Empresário joinvilense acusado de tentar matar mulher e abandonar filha está foragido

A mulher prestou depoimento para o delegado, que acredita em crime premeditado

A prisão preventiva do empresário joinvilense acusado de tentar matar uma mulher e abandonar a própria filha em frente a um comércio em Joinville no sábado (12) foi decretada e ele é considerado fugitivo. O crime começou em Rio Negrinho, na noite de sexta-feira (11) quando Antônio Carlos Gomes, dono de duas redes de motéis na maior cidade de Santa Catarina, depois de agredir a mãe de sua filha, a jogou de uma ponte com cerca de 20 metros de altura. O bebê foi abandonado por volta das 22h em frente um comércio no bairro Floresta e passou cerca de nove horas debaixo de uma marquise até ser encontrado por moradores.

Reprodução RICTV/ND

Em 2015, Antônio Carlos Gomes foi preso durante a Operação Bemol, da Polícia Federal, que investigava lavagem de dinheiro

:: Polícia Civil abre inquérito para investigar caso de bebê abandonado em Joinville

Divulgação/ND

Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que bebê é abandonada

Segundo o delegado que comanda o inquérito, Gustavo Muniz Siqueira, a mulher prestou depoimento ainda no sábado, em caráter emergencial, e voltou a falar com a polícia na segunda-feira (14), após ser liberada do hospital. Segundo o depoimento da vítima, em 2015 o empresário se separou da mulher e os dois tiveram um relacionamento que durou cerca de dois meses. Ela, que era funcionária de um dos estabelecimentos comerciais dele, engravidou. Ao descobrir a gravidez, Gomes comprou e deu um remédio abortivo com a intenção de evitar o nascimento da filha. Depois do nascimento, Gomes não tinha qualquer contato com a filha, apesar de colaborar financeiramente.

Dias antes do crime, o empresário teria ligado para a vítima, alegando que queria se aproximar da filha e propondo uma viagem com a mãe e o bebê para o Paraguai, terra natal da vítima e onde a avó materna da criança mora. A mulher aceitou, mas quando chegaram a Rio Negrinho, o homem entrou em uma via secundária e começou as agressões. Após parar o carro, ele tentou sufocar a vítima, que desmaiou e foi colocada no porta malas do carro. O empresário foi até a ponte sobre o Rio Batistela e foi ali que a mulher sofreu a tentativa de homicídio.

Vítima falou sobre a tentativa de homicídio para enfermeira

Para a enfermeira Tatiane Waltricki, a atendeu a mulher no sábado de manhã, a mulher contou que levou marteladas na cabeça, desmaiou e que nesse momento Gomes achou que ela estava morta. “Depois colocou ela no porta malas do carro com as mãos amarradas. Ela conseguiu desamarrar as mãos e, de repente, o carro parou e ela foi retirada do porta malas. Ele bateu com o rosto dela no parapeito da ponte, amarrou um objeto pesado no pé dela e a jogou da ponte”, detalha. A enfermeira conta ainda que a vítima chegou ao hospital por volta das 9h30 e estava com o rosto muito machucado.

Segundo uma testemunha que não quis ser identificada, e estava com um amigo pescando no rio naquela noite, o carro parou no local por volta das 20h30. “Eu ouvi uma voz calma dizer umas três vezes ‘Eu não sei nadar’. Nós estávamos indo embora porque estávamos com medo, quando escutei um barulho na água e em seguida um tiro”, conta. Os pescadores saíram do local e foram até a polícia que informou o Corpo de Bombeiros. As buscas começaram ainda na sexta-feira, sem sucesso. A vítima contou que viu as luzes, mas se escondeu na margem, em meio à mata porque pensava que poderia ser o agressor.

Os bombeiros retomaram as buscas na manhã de sábado, quando a encontraram e encaminharam ao hospital. Ainda segundo a enfermeira, a maior preocupação da mulher era com relação à filha, que havia sido levada por Gomes. Após os primeiros atendimentos e exames de tomografia, a vítima recebeu alta na segunda-feira.

 Delegado acredita em crime premeditado

Para o delegado Siqueira, o crime foi premeditado, porque além de o empresário ter a intenção de restabelecer o relacionamento conjugal anterior e ver na criança um empecilho, o local onde o crime ocorreu não é conhecido. “É muito difícil encontrar o local por acaso, possivelmente ele já havia estado no local para planejar o crime”, destaca. “Acreditamos que foi uma queima de arquivo para que a mulher não soubesse desse filho e desse relacionamento”, completa. O delegado espera que o empresário se apresente espontaneamente, mas as buscas ao foragido continuam para cumprir a prisão preventiva decretada.

Em 2015, Gomes foi preso e apresentado no Presídio Regional de Joinville durante a Operação Bemol, da Polícia Federal, que investigava lavagem de dinheiro.

Participe do grupo e receba as principais notícias
de Joinville e região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Segurança

Loading...