“Eu já derramei tanta lágrima”, lamenta mãe de mulher assassinada há um ano em Garopaba

Andreia Ruon foi encontrada morta em um quarto de hotel em Garopaba, há quase um ano; companheiro e principal suspeito do feminicídio continua foragido

“Ele fez muita coisa para minha filha, ele judiou muito ela”. A voz embargada e que chega a sumir aos poucos no meio de uma frase é da aposentada Luzia Ruon, mãe de Andreia Ruon, de 44 anos, assassinada no dia 15 dezembro de 2018 em Garopaba, no Sul do Estado.

Há quase um ano as perguntas continuam como grandes pontos de interrogação na vida da família de Guaramirim, no Norte catarinense, mas uma resposta a família já tem.

Para a mãe de Andreia, não há qualquer dúvida de que o companheiro da filha tenha torturado e a matado.

Luzia Ruon vive com angústia de ver o suspeito da morte da filha foragido – Foto: Alphonsus Stofelli/RICTVLuzia Ruon vive com angústia de ver o suspeito da morte da filha foragido – Foto: Alphonsus Stofelli/RICTV

Para a Polícia Civil, também não restam dúvidas de que o companheiro foi o autor do feminicídio. Ele teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido.

Andreia, que morava em Guaramirim à época, foi encontrada morta em um quarto de hotel no dia 16 de dezembro, um dia após ser assassinada. Ela tinha sinais de esganadura, estava com um cadarço de tênis preso ao pescoço, um travesseiro cobria o rosto e um lençol sobre o corpo.

Além disso, foram encontradas toalhas e camisas com sangue no quarto. Na ocasião, o delegado que assumiu o caso afirmou que ela foi asfixiada. Agora, o crime está sendo conduzido pelo delegado Rafael Rampinelli.

Os hóspedes do hotel acionaram a polícia após desconfiarem da movimentação no local. Os funcionários do hotel foram os últimos a ver o homem, por volta das 23h do dia 15 de dezembro.

A partir daquele final de semana, a vida da família nunca mais foi a mesma. Na verdade, a vida já não era a mesma desde que Andreia e o companheiro começaram o relacionamento, conta Luzia.

Mãe afirma que Andreia mantinha relacionamento por medo

Segundo ela, a filha era constantemente agredida pelo companheiro, que já tinha boletins de ocorrência registrados por violência doméstica. Porém, ela mantinha a relação por medo.

“Ela vivia com ele porque tinha medo e ele estava ameaçando os filhos. Dizia que se ela não ficasse com ele, mataria os filhos dela. Ele é perigoso. Esse cara não pode estar solto, ele precisa ser punido. Ele pode fazer a mesma coisa para outras pessoas”, conta.

As lembranças que ficaram é de uma Andreia alegre, que respeitava os pais e fazia de tudo para não preocupá-los, tanto que, segundo a mãe, escondia as agressões.

Andreia e o companheiro estavam juntos há cerca de 10 anos – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoAndreia e o companheiro estavam juntos há cerca de 10 anos – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

“Ela escondia muita coisa, ele batia nela e ela não falava nada, dizia que tinha caído, que tinha se arranhado, mas não contava nada pra mim, pra não me ver sofrer”, lamenta.

Já a ligação durante a madrugada do dia 17 de dezembro, Luzia preferia esquecer, mas não consegue. O telefone tocou à 1h da manhã. Essa hora ela não esquece assim como nada do que aconteceu depois daquela ligação.

“Nós achamos ela [Andreia] sem vida”. A frase dita pelo policial ecoa até hoje na cabeça da mãe.

“Ele levou ela lá pra longe, e a gente não conseguiu fazer nada. Já derramei tanta lágrima. Agora, eu só coloco na mão de Deus para que ele faça justiça. Se aqui na terra a polícia não conseguir, Deus vai fazer”, fala emocionada.

Filho desabafa: “Ele não fez só para a minha mãe, fez para toda a família. Ele acabou com muita coisa”

Camisas e lençóis com sangue e o corpo da mãe com marcas no pescoço. Foi assim que Tiago Rodrigues, 27 anos, viu Andreia pela última vez ao ter a dolorosa missão de reconhecer o corpo da mãe em Garopaba, após o assassinato.

Agora, quase um ano depois daquele momento que ficou marcado para sempre na memória, tudo que ele quer é que a justiça seja feita. Naquele momento, lembra Tiago, o sentimento foi o choque.

“Por mais que soubéssemos que era uma relação conturbada, não acreditávamos que ele faria o que fez. Até hoje, não conseguimos acreditar, foi um choque”, lembra.

Tiago teve a dolorosa missão de reconhecer o corpo da mãe – Foto: Alphonsus Stofelli/RICTVTiago teve a dolorosa missão de reconhecer o corpo da mãe – Foto: Alphonsus Stofelli/RICTV

Para o filho de Andreia, esses quase 12 meses são de angústia e tristeza por não ter justiça. “É muito triste passar um ano sem ter uma resposta, sem saber onde ele está, um cara que fez tudo o que ele fez”, lamenta.

Tiago conta, que desde a morte da mãe, a família vive em constante alerta, sem conseguir seguir a vida por não saber onde o suspeito está e se um dia será preso. Mesmo se um dia o suspeito for condenado, para a família a falta de Andreia nunca será superada.

“Ele não fez só para a minha mãe, fez para toda a família. Ele acabou com muita coisa. É triste, a gente sonha com ela e sonha com ele também, com o que ele fez”, diz.

A polícia segue procurando pelo companheiro de Andreia. Além dos policiais, Tiago também o procura em todo lugar.

“Eu viajo muito por causa do trabalho e em todo lugar que eu vou fico procurando por ele. Nós temos sede de justiça”, finaliza.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Segurança

Loading...