Boxes com cozinha no Mercado Público precisam de sistema próprio contra incêndio

Em vistoria com Ministério Público na manhã desta terça-feira (19), ficou acertado que os comerciantes devem atender exigências dos Bombeiros individualmente

Durou pouco mais de 30 minutos a vistoria do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) com representantes da Prefeitura de Florianópolis e da Associação de Comerciantes do Mercado Público de Florianópolis na manhã desta terça-feira (19). Entre as definições, a exigência de que os boxes do Mercado com cozinha incrementem o sistema de combate a incêndios. Outra novidade é que o Mercado terá um contrato de manutenção mais amplo a partir de 2022.

Reunião sobre segurança e estrutura do Mercado Público de FlorianópolisReunião e vistoria no Mercado Público durou cerca de 30 minutos – Foto: Leo Munhoz/ND

Representantes do Crea-SC e CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis também participaram do encontro realizado em frente ao Mercado Público. Representando o MPSC, estava o promotor de Justiça Daniel Paladino, que fez uma avaliação positiva do encontro.

“As obras estão sendo realizadas, talvez não no ritmo ideal, mas estão. Tivemos a boa notícia de que o sistema preventivo contra incêndio está operante na ala sul, porém, na ala norte, ainda não, o que deve ocorrer em 15 dias. Pedimos pressa, porque o sistema é fundamental para prevenção de incêndios”, ressaltou Paladino.

“A bomba d’água de recalque foi para conserto, porém, sugerimos que seja alugada uma provisória. Em caso de incêndio, hoje, não tem água para debelar o fogo. Também recomendamos que todos os permissionários aqui, em 72 horas, apresentem atestado de funcionamento, perante o Corpo de Bombeiros, porque além dos atestados da edificação como um todo, cada box deve ter seu próprio alvará e a grande maioria não tem”, disse Paladino.

Segundo ele, a prefeitura vai notificar os permissionários. Quem não se adequar, poderá ser responsabilizado.

Daniel Paladino após reunião sobre segurança e estrutura do Mercado Público de FlorianópolisO promotor de Justiça Daniel Paladino – Foto: Leo Munhoz/ND

O promotor descartou a interdição do Mercado. “O sistema está funcionando na ala sul e sendo preparado para entrar em funcionamento na norte. Depois disso, serão integrados. Colocamos um prazo de 20 dias para essa integração. Era objeto maior da vistoria a situação da central de alarme contra incêndio”, comentou Paladino.

A expectativa da promotoria é encontrar tudo regularizado até dezembro. Além da segurança contra incêndio, a prefeitura tem que solucionar a manutenção do teto retrátil, a troca de 200 metros de calhas na ala sul e o conserto de rebocos.

Prefeitura vai ampliar contrato de manutenção do Mercado Público

A secretária adjunta de turismo, Roseli Pereira, disse que foi apresentado ao promotor todo o serviço executado até o momento. “Temos um prazo contratual de até três meses. Até dezembro, conseguimos concluir o serviço”, garantiu.

Segundo Roseli, em paralelo a isso, a prefeitura está com processo licitatório para resolver as calhas e o teto retrátil. “No caso das calhas, temos a assinatura do contrato nesta semana. Na próxima, estamos com a licitação do teto retrátil na rua”, prometeu.

Roseli Pereira, durante reunião sobre segurança e estrutura do Mercado Público de FlorianópolisRoseli Pereira é administradora do Mercado Público de Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND

“Também estamos trabalhando no sentido de orientar os permissionários que mantenham seus espaços de acordo com orientação do bombeiro, porque cada um tem que adequar seu espaço. Ontem [segunda-feira, 18 de outubro], nossa comissão passou em todos os boxes. A maioria está resolvida e daremos um prazo para quem não resolveu”, disse Roseli.

A secretária adjunta disse que o contrato de manutenção do Mercado terá mais serviços a partir de 2022, incluindo, por exemplo, a manutenção do teto retrátil, para que não precise de licitação à parte, além de outros serviços, como pintura e rebocos.

