confirmada no Estado nesta quinta-feira (19); cenário acende alerta para importância da vacinação e manutenção de medidas preventivas

A transmissão comunitária da variante Delta do coronavírus foi confirmada em Santa Catarina nesta quinta-feira (19). Com o registro de mais sete casos de infecção pela cepa, o Estado soma, até o momento, 43 casos da Delta em 23 municípios catarinenses.

Transmissão comunitária da variante Delta do coronavírus foi confirmada em Santa Catarina nesta quinta-feira (19) – Foto: Leo Munhoz/NDTransmissão comunitária da variante Delta do coronavírus foi confirmada em Santa Catarina nesta quinta-feira (19) – Foto: Leo Munhoz/ND

Desse total, 26 casos são considerados autóctones (de transmissão dentro do Estado), sete casos importados (transmissão fora do Estado) e 10 estão em investigação sobre o local provável de infecção. Dos 43 casos, dois evoluíram para mortes.

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Superintendência de Vigilância em Saúde.

Mas o que significa a transmissão comunitária da variante Delta em Santa Catarina e quais os novos riscos para a população?

Para responder os questionamentos, o ND+ conversou com o professor Rogério Sobroza de Mello, que faz parte do corpo docente do curso de Medicina da Unisul.

Transmissão sem controle

De acordo com o professor, a transmissão comunitária da variante Delta no Estado quer dizer que não foi possível ligar o caso confirmado a um indivíduo infectado fora do Estado. A infecção, portanto, ocorreu dentro do território catarinense.

Sobroza de Mello diz que quando a transmissão não é comunitária, é possível bloquear o contágio, isolando as pessoas que tiveram contato com o infectado para evitar que a variante se espalhe.

“Na medida em que há transmissão comunitária isso significa uma transmissão fora de controle das autoridades, ou seja, a tendência da variante é de se espalhar ainda mais”, afirma.

Em vídeo divulgado pela Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) na noite desta quinta, o superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, explica que esse tipo de contágio ocorre quando não é possível identificar a origem da infecção. “Isso comprova que a transmissão está ocorrendo de forma deliberada em todo o Estado”, conclui.

Riscos e vacinação

O professor da Unisul expõe que as pessoas que tomaram apenas uma dose da vacina contra a Covid-19 não estão protegidas contra a variante Delta. Com a segunda dose, os imunizantes oferecem proteção suficiente contra essa cepa do coronavírus.

Para o especialista, o cenário de transmissão comunitária da variante Delta acende o alerta não só para a importância de completar o esquema vacinal, como também para a necessidade de acelerar o processo de imunização da população.

“Quando as pessoas estiverem vacinadas com as duas doses, elas terão proteção suficiente para não desenvolver a forma grave da Covid-19, o que, consequentemente, diminui as hospitalizações. A imunização completa auxilia bastante no controle da variante. Quanto menos pessoas suscetíveis ao vírus, melhor”, destaca Sobroza de Mello.

A eficácia das vacinas disponíveis em Santa Catarina contra as formas graves da Covid-19 também foi reforçada por Macário.

O superintendente de Vigilância em Saúde fez um apelo à população para que, no momento em que as doses estiverem disponíveis, procure um posto de vacinação contra a Covid-19.

“É fundamental que a vacina seja aplicada o quanto antes para que as pessoas tenham a proteção adequada. Lembrando também de retornar no momento certo para completar o esquema vacinal e, com isso, obtermos a proteção completa contra formas graves da Covid-19”, disse Eduardo Macário.

Manutenção de medidas preventivas

Como a transmissão comunitária da variante Delta já é uma realidade em Santa Catarina, para o professor Rogério, o que se pode fazer é diminuir as consequências disso. Neste sentido, medidas de prevenção ao coronavírus devem ser mantidas.

Entre elas, estão o uso de máscaras, principalmente, as de melhor qualidade como a PFF2 e a N95; evitar lugares aglomerados e fechados com pouca ventilação de ar; manter ações de etiqueta da tosse; utilizar álcool em gel e lavar as mãos com água e sabão.

Variante Delta

A variante Delta foi notificada pela primeira vez em outubro de 2020, na
Índia, e foi associada a um aumento no número de infecções diárias naquele país. Essa cepa é considerada mais transmissível do que outras.

Inicialmente, a Delta foi designada como Variante de Interesse (VOI, em inglês) pela OMS (Organização Mundial de Saúde). No entanto, em 10 de maio de 2021, foi reclassificada como Variante de Preocupação (VOC, em inglês).

Boletim genômico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde detalhou a trajetória da Delta em Santa Catarina, identificada pela primeira vez em meados de julho. O documento aponta que a onda de frio, que atraiu milhares de turistas, impulsionou o deslocamento da cepa do Litoral catarinense para o interior do Estado.

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