Coronel assume que motores e peças foram retirados de forma ilegal dos pátios da SSP

Adjunto de César Grubba diz que funcionários também têm responsabilidade sobre material desviado

Marco Santiago/ND

Coronel diz que não sabe como motores saíram do pátio

O coronel Fernando Rodrigues de Menezes, secretário adjunto da Segurança Pública, admitiu nesta quarta-feira (11) que motores foram retirados de forma irregular do Complexo da SSP. Fernando é investigado na Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) por peculato, fraude em licitação e formação de quadrilha. “Concordo que [os motores] não deveriam estar ali”, confessou Fernando, que é presidente da comissão que gerencia o complexo administrativo onde estavam os motores.

O coronel, no entanto, nega envolvimento com irregularidades e acrescenta que o desvio é investigado em sindicância aberta pela própria SSP. Segundo ele, a responsabilidade é de quem estava no pátio no dia da retirada, no caso o tenente-coronel José Teodósio de Souza Jr., presidente da comissão de licitação, e Jorge Klöppel, gerente do complexo. “Resta saber se o desvio foi intencional”, diz.

A Deic também investiga a atuação de José Teodósio, que teria autorizado a retirada dos motores, em uma carreta, do pátio, mesmo contra a vontade do gerente do complexo, Jorge Klöppel. Outras duas carretas com peças só não foram apreendidas graças a Termo de Depósito assinado pelo coronel Fernando, que tinha como fiel depositário Sidney Martins, da empresa G-Truck, de Joinville.

Do pátio do complexo foram retirados motores e outras peças que, segundo o edital de licitação, deveriam ser: preparados, descontaminados, desmontados e triturados. Os materiais, leiloados a preço de sucata (R$ 0,12 e R$0,19), acabaram indo parar em um ferro-velho de Joinville e apreendidos pela Deic no dia 27 de dezembro. Estes e outros detalhes da investigação, como a troca de emails entre o coronel Fernando e o administrador do complexo estremeceram os pilares da Segurança Pública de Santa Catarina.

A polêmica é mais um episódio na crise que se instalou na Polícia desde a exoneração de Claudio Monteiro, diretor da Deic, afastado por desvio de conduta na semana passada por ter usado diárias da SSP em viagem pessoal para Miami em fevereiro de 2011.

Puxão de orelha nos delegados

Socos na mesa e gritos deram o tom da reunião entre o delegado geralda Polícia Civil, Aldo Pinheiro d’Ávila, e os sete delegados lotados na Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), na manhã de ontem. A reunião foi convocada um dia após delegados divulgarem detalhes sobre a investigação de desvio de peças do pátio da SSP (Secretária de Segurança Pública), incriminando diretamente membros do alto escalão do órgão.

Durante a reunião entre o delegado geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Ávila e os delegados da Deic, foi reforçado a subordinação da diretoria à Delegacia Geral. Renato Hendges, delegado da Deic e presidente da Adepol (Associação dos Delegados e Polícia), informou que o delegado finalmente explicou a saída de Monteiro de forma oficial. “Também foi pedido para os delegados não se manifestarem mais sobre o caso. Estou falando como presidente da Adepol, e não vou me calar”, desabafou Hendges após o encontro.

Aldo, no entanto, remediou dizendo que a reunião tratou de assuntos gerais da corporação, mas sem evitar os últimos acontecimentos. “Pedi que divulgação de investigações sejam feitas apenas por delegados presidentes dos inquéritos”, explicou.

Aldo negou que a reunião tenha sido em represália a divulgação do inquérito que investiga o adjunto de César Grubba. “Isso é um devaneio. O inquérito vai prosseguir e pedi celeridade no processo. Se houver culpados serão punidos com o rigor da lei, doa a quem doer”, retrucou.

Polêmica:

No dia 13 de dezembro Jorge Klöppel, encaminhou email para o coronel Fernando avisando que motores estavam sendo retirados do pátio. “Os melhores.”.

Fernando responde no mesmo dia, e diz que tudo estava dentro da legalidade, como previa o edital de leilão firmado com a Gerdau.          

Fernando questionou a oportunidade em que se deram as denúncias. “As irregularidades aconteceram em dezembro, porque estão divulgando só agora?”, supondo que a divulgação da investigação seja uma reposta dos delegados da Deic sobre a exoneração de Claudio Monteiro.

No dia 28, a Deic apreendeu uma carreta com 18 toneladas em peças retiradas do pátio da SSP. No dia 30, o Coronel Fernando assinou um Termo de Depósito para que outras duas carretas não fossem apreendidas.

O adjunto de Grubba diz que o documento não tem cunho jurídico. “O nome Termo de Depósito é figurativo, poderia ser listagem de materiais”, exemplificou. Segundo a Deic, o coronel não tinha competência para confeccionar o documento.

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