O proprietário da empresa Prevent Fire, Marcio Dutra, responsável pelo contrato de prevenção a incêndio, explicou que, nesta terça-feira, a empresa estava programando os dispositivos de detecção e alarme de incêndio da ala norte. A ideia era começar a ativar os dispositivos nos boxes ainda na terça.

A ala sul está operando de forma parcial e, por isso, a empresa começou o trabalho na ala norte, onde o desafio era maior. “Focamos no que é mais importante, a detecção e alarme para uma resposta mais rápida em caso de princípio de incêndio”. Dutra explicou que o sistema de detecção e alarme é autônomo e serve para avisar a presença de fumaça e indicar onde está o problema.

Marcio Dutra, da Prevent Fire, após a reunião sobre segurança e estrutura do Mercado Público de FlorianópolisO proprietário da Prevent Fire, Marcio Dutra – Foto: Leo Munhoz/ND

“A central gerencia os acionamentos e informa para o operador onde está o sinistro. Para o operador, a pessoa que fica na administração do Mercado, toda vez que tiver um disparo em um dos boxes, manual ou automático, a central vai apresentar o local específico”, explicou Dutra. O Mercado tinha um sistema como esse antes, mas com inconsistências. A última troca de central na ala norte, por exemplo, foi em janeiro deste ano.

A Prevent trabalhará, em seguida, com foco nos sistemas vitais: sinalização de abandono de local (placas), iluminação de emergência e extintores. “Numa sequência de prioridade, entrou o sistema de detecção e alarme de incêndio. Em paralelo, tiramos as bombas de incêndio, que fazem a pressurização da água, do sistema hidráulico preventivo e dos SPKs (sprinklers), para manutenção”, explicou Dutra.

“A prefeitura está propondo um sistema provisório para que possamos ter água nos SPKs e no sistema hidráulico. Veremos se é possível, porque não está em projeto, mas é uma questão de atender a pressão de água nesses dois sistemas até que se faça toda a manutenção do que vai ficar de fato”, disse Dutra. A empresa deve usar todos os três meses para concluir o trabalho. “A ideia é antecipar, mas sempre pensando primeiro no critério básico do capricho e da ativação na totalidade do sistema”, ressaltou.

Comerciantes mais tranquilos

O comerciante Aldonei Brito, da Associação dos Comerciantes do Mercado Público de Florianópolis, saiu satisfeito do encontro. “Na reunião de 30 dias atrás, ficou acordada a vistoria e, com isso, ia se constatando o andamento das obras. Hoje, foi afirmada a colocação dos sensores de fumaça e a empresa disse que, no máximo em dois dias, conclui a obra”, comentou Aldonei.

“A cada vistoria é uma pressão a mais para botar em funcionamento, porque temos a temporada chegando. Acreditamos que vai sair. Estamos confiantes, porque temos apoio do Crea-SC, do MPSC. Foi uma junção de forças para fazer a coisa funcionar”, disse o comerciante.

Aldonei Brito, comerciante do Mercado Público de FlorianópolisO comerciante Aldonei Brito e a família têm box há 46 anos no Mercado Público, vendendo material esportivo – Foto: Leo Munhoz/ND

Sobre o pedido que será feito aos proprietários dos boxes com cozinha para que tenham um sistema a mais de combate a incêndio, Aldonei acredita que eles não serão contrários, pois trará mais segurança ao Mercado. Para o comerciante, o único problema na questão toda é a demora para se chegar às soluções.

Duas novas vistorias ainda estão previstas no Mercado. A primeira em 19 de novembro, a segunda e última em 19 de dezembro. “Se tiver tudo certo, bom para a cidade, um grande presente de Natal. Caso ainda falte algo para ser regularizado, avaliaremos a dimensão, mas por ora está descartada a possibilidade de interdição”, registrou o Promotor de Justiça Daniel Paladino.

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