Saiba como realizar uma consulta médica sem sair de casa em Florianópolis

Conheça as vantagens e os serviços de telemedicina disponíveis na rede municipal de saúde; desde o dia 1º de 2021, já foram realizados mais de 24,5 mil atendimentos médicos à distância na cidade

O primeiro relato oficial sobre o uso da telemedicina no mundo foi registrado há mais de 100 anos, ainda em 1910, em Londres, a partir da invenção do estetoscópio eletrônico. Desde então os procedimentos evoluíram, mas nunca avançaram tanto, e tão rápido, quanto nos últimos 11 meses, desde o início da pandemia do coronavírus.

Ricardo Collar Rebolho, médico de família, durante teleconsulta em um centro de saúde de Florianópolis – Foto: PMF/Divulgação/NDRicardo Collar Rebolho, médico de família, durante teleconsulta em um centro de saúde de Florianópolis – Foto: PMF/Divulgação/ND

Em Florianópolis, apenas neste ano, desde o dia 1º de janeiro, já foram realizados mais de 24,5 mil atendimentos médicos em teleconsulta, 9.600 teleatendimento com enfermeiros e 160 teleatendimentos com dentistas.

Hoje, são realizadas teleconsultas e teleatendimentos na rede municipal de saúde da Capital tanto na atenção primária à saúde, pelas equipes de saúde de família das unidades básicas da cidade, quanto na especializada, nas policlínicas.

Entre as especialidades que oferecem atualmente o serviço de teleconsultas, na cidade, estão a hepatologia, dermatologia, endocrinologia, ginecologia, geriatria, homeopatia, infectologia, mastologia, nutrologia, neurologia, pneumologia, reumatologia e psiquiatria.

No centro de saúde do Saco Grande, por exemplo, há um telegrupo de tabagismo em que 25% das pessoas pararam de fumar.

“Nós começamos a desenvolver o Alô Saúde Floripa assim que assumimos a administração de Florianópolis, então, quando a pandemia começou, nosso serviço, diferente de outras capitais e cidades que tiveram que correr para implantar esses serviços de teleatendimento, nossa estrutura estava pronta e só tivemos que adequar à nova realidade. Isso ajudou muito em todo esse processo e a oferecermos agora mais serviços de medicina à distância”, afirma o prefeito Gean Loureiro.

Os números para os pacientes entrarem em contato com a sua equipe de saúde podem ser encontrados em  http://sus.floripa.br/contatoscs

Por meio do Alô Saúde Floripa, foram 73.399 atendimentos realizados e 35.964 ligações de retorno até o dia 31 de janeiro de 2021.

Iniciativas começaram há mais de 10 anos na Capital

Em março de 2020, quando a Covid-19 começou a se disseminar no Brasil e no mundo, todos os segmentos da sociedade e, especialmente a medicina, precisaram se reinventar e se adaptar não somente pela necessidade de combater a crise sanitária, mas principalmente para encontrar soluções e tecnologias que possibilitassem o atendimento aos pacientes da forma mais segura possível.

O Brasil corre ainda atrás do prejuízo, já que começou tarde em vista de países da Europa e dos Estados Unidos, que investem em atendimentos por telefone e outras ferramentas que permitem o contato com o paciente à distância há cerca de 20 ou 30 anos. Na capital catarinense, já são utilizadas e planejadas ações para o teleatendimento há mais de 10 anos.

De acordo com o médico de família e comunidade e coordenador do departamento da Gestão da Clínica da Secretaria Municipal de Saúde da Capital, Ronaldo Zonta, em algumas equipes de família da Capital, como as do Centro de Saúde do Saco Grande e de Ingleses, por exemplo, essas iniciativas começaram com a criação de um e-mail para cada equipe (formada por um médico de família, enfermeiro, técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde), que foi a primeira forma de comunicação à distância com a população na cidade.

 Para falar com o Alô Saúde Floripa: 0800-333-3233

Depois passaram a ser utilizados telefones, ainda por voz, para agendamento de consultas, esclarecimentos de dúvidas e envio de resultados de exames. Com o passar do tempo, explica o médico,  esses procedimentos e a gestão foram evoluindo e amadurecendo, ainda muito antes do surgimento da Covid-19.

“Há quatro anos, junto com a proposta do Gean (Loureiro), então candidato e a sua eleição, teve início a necessidade da criação uma central de marcação de consultas e começamos a elaborar um projeto maior, que envolvesse uma ferramenta que é o Alô Saúde Floripa, a aquisição de celulares e chips e o uso do e-mail para todas as equipes”, explica o médico.

Por meio do Alô Saúde Floripa, foram 73.399 atendimentos realizados e 35.964 ligações de retorno até o dia 31 de janeiro de 2021 – Foto: PMF/Divulgação/NDPor meio do Alô Saúde Floripa, foram 73.399 atendimentos realizados e 35.964 ligações de retorno até o dia 31 de janeiro de 2021 – Foto: PMF/Divulgação/ND

Ele conta como foram as primeiras ações para a iniciativa na cidade.  “Inicialmente, há cerca de quatro anos, publicamos uma normativa institucionalizando o uso do e-mail, cada equipe era obrigada a ter um e-mail e se comunicar com a população para a marcação de consultas e algumas atividades dentro do que a legislação permitia, como retornos de pacientes, conversar sobre situações após atendimentos, como ver retornos de pacientes, alguma situação após o atendimento ou rever alguns exames e se passou se discutir a proposta do Alo Saúde Floripa”.

