“Ele era o xodó da mãe”, diz pai que perdeu filho afogado em Joinville

A mãe morreu de Covid-19 no dia 11 de março e Nardele Estevão, de 52 anos, morreu neste domingo (4)

Se passaram 24 dias desde que a companheira de uma vida morreu de Covid-19 e José Lino, de 78 anos, precisou enterrar o próprio filho, de 52 anos, em Joinville, Norte de Santa Catarina. Em menos de um mês, seu José perdeu a esposa, dois irmãos e o filho mais jovem. Nardele Estevão se afogou no rio Piraí morreu na tarde de domingo (4). “Ele era o xodó da mãe, ficou quase 15 dias de cama sem comer direito depois que ela morreu e deu uma melhorada, voltou a trabalhar. Ele disse que queria ir com ela e parece que Deus e ela o levaram”, fala.

Nardele Estevão, de 52 anos, morreu afogado no rio Piraí, no domingo de Páscoa – Foto: Reprodução/Redes SociaisNardele Estevão, de 52 anos, morreu afogado no rio Piraí, no domingo de Páscoa – Foto: Reprodução/Redes Sociais

O pai conta que os dias após a morte da mãe foram difíceis para Nardele, que era o mais jovem da família de quatro filhos. A mãe tinha Alzheimer, foi internada, contraiu a Covid-19 e morreu no dia 11 de março, no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt. Dias depois, duas irmãs de José e tios de Nardele, morreram também de Covid-19 no interior de Nova Trento. “Em menos de um mês eu perdi quatro pessoas. É muito difícil”, diz.

No sábado (3), lembra o pai, Nardele o chamou para “comer um lanchinho” e foi a última vez que os dois se viram. “Ele me chamou e disse: vou fazer um lanchinho para o pai. Mas, eu já tinha comido e neguei. Até convidei ele para ir almoçar na irmã no domingo, mas ele não quis”, conta.

No domingo, José almoçou na filha, jogou dominó com os netos e voltou para casa, no bairro Itaum, onde agora mora sozinho após perder a companheira. E foi a filha que deu a notícia que ele não queria e não esperava receber novamente. “Ela chegou e pediu para eu sentar e disse: o pai tem que ser forte, mais um da família se foi. O Nardele morreu afogado”, fala.

Ele trabalhava fazendo lanches e pão caseiro e morava na frente da casa dos pais. “Ele não era muito de ir, tinha ido no tio faz uns cinco meses, agora que tinha melhorado depois de perder a mãe, foi. Saiu do carro, mergulhou e não voltou mais”, lamenta.

José enterrou o filho nesta segunda-feira (5), às 10h30, no Cemitério Nossa Senhora de Fátima. Nardele deixou dois filhos e dois netos.

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