VÍDEO: Após falta de médicos, sede e viaturas do Samu em SC têm condições precárias

Segundo funcionários, há viaturas em que sirenes e equipamentos médicos não funcionam; sede do serviço estava sem água nesta quinta-feira (18)

Quem liga para o 192 em busca de atendimento médico, não imagina a situação em que se encontra o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que opera na Grande Florianópolis.

Após a falta de médicos para atuarem nas ambulâncias de suporte avançado, funcionários do serviço relataram a NDTV, as condições precárias da estrutura da sede e também das viaturas.

Funcionários do Samu denunciam condições precárias da sede e ambulâncias – Foto: Divulgação/ADR BlumenauFuncionários do Samu denunciam condições precárias da sede e ambulâncias – Foto: Divulgação/ADR Blumenau

Na central de regulação médica são atendidas ligações de emergência dos 22 municípios que compõem a região. O problema é que não existem ambulâncias suficientes para atender todas as cidades.

Diante disso, a logística para garantir o tempo de deslocamento hábil para salvar o paciente se torna um quebra-cabeça.

“Se acontece alguma coisa em uma cidade mais distante o tempo de deslocamento é muito difícil. Temos que ir até lá e voltar. As vezes são 4, 5 horas de deslocamento com uma viatura até chegar ao hospital”, relata um médico do Samu, que preferiu não se identificar.

Segundo o profissional, o tempo pode ser fatal quando se trata de atendimento médico. No caso de um infarto do miocárdio, por exemplo, a equipe tem, em média, até quatro horas para “resgatar” o coração.

“Se eu tiver que ir até Canelinha e voltar, não consigo. Provavelmente, vou passar desse tempo [4 horas]. O paciente perde muito com isso e, as vezes, até morre esperando a chegada da viatura”, revelou.

Viaturas e equipamentos danificados

Funcionários do Samu relatam que as ambulâncias básicas são de atribuição do município. Contudo, viaturas de suporte avançado, que atendem casos de urgência e emergência, são reguladas pelo Estado.

São quatro viaturas nesse molde, onde operam médico, enfermeiro e socorrista. O número já é insuficiente e os equipamentos ainda apresentam problemas.

“Encontramos facilmente viaturas com o freio comprometido e a troca de óleo atrasada. Além disso, há goteiras dentro das viaturas, sirenes e equipamentos médicos que não funcionam, incluindo, o desfibrilador, que é aquele aparelho que choca o coração”, expõe um profissional do Samu.

Estrutura precária

Além das viaturas, a estrutura do prédio onde os profissionais do Samu trabalham também se encontra precária. A equipe da NDTV, que esteve no local nesta quinta-feira (18), flagrou a falta de água nas torneiras.

Os banheiros estão em péssimas condições sanitárias e uma das privadas está entupida há mais de seis meses. No local reservado para o repouso dos médicos que fazem plantão de 12 horas há colchões sujos e nenhum lençol sequer.

Veja os vídeos:

Banheiro da sede do Samu – Vídeo: Reprodução/ND

Cozinha da sede do Samu – Vídeo: Reprodução/ND

Os profissionais relatam insatisfação com a OZZ Saúde, empresa terceirizada responsável pelo serviço do Samu em Santa Catarina.

“É uma empresa com fins lucrativos. Ela retira o lucro dela antes de usar as verbas para pagar as contas da empresa e isso vem causando vários transtornos. Não pagam fornecedores e nem o posto de gasolina que abastece as viaturas”, disse um médico.

Funcionários do Samu também estão preocupados com as questões trabalhistas que envolvem a empresa, como férias e FGTS. Eles relatam que estão há quase quatro anos sem usufruir e receber as férias.

“A empresa faz pequenas movimentações e deposita centavos nas contas.  Recebemos constantes mensagens referentes a depósitos de 13 centavos, 5 centavos só para justificar um movimento e enganar a Justiça”, aponta o médico.

O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) acompanha o caso e instaurou um inquérito civil em abril de 2021. O processo apura supostas irregularidades sanitárias na Central de Regulação e no fornecimento de equipamentos de proteção individual.

O TCE (Tribunal de Contas do Estado), por sua vez, determinou que o contrato com a OZZ Saúde, que encerra em 31 de dezembro, não seja prorrogado. No fim de outubro, o governo do Estado divulgou um edital de licitação para que uma nova empresa assuma o serviço a partir de janeiro de 2022.

O que diz a OZZ

A OZZ Saúde informou que não é responsável pela infraestrutura do prédio onde está sediada a central de regulação, assim como também não é responsável pelos mobiliários e esquipamentos.

A empresa garante que notificou a SES (Secretaria de Estado da Saúde) com relação a necessidade de manutenções e de aquisição de novos mobiliários e equipamentos diversos para melhores condições de trabalho para as equipes do Samu.

O que diz a SES

A SES informou que foi notificada e um técnico do Samu irá ao local para averiguar a situação. A assessoria da pasta destacou que a estrutura da regulação do Samu da Grande Florianópolis está em fase de mudança para o Anexo I, da Secretaria de Estado da Saúde e já tramita o processo de adequação das novas instalações físicas para uma estrutura mais qualificada aos profissionais.

*Com informações da repórter da NDTV Gabriela Milanezi 

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