Atraso de uma hora para retirar corpo em Florianópolis escancara desfalque no IML

Apesar de contar com três veículos, há apenas uma equipe de auxiliares por turno responsável pela Grande Florianópolis; IML reconhece problema e cita concurso

Coberto com um lençol, o corpo de Laercio Genoval Farias ficou exposto por uma hora na Beira-mar Norte, uma das principais avenidas de Florianópolis, na última terça-feira (20). O lageano, de 59 anos, morreu por volta das 15h30, após ser atingido por um carro ao tentar atravessar a pista fora da faixa de pedestres.

Apesar de o acidente ocorrer a cinco quilômetros da sede do IGP (Instituto Geral de Perícias), no bairro Itacorubi, não havia profissional do IML (Instituto Médico Legal) de prontidão para retirar a vítima. A única equipe cumpria atendimento nas cidades de Biguaçu e Anitápolis – a 27 e 105 quilômetros da Capital, respectivamente. Eles só conseguiram retirar a vítima às 16h30.

Corpo de Genoval na avenida beira-mar, em Florianópolis, foi recolhido pelo IML após uma horaCorpo de Laércio foi coberto por um lençol, e ficou no local por cerca de uma hora – Foto: Andrey Sousa/NDTV

Além da indignação dos familiares, a situação gerou um caos no trânsito da Beira-mar. Uma das pistas foi bloqueada e os seis semáforos precisaram ser desligados. O trânsito foi gerenciado pela equipe da GMF (Guarda Municipal de Florianópolis) e pela Polícia Militar, normalizado apenas às 18h30. As filas alcançavam a SC-401, que dá acesso ao Norte da Ilha.

Falta de pessoal

O problema expõe uma carência do IML da Grande Florianópolis. Devido ao baixo efetivo de AMLs (Auxiliar Médico Legal), não há como realizar atendimentos simultâneos.

São oito auxiliares que se dividem em quatro equipes de dois profissionais, detalha o Instituto. Ou seja, cada turno conta com uma dupla, que trabalha conjuntamente na retirada dos corpos.

A atuação também é prejudicada pelo tamanho do perímetro atendido, que abrange 14 municípios. Os auxiliares do IML precisam se deslocar de Florianópolis até cidades muito distantes, como São Bonifácio (a 86,5 quilômetros) e Alfredo Wagner (a 115 quilômetros). Ao chegarem no local, só podem retirar os corpos após concluída a perícia criminal.

Média de três atendimentos

O IML realiza cerca de três atendimentos diários. “Geralmente o atendimento se dá em tempo razoável”, informou Lilian Brillinger Novello, diretora do IML em Santa Catarina. “Porém, dependendo da distância e do espaço de tempo entre as ocorrências pode haver atrasos”.

Ocorrências simultâneas, no entanto, são pouco frequentes, segundo a diretora.

A reportagem do ND+ conversou com um servidor do IML que atua em Santa Catarina, e que pediu para não ser identificado. Para ele, uma das soluções seria incrementar as equipes com mais um auxiliar médico, que poderia dar apoio no atendimento em situações excepcionais.

A regional conta com três veículos oficiais utilizados nos atendimentos. Segundo o IML, eles não ficam ociosos pois são utilizados quando há necessidade de reparo nas demais viaturas. Também servem de apoio a outras unidades do Estado e são utilizados pelo setor de Antropologia Forense no recolhimento de ossadas, por exemplo.

Necessidade de reforço

Brillinger reconhece a necessidade de ampliar o efetivo do IML. “Foi realizado processo seletivo recentemente para contratação temporária de 21 auxiliares de Medicina Legal para atuar em todo o Estado. Este processo seletivo está em fase de conclusão e convocação dos aprovados”, afirmou a diretora.

Os seguintes municípios são atendidos pelo IML da Grande Florianópolis: Florianópolis, Governador Celso Ramos, Biguaçu, Antônio Carlos, São José, São Pedro de Alcântara, Angelina, Rancho Queimado, Águas Mornas, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Anitápolis, São Bonifácio e parte de Alfredo Wagner.

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