Voltar a andar, reaprender a respirar: as marcas e sequelas da Covid-19

Um ano após os primeiros casos em SC, pacientes convivem com dores e dificuldades causadas pela doença mesmo não portando mais o vírus

Imagine a sensação de dar os primeiros passos: se equilibrar, colocar um pé à frente do outro aos poucos, firmar a perna no chão e, enfim, chegar mais longe. Não estamos falando de um bebê.

Essa foi a sensação de Elvis Paulo Meier, 43 anos, na última quarta-feira (10). Diagnosticado com Covid-19 em novembro de 2020, foi só nesta semana, cerca de quatro meses depois, que ele voltou a andar sem a ajuda de muletas ou de um andador.

Elvis deu os primeiros passos quatro meses após o diagnóstico da Covid-19 – Foto: Redes sociais/NDElvis deu os primeiros passos quatro meses após o diagnóstico da Covid-19 – Foto: Redes sociais/ND

Um ano após o primeiro caso de contaminação pelo coronavírus em Joinville, Elvis é uma das várias pessoas que ficaram com sequelas de uma doença ainda não totalmente conhecida por especialistas e, por vezes, negada por parte da população.

O empresário, porém, nunca brincou com o vírus e era até conhecido como o mais chato da família de tanto que se preocupava em usar máscara, álcool em gel e cuidar da saúde. Ainda se recuperando da doença, ele não sabe como foi contaminado por ela.

O fato é que em novembro do ano passado ele foi hospitalizado em Curitiba, após ser transferido de Joinville, onde não havia leitos de UTI disponíveis. Foi intubado e assim ficou por 50 dias na unidade de tratamento intensivo, além de mais duas semanas internado no quarto. Quando teve alta, em 25 de janeiro, estava 30 kg mais magro e com 85% do pulmão comprometido. “É um verdadeiro milagre eu estar vivo, algo divino aconteceu”, acredita.

Ele conta que a complicação mais séria relacionada à doença foi no pulmão. Apesar disso, o coração também está voltando a se acostumar com o ritmo normal, ainda apresentando batimentos acima da média. O maior desafio, no entanto, é justamente voltar a andar com equilíbrio e sem dor.

“As minhas pernas são travadas. Não consigo andar uma distância razoável sem andador ou muletas. Sinto muita dor e perdi o equilíbrio”, conta. Hoje, Elvis faz acompanhamento do pulmão, dos olhos que foram afetados durante a internação e fisioterapia para recuperar os movimentos.

“É muito difícil porque eu nunca fiquei doente. Sempre fui muito ativo, em toda a minha vida só tive gripe e resfriado. Mas logo lembro da minha situação na UTI e agradeço a Deus por ter me salvado. Minha recuperação tem sido bem rápida, há 40 dias eu usava fralda”, destaca.

Veja o momento emocionante em que Elvis dá os primeiros passos:

Doença atinge até mesmo quem sempre cuidou da saúde

O empresário Vanderlei Ló tem 49 anos e, nos últimos 13, faz parte da sua rotina fazer musculação. Desde setembro, porém, os treinos não são mais os mesmos: diagnosticado com Covid-19, ele não chegou a ser internado, mas convive com a falta de ar e as dores de cabeça até hoje.

“Na semana seguinte da quarentena eu voltei perfeito, sem sentir dor, sem falta de ar, com a mesma força e fiquei super feliz. Passou um mês e eu comecei a sentir falta de ar, cansaço e dor de cabeça. Até hoje tenho que abortar os treinos porque não consigo continuar, meu rendimento caiu”, diz.

Ajuda médica para a recuperação de pacientes com sequelas

Para recuperar o corpo após a Covid-19, muitos pacientes têm recorrido à fisiatria e à fisioterapia. A fisiatra Desirée Garcia de Simas, que atende no Hospital Dona Helena, explica que as sequelas podem variar entre leves, moderadas e graves e todas podem ser tratadas. 

“A principal sequela é a falta de ar e também o cansaço em relação aos esforços que, antigamente, eram normais para o paciente e que, agora, ele não consegue mais fazer ou faz com dificuldade”, explica. Além disso, também há sequelas que exigem mais cuidado, como no caso de pessoas que, por causa da doença, acabam tendo um acidente vascular cerebral, tromboses ou até mesmo algum problema cardíaco (miocardiopatia).

“A fisioterapia tem papel essencial no tratamento. Os pacientes conseguem fazer o fortalecimento muscular e melhorar a parte cardiovascular, por exemplo, em equipamentos como a bicicleta e a esteira. Sempre com o cuidado de ter o oxigênio por perto”, fala.

Alunos da Univali reproduzem exercício realizado constantemente por pacientes pós Covid-19 – Foto: Divulgação/ReproduçãoAlunos da Univali reproduzem exercício realizado constantemente por pacientes pós Covid-19 – Foto: Divulgação/Reprodução

Segundo Desirée, a reabilitação, em média, leva de quatro a oito semanas.

Em alguns casos, também é necessário o acompanhamento de outros especialistas, como fonoaudiólogos, nutricionistas e enfermeiros.

Esperançoso com os primeiros passos recém dados, Elvis faz um alerta: “algumas pessoas ainda acham que o vírus é uma coisa pequena, mas essa doença é um jogo. Para uns, é simples e, para outros, pode ser mortal. É uma roleta russa e você não sabe o que vai acontecer. É preciso se cuidar e ter respeito em relação à doença”, ressalta.

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