Adolescentes ficam 15 horas perdidos na mata em Garuva

Um deles foi resgatado ainda no sábado e outros dois passaram a noite em um buraco

Fabrício Porto/ND

Após o descanso.  Ontem à tarde, Manassés Ramos contou parte da história, observado pela mãe, Helena

A angústia da dona de casa Helena de Miranda durou cerca de 15 horas e terminou apenas quando pôde ver o filho caçula Manassés Ramos, 15 anos, na manhã de ontem. O adolescente foi um dos três rapazes que se perderam na mata fechada da Serra do Mar, em Garuva, na região conhecida como Morro do Chuchu, perto da divisa com Guaratuba (PR). Por volta das 13h do último sábado, Manassés, Higor Felipe, 17, e Mateus Domingues da Rosa, 17, saíram para acampar com outros seis amigos. A intenção era passar a noite na mata e retornar no domingo.

O drama dos três amigos começou assim que entraram na trilha, quando ficaram para trás e perderam o contato com os outros colegas. O grupo menor seguiu pela Vila Trevo, uma rota alternativa. Mas Manassés, Higor e Mateus se distanciaram dos demais. “Eles (Higor e Mateus) disseram que sabiam o caminho, mas pelo outro lado”, contou Manassés. Eles não souberam seguir a trilha e se perderam. Por volta das 16h30 de sábado perceberam que estavam perdidos, já em mata fechada.

Manassés estava com um telefone celular e conseguiu ligar para a mãe, Helena. “Eu pensei que era brincadeira dele. Não acreditei”, disse. Depois, fez contato com os bombeiros militares de Garuva, que imediatamente começaram o trabalho de resgate. “Eu pedi o telefone do Manassés e comecei a conversar com ele, pedi informações. Disse para eles fazerem fogo e assim nos orientamos pela fumaça”, recorda o bombei Mateus Domingues da Rosa e Manassés com os bombeiros e cães farejadores da PM de Itajaí o militar Maikon Eduardo Batista.

Os três adolescentes tinham um cobertor e isqueiro. Eles não pensaram duas vezes e queimaram a única proteção do frio que tinham levado: o próprio cobertor. Do pé do morro os bombeiros avistaram o sinal de fumaça do trio e solicitaram apoio à equipe do

Batalhão de Aviação da Polícia Militar de Joinville (BAPM). Foi possível chegar até o local e resgatar o primeiro adolescente, já por volta das 17h30. Higor foi içado e depois levado até o pronto-atendimento da cidade.

Manassés e Mateus continuaram na mata, mas o fogo apagou. Com isso, os patrulheiros do helicóptero Águia não conseguiram voltar ao local, já que a mata era muito fechada. A preocupação dos bombeiros era com a idade dos rapazes, todos menores. Por isso, pediram apoio à corporação de Itajaí, para que pudessem seguir as buscas durante a noite, o que não é comum.

Dois bombeiros e dois cães farejadores saíram da cidade portuária e seguiram direto para Garuva. Eles chegaram por volta das 21h e uma equipe voltou à serra do Mar para as buscas. Os trabalhos seguiram até as 3h da madrugada, quando não havia mais condições de continuar as buscas. Manassés e Mateus continuavam perdidos.

Medo e incertezas
Os adolescentes Manassés Ramos e Mateus Domingues da Rosa ainda permaneceram durante um tempo no mesmo local onde haviam feito a fogueira com o cobertor. Como ninguém voltou para buscá-los, decidiram seguir caminho e tentar sair da mata por conta própria. “Andamos um pouco e caímos num buraco. Não tínhamos lanternas e o gás do isqueiro tinha terminado. Comemos miojo (macarrão instantâneo) cru. Pensava que não sairia dali vivo”, contava ontem Manassés.

E ali onde caíram, decidiram passar o resto da noite. Sem roupas quentes, comida ou qualquer outro objeto que pudesse protegê-los, adormeceram. Segundo Manassés, a bateria do celular também terminou e por volta das 4h30 acordaram. Mais uma vez seguiram caminho, desta vez sob uma chuva fina. Às 6h da manhã, os bombeiros militares também reiniciram os trabalhos.

“A gente escutava vozes e gritava. Eram os bombeiros, mas eles não conseguiam nos achar”, disse Manassés. Logo os adolescentes encontraram uma trilha e seguiram por ela. Já estavam quase no pé do morro. Foi quando os bombeiros os localizaram, às 7h de domingo. Eles foram levados ao pronto-atendimento, pois estavam com escoriações e frio. Mas não chegaram a apresentar hipotermia.

A mãe de Manassés, Helena de Miranda, disse que alertou o filho para não subir o morro. “Eu avisei, mas ele não me ouviu”, recorda. O adolescente confirma que nunca tinha saído para acampar antes. “Era a primeira vez. Aprendi e da próxima vez vou com guia que conheça o caminho”, concluiu Manassés. Os outros seis rapazes que estavam no grupo inicial retornaram para casa no domingo.

Cuidados

Ao acampar ou subir um morro
– É preciso conhecer o local ou sair acompanhado de um guia
– Sempre levar roupa de reserva
– Pesquisar as condições do tempo
– Levar lanternas
– Levar alimentação leve e água
– Avisar um familiar onde vai, a hora e quanto tempo permanecerá no local.

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