Incêndio em Florianópolis dá prejuízo de R$ 500 mil em loja e poderia ter sido evitado

Perícia no local foi realizada na manhã desta segunda-feira (18) e Corpo de Bombeiros alerta para precariedade de sistema de prevenção no local; veja relatos e detalhes do incidente

A perícia no estabelecimento comercial onde ocorreu um incêndio de grandes proporções que atingiu ao menos oito lojas no bairro Canasvieiras, no Norte da Ilha, em Florianópolis, neste domingo (17), foi realizada pelo CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina) na manhã desta segunda-feira (18).

Até o início da tarde, as equipes seguiam trabalhando para conter a fumaça que ainda estava forte no local. O laudo da perícia tem prazo de até 30 dias para ser concluído, mas os Bombeiros atestam que houve falhas no sistema de prevenção de incêndios da edificação: “Poderia ter sido evitado”.

lojas incendiadasLojas foram atingidas por incêndio em estabelecimento de Canasvieiras, no Norte da Ilha, em Florianópolis – Foto: Gabriela Milanezi/NDTV

O fogo teve início antes das 7h da manhã de domingo e os bombeiros precisaram cerrar a porta de um estabelecimento para chegar até as chamas.

Eles também tentaram utilizar o sistema de incêndio do hotel que fica nos fundos do prédio, mas não foi possível porque os hidrantes estavam sem água.

“Todo o sistema preventivo do hotel não estava funcionando. Aí a gente toca na prevenção. Precisamos ter os sistemas preventivos funcionando corretamente para que quando aconteça um problema como esse, nessa proporção, a gente consiga combater mais rápido. No momento que eu entrei lá, a gente tentou abrir o registro e não saiu uma gota d’água”, afirma a tenente do CBMSC, Fernanda Santos.

O trabalho dos bombeiros durou mais de quatro horas, e ninguém ficou ferido. As causas do incêndio ainda estão sendo apuradas.

“A perícia foi realizada hoje pela manhã. Infelizmente, no momento, ainda não consigo dizer exatamente qual foi a origem o incêndio. Porém, há um prazo de 30 dias para a conclusão desse laudo, para que se saiba o que de fato aconteceu”, explica o 2º tenente Marco Timmermann.

Forro de PVC e despreparo contribuíram para propagação do incêndio

O agente do CBMSC reforça que o local não contava com uma boa preparação para conter o fogo e evitar maiores estragos.

“O fogo iniciou em uma das lojas – ainda não se sabe qual – e com a geração da fumaça, que em alta temperatura acabou por derreter o forro de PVC, se espalhou pelo restante da edificação. Essa propagação acabou facilitando bastante para atingir as demais lojas”, pontua o tenente Timmermann.

Segundo ele, quando as guarnições do Corpo de Bombeiros chegaram ao prédio, não havia muito a ser feito para salvar as lojas. Assim, a principal medida seria a prevenção.

“Quando o incêndio iniciou, caso tivesse sido utilizado um extintor de incêndio, ou outra forma de ter extinto o fogo no começo, seria bem mais fácil. Como isso não foi feito, no momento em que a primeira guarnição chegou, já não havia mais o que fazer, a edificação estava tomada, no que a gente chama de fase de desenvolvimento completo do incêndio, restando resfriar a edificação para evitar que o fogo se propagasse para as edificações vizinhas e outros locais”.

Corpo de Bombeiros no combate ao incêndio – Foto: Felipe Bottamedi/NDCorpo de Bombeiros no combate ao incêndio – Foto: Felipe Bottamedi/ND

Ainda conforme o 2º tenente Marco Timmermann, o exemplo serve de alerta para todos os estabelecimentos focarem na garantia de segurança.

“A prevenção contra incêndios talvez seja umas das medidas mais importantes. Se o fogo não inicia, não tem o desastre. O Corpo de Bombeiros se esforça e tenta abarcar o maior número possível de edificações, fazendo a regularização delas. No caso aqui em vista, um extintor ou alguma pessoa que tivesse visto o incêndio na sua forma inicial poderia ter extinto e evitado essa tragédia maior”, finaliza.

Sete lojas não têm seguro; prejuízo chega a R$ 500 mil

Às vésperas de uma temporada que promete após o fraco movimento no período de pandemia, os donos dos estabelecimentos lamentam um altíssimo prejuízo por conta do incêndio.

Sete lojas não tinham seguro das mercadorias, conforme apurado pela NDTV. O local, que fica a poucos metros da praia, tem a temporada como período fundamental para garantir o sustento.

