Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


Viver por viver ou ter medo de viver?

As incertezas são geradas por cada um de nós, à sombra de vaidade, consumo, ambição desenfreada, egocentrismo e, sobretudo, do poder, de querer ser diferente

O filme francês Vivre pour vivre, 1967, mostra que, no devaneio de sentir a vida como ela é, o ser humano acaba mergulhado em inopinada aflição ou no entusiasmo de sentir só o momento.

O ator Yves Montand, ao apaixonar se por uma jovem, sem deixar de sentir afeição pela esposa, mostra que não há triangulação amorosa sem sofrimento.

Novas variantes do novo coronavírus são encontrados em Goiás – Foto: Divulgação/NDNovas variantes do novo coronavírus são encontrados em Goiás – Foto: Divulgação/ND

E nesse polígono de nossas vidas, as incertezas são geradas por cada um de nós, à sombra de vaidade, consumo, ambição desenfreada, egocentrismo e, sobretudo, do poder, de querer ser diferente, influente nas relações. Desafiamos o medo de viver, ao mesmo tempo em que nos arrepia o terror da morte.

Guerras, doenças tradicionais, conflitos familiares…nada se equipara ao vazio da perplexidade provocada por um fantasminha que, longe de ser um Gasparzinho camarada, derruba ricos e pobres, contamina cidades, onde farmácias sentenciam a presença da Covid-19. Contra esse inimigo do século 21 não há esconderijo, nem mesmo em hospitais.

E o fantasminha revela que a ciência estava um tanto adormecida diante do poder econômico e das trapalhadas do poder público. Não alimentamos o temor à morte, mas o medo de viver, de nos aproximarmos do amigo que pode ter incorporado o inimigo.

E até a morte perde a reverência no adeus só virtual. Viver por viver é hoje a coragem de não acreditar no ignoto. De outro modo, a guerra ganha dimensão incomensurável.

ENQUANTO ISSO NA PRAIA DA CACHOEIRA…
– Venanço, tu não acredita. A Mariquinha tem pra mais de dez doenças, e pegou o tal do corona e sarou. Como pode?
– Ô, Lelo, em compensação o Ambrósio, que até corria na praia, morreu disso.- Mas, como é que alguém explica isso, Venanço? – O mundo tá tão perdido que o maior perigo tá no hospital.
– Verdade, Venanço. E pra saber se o inimigo tá em nós, temos de pagá mais de R$ 250,00 pro teste numa farmácia. – Lá vem o Capenga. Chiii, com aquela tosse deve está comido pelo vírus.
– Bom dia, amigos. O filho da mãe me pegô feio, mas já me livrei dele.
– Caramba, Capenga, e como tu conseguiu? – indaga Lelo. – Vocês não vão acreditar mesmo…
– Desembucha, home, mas só não me diga que foi o mijo da vaca, ironiza Venâncio. – Quase isso, pois foi banha de cobra. – Cruz credo, essa vida me dá medo, desabafa Lelo.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.