Morte de jovem em praia acende alerta para riscos de afogamentos em Joinville

Só em 2021, região da Praia da Vigorelli registrou três casos; bombeiro reforça que prevenção é fundamental

A morte de Ryan Matheus Cruz, de 21  anos, acendeu um alerta: os afogamentos na Praia da Vigorelli, em Joinville, no Norte do Estado. Só em 2021,o local já registrou três casos de afogamento na região.

Rapaz desapareceu enquanto comemorava a efetivação de um trabalho – Foto: Divulgação/NDRapaz desapareceu enquanto comemorava a efetivação de um trabalho – Foto: Divulgação/ND

Com a chegada do verão, dezenas de pessoas procuram a praia, banhada pela Baía da Babitonga, para tomar banho e se divertir com amigos e familiares. Porém, existe uma série de fatores que o tornam o local perigoso e com alto índice de riscos de afogamento, de acordo com Leandro Dresch, líder do grupo de busca e salvamento aquático do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville.

Entre eles está as cheias e a influência da maré, além do funcionamento da balsa, que também auxilia na mudança no curso da baia.

“A balsa acaba jogando muita pressão na água e, quando alinhada a maré, contribui para que a pessoa não volte para superfície após mergulhar. Foi o que aconteceu com este jovem no fim de semana”, salienta.

Buscas pelo corpo do jovem duraram cerca de três dias – Foto: Bombeiros Voluntários/Divulgação/NDBuscas pelo corpo do jovem duraram cerca de três dias – Foto: Bombeiros Voluntários/Divulgação/ND

Ryan tinha ido até a praia com a mãe para comemorar a efetivação em um trabalho. Ele, então, percorreu o píer e saltou na água. No primeiro mergulho, ele retornou à superfície.

Porém, ao saltar novamente, ele subiu rapidamente, começou a bater os braços e afundou, não retornando mais. A mãe chegou a pedir ao jovem que não realizasse o segundo mergulho. O corpo de Ryan só foi encontrado quase três dias depois, próximo ao ferry boat.

Trapiche interditado ainda atraí banhistas

Apesar do trapiche da Vigorelli permanecer interditado, várias famílias ainda vão até o local para realizar mergulhos. O bombeiro voluntário conta que, inclusive, enquanto trabalhavam nas buscas ao rapaz, diversas pessoas foram flagradas saltando na água dali.

“Os afogamentos ali acontecem principalmente pela falta de prevenção. As pessoas chegam e já querem entrar na água, independente de onde estão. Por isso é importante que elas compreendam os riscos para que os acidentes não aconteçam. Se a maré está vazando, enchendo, não é seguro nadar por lá”, reforça.

Só nos últimos dois anos, 17 afogamentos foram registrados

Mas os números não se limitam a praia joinvilense. Segundo dados dos Bombeiros Voluntários de Joinville, só nos últimos dois anos, a cidade registrou 17 casos de afogamento – 8 em 2019 e 9 em 2020. Na maioria, as vítimas são crianças e jovens.

O principal perigo está nos rios da cidade. Isto porquê, segundo Dresch, as inúmeras mudanças que os canais sofrem após enxurradas e outras intempéries da natureza, acabam deixando o local perigoso para o banho.

“Os rios eles sofrem com as cheias e a influência da maré. Então, naquela parte, ela pode acabar jogando o banhista para cima ou o puxando para dentro do rio, podendo causar o afogamento”, explica.

Outro motivo que, muitas vezes contribuem para o afogamento, é a falta de conhecimento das pessoas da região.

“Por mais que a gente conheça o local, um determinado rio, por exemplo, a gente tem que entender que eles sofrem constantes mudanças, trazendo galhos, árvores e pedras, que acabam enroscando na pessoa e causando o afogamento. Por isso é sempre importante que ela conheça um pouco a região e o local onde vai passar o fim de semana”, reforça.

Com a intenção de orientar os banhistas, os bombeiros voluntários de Joinville em parceria com a Defesa Civil, vem realizando blitzs educativas, principalmente no verão, afim de orientar os banhistas sobre os cuidados.

“Não tente salvar uma pessoa”

Entre as dicas apontadas pelo bombeiro voluntário para evitar os afogamentos, é reforçar os cuidados com a força da maré e a presença de objetos que podem enroscar no corpo do banhista, como entulhos, galhos e pedras.

“Também é fundamental que os pais cuidem das crianças e nunca tirem o olho de perto delas, já que um momento de descuido também faz com que os casos aconteçam. Nunca deixe elas tomarem banho sozinhas. E isso também vale para piscinas. A prevenção é fundamental”, reforça.

Leandro salienta, ainda, que quando for tomar banho em algum rio, lagoa ou mar, a pessoa não vá sozinha.

“Se alguém está se afogando, ela consegue chamar por socorro. Mas uma dica é importante: mesmo que saiba nadar, não pule para salvar a pessoa. Chame ajuda ou procure alguma coisa que ela possa segurar. Muitas pessoas as vezes acabam tentando salvar alguém, mas se tornam mais uma vítima”, enfatiza.

Veja outras dicas de como evitar afogamentos

  • Não superestime sua capacidade de nadar. Avalie as consequências de um possível incidente;
  • Em água doce ou salgada, prefira banhar-se em locais rasos e sem correnteza;
  • Se notar que está sendo arrastado por uma dessas correntes, mantenha-se calmo e tente acenar ou gritar por socorro enquanto nada transversalmente (para o lado, em vez de para o raso);
  • Não tente salvar pessoas vítimas de afogamento sem estar habilitado. Neste caso, lance algum objeto que a ajude a vítima a flutuar e acione guarda-vidas ou a emergência pelo telefone 193;
  • Crianças exigem cuidado redobrado. Não as perca de vista;
  • Sempre que possível, opte pelo uso do colete salva-vidas ao invés de objetos flutuantes;
  • Nunca nade após ingerir bebidas alcoólicas, alimentos ou se estiver passando mal ou com frio;
  • Evite aproximar-se de costões. Ao caminhar sobre as pedras destes ambientes, observe antes se uma onda não poderá atingi-lo e jogá-lo no mar;
  • Antes de mergulhar, certifique-se da profundidade. Um acidente pode provocar sequelas irreversíveis.

Em local monitorado

  • Para maior segurança, banhe-se num raio de 200m do posto de guarda-vidas;
  • Atente para a sinalização de praia. Observe a bandeira fixada no posto dos guarda vidas:
    • Vermelha: risco elevado de afogamentos;
    • Amarela: risco médio de afogamentos;
    • Verde: risco baixo de afogamentos;
  • As bandeiras vermelhas na FAIXA DE AREIA indicam as correntes de retorno. Evite estes pontos;
  • Sempre acate as orientações dos guarda-vidas.

No ambiente doméstico

  • Mantenha portas de áreas de serviço e banheiros fechadas;
  • Guarde recipientes como baldes e bacias de cabeça para baixo;
  • Instale redes de proteção no entorno de piscinas;
  • Evite o uso de boias ou flutuadores, prefira um colete salva-vidas;
  • Não mantenha brinquedos próximos a piscina. Isto atrai crianças;
  • Jamais deixe uma criança sozinha na piscina;
  • Após utilizar a piscina, impeça o acesso ao espaço.

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