Uma família de bolivianos que administra uma loja de artesanato perdeu toda a mercadoria com o fogo. Sem seguro e profundamente abalados, não quiseram conversar com a reportagem.

A argentina Marcela Erdozain, proprietária há três anos do café Lila Coffee Bar, que fica nos fundos do prédio onde ocorreu o incêndio, lamentou o prejuízo dos comerciantes, mas respirou aliviada por seu estabelecimento ter escapado.

Loja está entre as atingidas no incêndio da parte da manhã – Foto: Paulo Rolemberg/NDLoja está entre as atingidas no incêndio da parte da manhã – Foto: Paulo Rolemberg/ND

Ela destacou a situação de um casal gaúcho, dono de uma das lojas atingidas. Segundo ela, os dois tinham aberto o estabelecimento há apenas uma semana e assinado o contrato um dia antes da destruição pelas chamas.

“Agora o foco é nos ajudar. Após limpar minha loja vou dedicar meus esforços para o auxílio dos meus colegas que sofreram perdas, fazendo limpeza, pintando fachada, o que for”, conta a argentina da Patagônia. “Cheguei e já estava pegando fogo. Os bombeiros não conseguiram conter. Perdi tudo”, lamentava a comerciante Marilene Bezerra, com os olhos marejados.

Ela é dona da loja Vitória Régia, há 15 anos no local. A estimativa dela é de que o prejuízo equivalha a R$ 500 mil. O seguro deve cobrir R$ 100 mil. Das sete lojas atingidas, a de Marilene é a única com uma quantidade mínima de produtos não afetados pelas chamas.

Proprietárias do prédio visitaram o local para ver os estragos

Já o prédio tem seguro e foi reformado há um ano. As proprietárias da edificação Viviane Kolm e Aida Moraes estiveram no local verificando os estragos.

Elas não imaginam o que possa ter provocado o incêndio. “Temos o local há 30 anos. Foi feita reforma há um ano. O habite-se foi emitido pelos bombeiros há dois meses. Também não tinha restaurante, eram lojas de roupas, lembranças, essas coisas. Não imaginamos o que possa ter ocorrido”, lamentou Viviane.

Segundo ela, o prédio tem seguro, o que deve garantir a reforma nos próximos meses. “Nosso conselho é sempre ter seguro para as mercadorias também”, afirma Viviane, que se solidarizou com os inquilinos.

Hotel foi evacuado

O Boulevard Canasvieiras Hotel precisou ser evacuado por causa da quantidade de fumaça.

Os hóspedes foram levados para outro hotel da rede. Parte deles retornou no fim da tarde de ontem. Ele não teve a estrutura afetada, mas cerca de 60 hóspedes precisaram deixar o local.

“Pessoal estava tomando café, começou a ver fumaça e saiu, só saiu. Eu vi que estava pegando fogo e pedi pra minha família sair também”, diz o hóspede Mateus Almeida.

Lauri Nascimento, gerente do hotel, lamenta o incidente. “Foi bem tenso. A gente tirou nossos hóspedes, evacuamos o hotel como forma de segurança e agora vamos realocá-los. A fumaça ainda está muito forte. Estávamos com 30% de ocupação, foi um transtorno muito grande”.

Lauri Nascimento informou que os hidrantes estavam vazios porque a água já tinha sido utilizada anteriormente para combater outros focos de incêndio.

Relembre o caso

Pelo menos oito estabelecimentos da rua Madre Maria Villac, no bairro Canasvieiras, no Norte da Ilha de Santa Catarina, foram atingidos por um grande incêndio que começou por volta das 8h deste domingo (17).

Imagens divulgadas na internet mostram focos de incêndio e grande quantidade de fumaça em uma loja de moda feminina, onde os bombeiros tentavam controlar as chamas.

Combate começou por volta das 8h – Vídeo: Reprodução/Redes Sociais

Além da alta carga de plástico e roupas, as chamas retornavam também por conta da evaporação da água, explica a tenente Fernanda Santos. Segundo ela, isso é normal nos combates a incêndio.

Para evitar a propagação das chamas para o hotel, os bombeiros também trabalharam pela parte dos fundos das lojas. Três caminhões de bombeiros, além de três veículos menores, foram utilizados nos trabalhos de contenção das chamas.

Para evitar a propagação do fogo para o hotel, os bombeiros também trabalharam pela parte dos fundos das lojas.

No final da tarde do domingo, uma loja de souvenirs apresentou um novo foco de incêndio, que foi controlado pelos Bombeiros.

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