Corpo encontrado em Barra Velha pode ser de pescador desaparecido

Corpo foi levado para IML e tem características do pescador desaparecido em um naufrágio em Penha

O corpo de um homem foi encontrado na manhã deste sábado, dia 14,  a cerca de 800 metros do costão, entre as praias do Tabuleiro e Central, em Barra Velha, Litoral Norte de Santa Catarina.

naufrágio em penha Naufrágio ocorreu em Penha, no Litoral Norte do Estado. – Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação ND

Um pescador local acionou o Corpo de Bombeiros Militar por volta das 7 horas porque havia encontrado um corpo. Os bombeiros foram até o local,  resgataram e encaminharam o corpo até a Marinha de Itajaí. O IML (Instituto médico Legal) já foi acionado para confirmação da identidade.

Pelas características, o Corpo de Bombeiros acredita que o corpo seja do pescador desaparecido em um naufrágio há quatro dias.

Segundo Marcel Pittol Trevisan, tenente do Corpo de Bombeiros, o corpo do homem encontrado tinha as descrições do pescador desaparecido, mas só o IML poderá dizer.

A reportagem ligou para a Marinha do Brasil, que confirmou a chegada do corpo, mas a identificação é somente com o IML. ND+ também fez contato com o IML e aguarda retorno sobre a identidade.

Como foi o naufrágio

Um barco pesqueiro naufragou na noite desta terça-feira (10), a cerca de 3 Km da costa de Penha, Litoral Norte catarinense. O Corpo de Bombeiros Militar confirmou a morte de um dos tripulantes. Já o dono do barco segue desaparecido.

“Tudo indica que seja este corpo encontrado neste sábado em Barra Velha”, comentou Marcel Pittol Trevisan.

Sobrevivente conta como foi

Moacir Luiz Benevenuti, um dos sobreviventes do naufrágio, conta que ele, um tio e dois amigos decidiram sair para pescar pela manhã. Moacir mora em Apiúna, no Médio Vale, e já costuma pescar por lazer há muitos anos. Ele esperava que aquela terça-feira (10) fosse mais uma de muitas, mas ela foi marcada pelo desespero e uma tragédia.

Eles chegaram a Penha pela manhã. Passou na casa do tio, vítima fatal do naufrágio, e que é de Indaial, também no Vale. Os dois seguiram para Penha, onde se juntaram aos outros dois. Um deles é dono do barco, e outro, um vizinho dele.

Os quatro passaram o dia no mar, mas por volta das 16h30, o vento ficou mais forte. Com a noite chegando, decidiram voltar para terra firme. No entanto, no meio do caminho, o motor do barco parou de funcionar pela primeira vez.

Moacir Luiz BenevenutiMoacir mora em Apiúna e veio pescar em Penha – Foto: Arquivo pessoal

Eles conseguiram religar o motor, mas logo tiveram outro problema. Uma linha das armadilhas para mariscos acabou enroscando nas hélices do motor, que pifou. “A gente tentou cortar a linha, mas não tinha jeito”, relembra Moacir.

Foi quando o vento virou o barco, que afundou rapidamente. Os quatro ocupantes estavam de colete salva-vidas, e um pneu de socorro do barco também foi usado pelos ocupantes para se manter na superfície.

“Tinha muito vento empurrando para dentro [do mar]. A gente nadava, nadava, mas não saia do lugar”, conta. Moacir lembra que os quatro conseguiram se segurar nas boias da maricultura.

Moacir conta que ficou mais de 12 horas no mar, “lutando para se manter aquecido”, até por volta das 7h da manhã de quarta, quando foi encontrado por um maricultor, que resgatou ele e outro sobrevivente, vizinho do dono do barco.

O tio de Moacir foi encontrado morto pelo Corpo de Bombeiros Militares ainda na quarta-feira (11).

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