Defesa Civil faz pente-fino para detectar causa de incêndio em lojas de Florianópolis

Após perícia realizada pelos Bombeiros, agentes da Defesa Civil vão inspecionar a estrutura junto com engenheiro do seguro do prédio; local continua interditado

Na tarde desta terça-feira (19), a Defesa Civil fará um pente-fino na estrutura do prédio onde ocorreu um incêndio de grandes proporções e atingiu nove lojas no último domingo (17), em Canasvieiras, no Norte da Ilha, em Florianópolis.

O local segue interditado por questões de segurança. Na segunda-feira (18), uma perícia foi feita pelo Corpo de Bombeiros e a edificação seguia com pequenos focos de incêndio e muita fumaça.

Incêndio atingiu nove lojas na rua Madre Vilac, em Canasvieiras – Foto: Felipe Bottamedi/NDIncêndio atingiu nove lojas na rua Madre Vilac, em Canasvieiras – Foto: Felipe Bottamedi/ND

Os proprietários das lojas alugadas no complexo tiveram duas horas para retirar o restante das mercadorias nesta segunda.

O assessor técnico da Defesa Civil, Samuel Vidal, ressalta que a estrutura inteira segue interditada até o relatório final do perito do órgão. “Eles fizeram esse barramento para que não haja riscos, para que as pessoas não invadam o local e também para que até não tentem roubar alguma coisa”.

A Defesa Civil busca averiguar detalhadamente a estrutura para entender melhor as causas e dinâmica do incidente.

“Nosso objetivo é fazer um pente-fino. Analisar toda a estrutura, como  telhado, paredes e verificar os riscos. Hoje à tarde virão outros agentes junto com o nosso perito, que tem mais de 30 anos de experiência aqui na Defesa Civil. Ele vai fazer essa análise nas nove lojas que infelizmente foram atingidas por esse incêndio”, explica Samuel Vidal.

Trabalho prejudicado por focos de incêndio

O assessor técnico do órgão informa que a inspeção seria realizada ainda nesta segunda, mas pequenos focos de incêndio atrapalharam a ação.

“Ontem o trabalho foi prejudicado pelos focos de incêndio dentro da estrutura. Infelizmente a fumaça começou a tomar conta do local e a gente não conseguiu fazer uma análise mais precisa. Queríamos já ter feito, mas não deu por conta dos incêndios”, lamenta.

Proprietário do prédio vai acionar seguro

Ao contrário da situação da grande maioria das lojas que estavam instaladas na edificação, o prédio tem seguro.

O proprietário vai acionar o serviço e, segundo o assessor da Defesa Civil, o laudo será fundamental para tal.

“Aí vai para a questão jurídica. O proprietário vai acionar o seguro que o prédio tem e esse laudo vai servir de embasamento”.

Além disso, o engenheiro da própria seguradora vai acompanhar os agentes da Defesa Civil na inspeção desta terça, destaca Samuel Vidal.

Bombeiros apontam despreparo no sistema de prevenção

O 2º tenente do CBMSC, Marco Timmermann, reforça que o local não tinha uma boa preparação para conter o fogo e evitar estragos.

“O fogo iniciou em uma das lojas – ainda não se sabe qual – e com a geração da fumaça, que em alta temperatura acabou por derreter o forro de PVC, se espalhou pelo restante da edificação. Essa propagação acabou facilitando bastante para atingir as demais lojas”, pontua o tenente.

Segundo ele, quando as guarnições do Corpo de Bombeiros chegaram ao prédio, não havia muito a ser feito para salvar as lojas. Assim, a principal medida teria sido a prevenção.

“Quando o incêndio iniciou, caso tivesse sido utilizado um extintor de incêndio, ou outra forma de ter extinto o fogo no começo, seria bem mais fácil. Como isso não foi feito, no momento em que a primeira guarnição chegou, já não havia mais o que fazer, a edificação estava tomada, no que a gente chama de fase de desenvolvimento completo do incêndio, restando resfriar a edificação para evitar que o fogo se propagasse para as edificações vizinhas e outros locais”.

Local está interditado – Foto: Paulo Rolemberg/NDLocal está interditado – Foto: Paulo Rolemberg/ND

Ainda conforme o 2º tenente Marco Timmermann, o exemplo serve de alerta para todos os estabelecimentos focarem na garantia de segurança.

“A prevenção contra incêndios talvez seja umas das medidas mais importantes. Se o fogo não inicia, não tem o desastre. O Corpo de Bombeiros se esforça e tenta abarcar o maior número possível de edificações, fazendo a regularização delas. No caso aqui em vista, um extintor ou alguma pessoa que tivesse visto o incêndio na sua forma inicial poderia ter extinto e evitado essa tragédia maior”, finaliza.

Prejuízo em loja chega a R$ 500 mil

Às vésperas de uma temporada que promete após o fraco movimento no período de pandemia, os donos dos estabelecimentos lamentam um altíssimo prejuízo por conta do incêndio.

Sete lojas não tinham seguro das mercadorias, conforme apurado pela NDTV. O local, que fica a poucos metros da praia, tem a temporada como período fundamental para garantir o sustento.

Uma família de bolivianos que administra uma loja de artesanato perdeu toda a mercadoria com o fogo. Sem seguro e profundamente abalados, não quiseram conversar com a reportagem.

A argentina Marcela Erdozain, proprietária há três anos do café Lila Coffee Bar, que fica nos fundos do prédio onde ocorreu o incêndio, lamentou o prejuízo dos comerciantes, mas respirou aliviada por seu estabelecimento ter escapado.

Novos focos de incêndio atingiram o local – Foto: Paulo Rolemberg/NDNovos focos de incêndio atingiram o local – Foto: Paulo Rolemberg/ND

Ela destacou a situação de um casal gaúcho, dono de uma das lojas atingidas. Segundo ela, os dois tinham aberto o estabelecimento há apenas uma semana e assinado o contrato um dia antes da destruição pelas chamas.

“Agora o foco é nos ajudar. Após limpar minha loja vou dedicar meus esforços para o auxílio dos meus colegas que sofreram perdas, fazendo limpeza, pintando fachada, o que for”, conta a argentina da Patagônia. “Cheguei e já estava pegando fogo. Os bombeiros não conseguiram conter. Perdi tudo”, lamentava a comerciante Marilene Bezerra, com os olhos marejados.

Ela é dona da loja Vitória Régia, há 15 anos no local. A estimativa dela é de que o prejuízo equivalha a R$ 500 mil. O seguro deve cobrir R$ 100 mil. Das sete lojas atingidas, a de Marilene é a única com uma quantidade mínima de produtos não afetados pelas chamas.

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