Desta forma, esclarece Zonta, cada equipe da família passou a ter um smartphone, um chip (cada grupo é responsável pelo atendimento a 2.500, 3.000 pessoas em cada território) e os enfermeiros e técnicos de enfermagem começaram a ser treinados para ficar na recepção.

“Nesse  primeiro momento para fazer a marcação de consultas, tirar dúvidas e fazer retornos de situações pontuais por esse contato pelo smartphone, por voz ou WhatsApp”, esclarece.

Em paralelo, a prefeitura começou a se mobilizar para a implantação do Alô Saúde Floripa, um serviço pré-clínico por meio do qual foram traduzidos e adaptados uma série de algoritmos.

“O serviço está dentro dessa proposta do teleatendimento, mas no qual o usuário liga 24 horas, sete dias por semana, e é atendido por uma pessoa, que é um técnico de enfermagem, que avalia se é uma demanda de dúvidas administrativas, se tem determinada vacina, se o cadastro está em dia. Se a pessoa tem uma dúvida clínica, é atendida por um enfermeiro, que faz uma avaliação e orienta o cidadão a procurar uma emergência ou agendar uma consulta com o médico de família da área. Se o atendimento for para dúvida eletiva, é passado o número do WhatsApp das equipes, para que possam ser agendadas consultas ou o que for preciso para cada caso”.

Readequação com a pandemia

Quando a pandemia de Covid-19 chegou e pegou todos de surpresa, no último ano, Florianópolis já estava com o serviço de atendimento por meio do Alô Saúde Floripa pronto, pois estava sendo desenvolvido há quatro anos para fazer teleatendimentos.

“No momento, em que se lança o Alô Saúde Floripa, os telefones já estavam comprados, naquela etapa as equipes já estavam treinadas para agendar consultas por telefone, para assuntos pontuais e o 0800 também. Com a pandemia aprimoramos os serviços, 0800 e Whatsapp para oferecer também teleconsultas nos centros de saúde.”

No entanto, destaca Zonta, a situação “ganhou uma nova conotação nesta época. Havia uma necessidade ampliada não apenas desse atendimento não presencial para agendamento de consultas, resultado de exames, mas se flexibiliza e avança muito na legislação no Brasil para o uso da tecnologia para a teleconsulta de profissionais de saúde, tanto médicos, como enfermeiros”, afirma.

Devido às novas demandas criadas pela pandemia, a rede municipal de saúde aprimorou a tecnologia do WhatsApp da equipe e do 0800 para oferecer também teleconsultas médicas e de enfermagem com o médico de família e os enfermeiros no centro de saúde.

Florianópolis já tinha estrutura pronta para atendimento quando a pandemia pegou a todos de surpresa e só precisou fazer adequações – Freepik/Divulgação/NDFlorianópolis já tinha estrutura pronta para atendimento quando a pandemia pegou a todos de surpresa e só precisou fazer adequações – Freepik/Divulgação/ND

“Hoje todos já estão prontos para fazer o teleatendimento, é possível agendar consulta e ter a teleconsulta, sem sair de casa,  por vídeo ou voz, por meio do uso destas ferramentas como o smartphone, pelo WhastsApp, e agora já por meio de uma parceria que passamos a ter com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) para as teleconsultas, para o uso de outras plataformas para videoconsulta”.

O médico destaca ainda que toda a estrutura da rede, montada previamente, como os prontuários eletrônicos, que já existem há mais de 15 anos no município, computadores, câmeras, além das outras ferramentas tecnológicas já citadas acima, facilitaram para a rápida implantação destes serviços de telemedicina.

“Estamos investindo e treinamos a rede de médicos e enfermeiros, criamos manuais, para esses profissionais a realizarem teleconsultas dentro do que é seguro e permitido no que existe hoje na avaliação à distância de pacientes”, esclarece.

 E como será o futuro das consultas médicas?

A telemedicina veio para ficar, mesmo após a pandemia e a imunização da população mundial contra a Covid-19? O que mudará no futuro das consultas médicas? Para Ronaldo Zonta, esses processos devem permanecer e se adequar às novas realidades.

“O que vem depois não tem a menor dúvida que isso veio para ficar a gente só vai depender de que o nosso Conselho Federal de Medicina mantenha a vanguarda do que foi feito com a pandemia e consiga manter esses avanços, porque a gente ainda estava muito atrasado, antes da pandemia, comparado com os principais países que já usam a tecnologia. Na Inglaterra já se faz consulta por telefone há mais de 20 ou 30 anos”, exemplifica ele.

Tecnologias avançam no SUS de Florianópolis 

O médico destaca ainda que o SUS (Sistema Único de Saúde) de Florianópolis, hoje, está, muitas vezes, mais avançado que as clínicas privadas do município.

“A gente está preparado para manter isso e quer manter, porque é cômodo, seguro, é o futuro eu não precisar me deslocar de casa, nem para marcar ou fazer a consulta. Então, cada vez mais teremos tecnologias voltadas para esses procedimentos remotos. A gente já vê hoje iniciativas individuais dos profissionais, como por exemplo a mensuração de oxigênio, quando o paciente tem um saturômetro em casa, no caso de sintomas respiratórios,  o termômetro, a gente pode ter outras tecnologias que a pessoa poderá acoplar ao celular ou computador para fazer uma avaliação do ouvido, da garganta, mas isso é uma tecnologia futura”, avalia Zonta.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

Acesse e receba notícias da Grande Florianópolis pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo

+

Prefeitura de Florianópolis