Deic investiga adjunto da SSP

Caso Monteiro: Coronel Fernando Rodrigo de Menezes teria autorizado o desvio de peças leiloada como sucatas

Divulgação/ND

Motor avaliado em R$ 15 mil foram leiloados a preço de sucata 

O mal estar provocado dentro da Segurança Pública com a saída do delegado Claudio Monteiro, afastado por usar dinheiro de diárias em viagem particular, parece longe de arrefecer-se. Nesta terça-feira (10), os delegados de polícia Renato Hendgens, Alexandre Carvalho e Rodrigo Green divulgaram detalhes do processo que investiga o desvio de peças e motores do pátio da SSP (Secretaria de Segurança Pública). Motores apreendidos pela Deic em Joinville sairam do pátio com o aval do presidente da comissão de licitações e possivel conhecimento do secretário adjunto de Segurança Pública, coronel Fernando Rodrigues de Menezes.

A licitação para o esvaziamento dos pátios da SSP teve a Gerdau como vencedora. A empresa deveria retirar do pátio apenas material inservível e sem identificação, mas os policiais constataram que motores e peças, inclusive com identificação, retiradas do pátio vinham sendo negociadas a preço de mercado em um ferro-velho de Joinville. O preço pago pelo quilo de peças retiradas era de R$ 0,12 e R$0,19, dependendo do tipo de sucata. Um motor Scania, com preço de mercado avaliado em R$ 12 mil, foi leiloado como sucata por de R$ 90,00 e apreendido pelos agentes da Deic em Joinville.

Em dezembro, uma carreta saiu do pátio com 18 mil quilos em peças e motores. A saída foi autorizada pelo tenente-coronel José Teodósio de Souza, que preside a Comissão de Leilões do Detran. O gerente do Complexo Administrativo da SSP, Jorge Luiz Klöppel, comunicou as irregularidades ao presidente da comissão que gerencia o complexo, Coronel Fernando Rodrigues de Menezes, que é adjunto do secretário de Segurança Pública, César Augusto Grubba. Por email, o secretário adjunto informou que a saída das peças estava dentro da legalidade conforme o edital do leilão.

Peculato e formação de quadrilha

O tenente-coronel José Teodósio de Souza, que autorizou a retirada das peças e motores do pátio da SSP, será indiciado no mesmo processo que investiga, ainda, o coronel Fernando Rodrigues de Menezes, secretário adjunto da SSP, e o próprio secretário de Segurança Pública, César Augusto Grubba. Os três, que compõe o alto escalão da corporação, poderão responder pelos crimes de peculato, fraude em licitação e formação de quadrilha.

No dia 29 de dezembro, a Deic rastreou a carreta que saiu do pátio da SSP e apreendeu cerca de 18 toneladas em peças em um ferro-velho. O responsável pelas ferragens, Sidney Martins Carlos, apresentou uma Nota Fiscal da compra das peças, onde constava que os itens seriam sucatas. No dia seguinte, o coronel Fernando Rodruigues Menezes assinou um auto de depósito de outras duas carretas também carregadas com material retirado dos pátios da SSP.

As provas apresentadas pelos delegados da Deic apimentam a “briga política” dentro da Segurança Pública. “Não estou jogando contra o secretário, mas isso tem que ser apurado. Assim como Monteiro foi punido, pedimos o mesmo rigor com este caso”, declarou o delegado Renato Hendgens.

Monteiro perdeu o cargo há quase dez dias. A sindicância e o inquérito foram instaurados somente nesta terça-feira. Grubba ressaltou que as provas contra Monteiro são robustas. “Não tive outra alternativa. Se eu não o fizesse estaria cometendo crime de prevaricação”.

Sobre o inquérito policial que investiga os militares no envolvimento de desvio de ferrosos, além de outros integrantes da SSP, Grubba disse que desconhece o teor do que foi apurado. Mas afirmou que o resultado da sindicância feita pela corregedoria da SSP, paralelamente ao inquérito policial, já está em seu gabinete.  “Vou ansalisar o resultado para depois eu me manifestar”, declarou.

Secretário e adjunto escolhem data para depor

Os delegados Alexandre de Carvalho e Rodrigo Green, que integram o inquérito sobre o desvio de peças, informaram que procuraram o Ministério Público para que as investigações não deixassem de ser apuradas por interferência política. “Liguei para a secretaria na presença de dois promotores e o coronel Fernando afirmou por telefone, no viva-voz, que a investigação era armação dos delegados para derrubar o secretário”, afirmou Gree.

O secretário adjunto, coronel Fernando de Menezes, informou que a retirada das peças do pátio da SSP foi feita pela empresa G-Truck, terceirizada pela Gerdau. “Nosso contrato era com a Gerdau, não temos influência sobre a empresa contratada”, esclareceu. Ele ainda alegou que a licitação previa o reaproveitamento de peças. “Saiu [do pátio] aquilo que foi avaliado”, completou.

O coronel Fernando, preside a Comissão de Gerenciamento do Complexo, e o secretário César Grubba foram informados por ofício sobre a necessidade de deporem na Deic. Como o secretário tem foro privilegiado, os dois deverão depor em data a ser escolhida por Grubba.

Divulgação/ND

Coronel Fernando de Menezes assinou auto de depósito por dois caminhões com meterial leiloado

Licitação: Processo previa retirada de material ferroso inservível, identificável, para ser triturado.

Inquérito: Polícia apurou que secretário adjunto sabia do desvio de peças, mas ignorou e deu continuidade no processo. 

Contratada: Gerdau suspendeu o contrato com a SSP ao saber das denúncias. Com a venda da sucata o Estado arrecadaria R$ 1,7 milhão.

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