Variante Delta em SC: saiba os riscos e como a circulação pode impactar a sua vida

Especialistas apontam que maior transmissibilidade, baixa cobertura vacinal e flexibilização de medidas podem dar espaço para a Delta se replicar pelo país

A confirmação de casos da variante Delta do novo coronavírus em Santa Catarina ativa o alerta devido à tendência de maior circulação em comparação com outras mutações. Estudos chegam a apontar que ela seja 60% mais transmissiva.

Casos da variante Delta da Covid-19 foram confirmados em Santa Catarina – Foto: Leo Munhoz/NDCasos da variante Delta da Covid-19 foram confirmados em Santa Catarina – Foto: Leo Munhoz/ND

A variante Delta é da linhagem viral B.1.617, que apareceu na Índia em outubro de 2020. Até o dia 19 de julho, já foram confirmados 110 casos da Delta em território brasileiro, sendo que apenas São Paulo e Rio de Janeiro apresentam transmissão comunitária.

No dia 12 de julho, o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que esta linhagem particular do vírus está fazendo a pandemia entrar em um momento “muito perigoso”.

Mas qual é seu risco real e quais impactos essa variante pode trazer à sociedade?

Sintomas podem confundir

Há uma pequena variação observada nos sintomas causados pela variante Delta. De acordo com o professor Rogério Sobroza de Mello, do curso de Medicina da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), a variante provoca maior infecção das vias aéreas superiores, como coriza e dor de garganta, que podem confundir com um resfriado comum.

O virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona Ômica, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações disse em entrevista à revista Veja que essa pequena variação pode servir de arapuca aos brasileiros.

“O grande risco disso é que nós temos uma etiqueta respiratória muito ruim, diferente de outras nações em que não se sai de casa, nem se participa de reunião quando está gripado”, destaca o virologista. Ou seja, o descaso com esse tipo de sintoma facilita a disseminação do vírus.

Indivíduos infectados ainda podem demorar a fazer o teste ou procurar um médico pelos sintomas mais leves. O professor da Unisul reforça a importância da testagem sempre que a pessoa sentir sintomas correspondentes à Covid-19. Isso evita que ela continue circulando e transmitindo o vírus.

Prolongar a pandemia

A maior transmissibilidade somada à baixa cobertura vacinal e à flexibilização das medidas de isolamento podem dar espaço para a Delta se replicar pelo país, alertam especialistas.

“É urgente lidarmos com ela com mais seriedade, antes que se espalhe. As variantes estão em busca de pessoas não vacinadas, e não dá tempo de ficar escolhendo o imunizante”, alerta a epidemiologista Denise Garret, vice-presidente do Sabin Institute, nos Estados Unidos, em entrevista à revista Veja.

O professor Rogério destaca que o aumento de casos da Covid-19 em decorrência da variante pode levar à necessidade de manter as medidas restritivas por mais tempo ou até torná-las mais rígidas.

Além disso, o alerta mundial em função da variante Delta decorre, ainda, de uma questão de proporções populacionais, que colocam em xeque a capacidade de muitos sistemas de saúde de suportar uma nova emergência, pois em muitos casos eles ainda estão em colapso.

Perguntado sobre se o surgimento dessa variante prolongará a pandemia, Julián Villabona-Arenas, pesquisador da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), disse à Agência Efe que acredita que “muito provavelmente” isso acontecerá.

“Estas variantes estão causando uma onda global, aumentando novamente a pressão sobre todos os sistemas de saúde. Acelerar a vacinação é essencial neste momento”, advertiu.

Maior risco de reinfecção

Uma pesquisa que teve participação de cientistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sugere que a variante Delta tem potencial maior de causar reinfecções e novos quadros de Covid-19 em pessoas que haviam se curado da doença.

O trabalho foi publicado na revista científica Cell e detalhes foram divulgados no final de junho pela Agência Fiocruz de Notícias. As conclusões da pesquisa mostram que pessoas previamente infectadas por outras cepas do novo coronavírus têm um soro com anticorpos menos potentes contra a variante Delta.

A Fiocruz destaca que o aumento do risco é marcante no caso das pessoas que tiveram uma infecção anterior da variante gama, que foi identificada pela primeira vez em Manaus e se tornou a cepa dominante no Brasil.

Nesses casos, a capacidade de os anticorpos neutralizarem a variante Delta é 11 vezes menor. O mesmo ocorre com a variante Beta, que foi descoberta na África do Sul.

A divergência antigênica da variante delta é menor quando comparada à variante Alfa, que foi a primeira de preocupação a entrar no radar da OMS, ao surgir no Reino Unido.

Como se proteger?

A boa notícia é que a maneira de se prevenir já é conhecida entre a população. “Usar máscara, manter o distanciamento social e se vacinar são as soluções”, aponta Denise.

“Estamos vivendo uma queda de casos, e isso abre espaço para um relaxamento das regras, o que é um grande engano”, completa.

O professor Rogério reforça que é importante evitar permanecer em ambientes fechados com grande quantidade de pessoas justamente por causa dos sintomas mais predominantes dessa variante, que atingem as vias aéreas superiores.

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Saúde

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