Empresário devolve parte de carga de sucata levada em dezembro para Joinville

Sidney Martins reafirmou que material saiu de Florianópolis com autorização do coronel Fernando Menezes, adjunto da Segurança Pública

Marco Santiago/ND

Caminhão chegou escoltado ao depósito da SSP nesta sexta-feira

Parte da carga de motores e sucata retirada irregularmente em dezembro do ano passado, durante processo de leilão de materiais ferrosos e inservíveis, foi devolvida na tarde de sexta-feira ao pátio do Complexo Administrativo da SSP (Secretaria de Segurança Pública, no bairro Areias, São José. A devolução das peças foi acompanhada pelo empresário Sidney Martins, da G-Truck, que, ao ser reinquirido pelo delegado Rodrigo Green, apresentou documento reafirmando que os ferrosos foram levados a Joinville com autorização do tenente-coronel José Theodósio de Souza Júnior, exonerado da presidência da comissão de  leilões do Detran, e pelo coronel Fernando Menezes, secretário-adjunto da segurança.

O caminhão placa MEM-6342, alugado por R$ 1.000 à empresa Guindastes Cidade das Flores, chegou exatamente às 16h desta sexta, escoltado por Martins, um advogado e dois seguranças a bordo de reluzente Fiat Bravo, amarelo, MIW-0116, também de Joinville.

Nervoso, Sidney desceu rapidamente do carro, mas evitou a imprensa. Mais tarde, por telefone, disse que só voltará a falar em juízo, e desligou antes de responder se aceitaria acareação com os dois oficiais da Polícia Militar, como foi sugerido pelo delegado Alexandre Carvalho, que preside o inquérito dos ferrosos na Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais).

Segundo Carvalho, a devolução é importante porque as peças voltaram à tutela do Estado. “Voltaram ao lugar de onde não deveriam ter sido tiradas”, acrescentou Green.

Marco Santiago

Empresário Sidney Martins confirmou que cúpula da SSP autorizou retirada de material

Material chegou a ser avaliado em R$ 15 mil

Entre portas, parabrisas, baterias e capôs velhos, o caminhão carregava motores que chegaram a ser avaliados em R$ 15 mil. O material foi retirado a preço de sucata, e a polícia desconfia que seriam revendidos pelo ferro-velho de Rodrigo Nascimento, onde foram apreendidas pela Deic, em dezembro. Nascimento foi subcontratado por Sidney Martins, da G-Truck.

No início das investigações, Martins chegou a apresentar nota fiscal das peças, discriminadas como sucata, mas nunca deixou claro qual o destino daria aos produtos. “A consciência dele pesou. Quando viu que o golpe foi descoberto, decidiu devolver as peças”, declarou o delegado Alexandre Carvalho, da Deic.

A conclusão do inquérito ainda depende do depoimento do adjunto da SSP, coronel Fernando, que, segundo sua assessoria, deve quebrar o silêncio só na próxima semana, quando seu advogado voltará de viagem. Na sexta, os delegados Rodrigo Green e Alexandre Carvalho enviaram novo ofício, convocando o oficial a depor.  Não está descartado o indiciamento do adjunto, no mínimo por prevaricação.

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