Incêndio em Florianópolis atinge comerciantes na véspera da temporada

Oito estabelecimentos comerciais foram atingidos pelas chamas, que foram contidas após quase quatro horas de trabalho

‘Remar em doce de leite’ é a expressão que a argentina Marcela Erdozain crava para definir a situação dos lojistas da avenida Madre Maria Villac, no bairro Canasvieiras, em Florianópolis, vítimas de um incêndio de grandes proporções registrado na manhã deste domingo (17).

Corpo de Bombeiros ainda trabalha no combate – Foto: Felipe Bottameddi/NDCorpo de Bombeiros ainda trabalha no combate – Foto: Felipe Bottameddi/ND

Comum no seu país Natal, ela significa insistir em algo que não anda. Depois de dois anos difíceis, comerciantes de oito lojas sofreram uma perda imensa dois meses antes da temporada, que promete melhores após dois anos cruéis para a categoria.

Proprietária há três anos do café Lila Coffe Bar, a argentina chegou aos prantos no estabelecimento. Ela foi avisada do fogo pelo gerente do hotel e até então não tinha noção do tamanho do estrago – a área foi isolada e o café estava fechado.

A argentina Marcela Erdozain, proprietária há três anos do café Lila Coffe Bar, chegou aos prantos no estabelecimento – Foto: Felipe Bottameddi/NDA argentina Marcela Erdozain, proprietária há três anos do café Lila Coffe Bar, chegou aos prantos no estabelecimento – Foto: Felipe Bottameddi/ND

Por sorte, as chamas cuja a origem ainda não se sabe, atingiram apenas parte do telhado. O conteúdo interno foi protegido. “Durante a pandemia apenas moradores em situação de rua e um ou outro turista passavam pela região. O fechamento do hotel Boulevard por um período também diminuiu o movimento. Alguns dias eu chegava a trabalhar doze horas seguidas pra vender só dois cafés. Aqui é nosso mundo”, conta.

A região, a poucos metros da praia, fica cheia no verão e a temporada é fundamental para garantir o sustento. Pelo menos dois proprietários – uma moça dona de uma loja de roupas e uma família de bolivianos que administram uma loja de artesanato, perderam toda a mercadoria com o fogo. E também não tinham seguro do material. Abalados, não quiseram conversar com a reportagem.

“Agora o foco é nos ajudar. Após limpar minha loja vou dedicar meus esforços para o auxílio dos meus colegas que sofreram perdas, fazendo limpeza, pintando fachada, o que for”, conta a argentina, natural da Patagônia.

Com a liberação do local, as empresárias proprietárias Viviane Kolm e Aida Moraes apuram os prejuízos sofridos. Elas não imaginam o que possa ter provocado o incêndio que atingiu as lojas da Souvenir Brasil, que abriga os oito estabelecimentos atingidos pelo incêndios.

Com a liberação do local, as empresárias Viviane Kolm e Aida Moraes apuram os prejuízos sofridos – Foto: Felipe Bottameddi/NDCom a liberação do local, as empresárias Viviane Kolm e Aida Moraes apuram os prejuízos sofridos – Foto: Felipe Bottameddi/ND

“Temos o local há 30 anos, e foi feita reforma há um ano. O habite-se foi emitido pelos bombeiros há dois meses. Também não tinha restaurante, eram lojas de roupas, lembranças, essas coisas. Não imaginamos o que possa ter ocorrido”, lamenta Viviane.

Segundo a proprietária, o prédio tem seguro o que deve garantir a reforma nos próximos meses. “Nosso conselho é sempre ter seguro para as mercadorias também”, afirma Viviane, que lamenta a condição dos inquilinos.

Por enquanto alguns funcionários e inquilinos acompanham as perdas de longe, pois há ainda lojas interditadas para a realização da perícia. Marinaldo Leite Moura trabalha com a irmã na loja Vitória, da qual ela é proprietária há cerca de 18 anos.

Marinaldo Leite Moura trabalha com a irmã na loja Vitória, da qual ela é proprietaria há cerca de 18 anos – Foto: Felipe Bottameddi/NDMarinaldo Leite Moura trabalha com a irmã na loja Vitória, da qual ela é proprietaria há cerca de 18 anos – Foto: Felipe Bottameddi/ND

Eles vendem produtos diversos: bolsas, lembranças, roupas e acessórios. “Moramos no prédio atrás, vimos o fogo e viemos assustados. Tentamos abrir pra pegar as coisas, mas as portas automáticas não abriam”, conta. Por sorte, os irmãos tinham as mercadorias protegidas por seguro.

Como tudo começou

O incêndio que resultou em todos esses prejuízos começou por volta das 7h50 deste domingo (17) no entorno da rua Madre Maria Villac, no bairro Canasvieiras, em Florianópolis.

Foram quase quatro horas de trabalho para controlar as chamas, algo que os bombeiros só conseguiram por volta das 11h40. O batalhão foi acionado por volta das 8h devido ao registro de fogo em uma loja de alvenaria.

Segundo informações da Guarda Municipal de Florianópolis, oito lojas foram atingidas pelas chamas e um hotel foi evacuado. Conforme a tenente bombeira Fernanda Santos, que coordenou o trabalho de combate às chamas, a causa do incêndio será apurada nos próximos dias e ainda não há suspeita do que pode ter iniciado o incêndio.

“Os locais estavam cheios de plástico e roupa, o que dificultou o combate”, afirma. Além da alta carga de plástico e roupas, as chamas retornavam também por conta da evaporação da água, explica Santos. Segundo ela, isso é algo normal nos combates a incêndio.

Para evitar a propagação das chamas para o hotel, os bombeiros também trabalharam pela parte dos fundos das lojas. Três caminhões de bombeiros, além de três veículos menores, foram necessários.

Durante os trabalhos foi constatado que todo o sistema preventivo de incêndio do hotel não estava funcionando. Os bombeiros tentaram abrir o hidrante, mas não havia água nos encanamentos. “É necessário que esses sistemas estejam funcionando corretamente para combatermos mais rápido”, alertou a tenente.

Questionado, o gerente do Boulevard Canasvieiras Hotel Lauri Nascimento informou que os hidrantes estavam vazios porque a água já tinha sido utilizada anteriormente para combater os focos de incêndio.

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