Falsos corretores de imóveis aplicam golpe em turistas que vêm a Florianópolis

Turistas são extorquidos com adiantamento de 50% do valor do imóvel

Falsos corretores de imóveis estão aproveitando a temporada para enganar turistas brasileiros e estrangeiros que procuram imóveis para alugar pela internet no litoral catarinense. Entre os dias 23 de dezembro e 5 de janeiro, 15 pessoas registraram ocorrência na 7ª DP de Canasvieiras.

Daniel Queiroz/ND

Delegado Fabrício Mann investiga os bancos onde os valores foram depositados

Segundo o delegado Fabrício Mann,  para fisgar a vítima, os estelionatários colocam em classificados online  a fotografia de uma casa bem apresentável com um valor de aluguel abaixo do preço de mercado.

 “O interessado entra em contato com o locador e começa a negociar a locação. O golpista encaminha por e-mail o contrato e exige um  adiantamento entre 30% e 50% sobre o valor total do imóvel em nome de uma terceira pessoa”, contou. O golpe somente é descoberto quando o inquilino chega à cidade para veranear.

 O presidente do Instituto Catarinense de Direito Digital, o advogado José Vitor Lopes e Silva, explicou que os sites onde estão veiculados os anúncios não se responsabilizam pelo  conteúdo, mas em compensação são obrigados a fornecer às vítimas todos os dados cadastrais e a conexão do responsável pelo anúncio.

 Uma das vítimas foi o professor universitário de Passo Fundo (RS) Marcos Antônio Júnior, 42, que há mais de 13 anos passa a temporada em Florianópolis.  Júnior sempre alugou imóveis diretamente com o dono ou com amigos que conheceu na Ilha. Porém, nesta temporada ele fez a reserva por meio dos classificados do site Vivalocal, que cobre o país inteiro.

Júnior disse que manteve diálogo por telefone por alguns dias com um “corretor” que se apresentou como Alexandre. “Ele mandou o contrato por e-mail, passou todas as informações do imóvel e pediu um adiantamento de 50%”, conta.  A intenção do professor era passar 10 dias em Canasvieiras com a mulher e os três filhos e pagou adiantado R$ 1.750.

 Após fazer uma transferência bancária pela internet na conta da suposta mulher de Alexandre, o professor ainda continuou mantendo contado telefônico com o  “corretor”. Próximo ao dia da viagem o professor telefonou para Alexandre, mas o telefone estava mudo. “Então percebi que havia caído num golpe. Já vim para Santa Catarina preparado”, relata. 

Vitimas devem acionar a Justiça

 A casa em que o falsário alugou para Marcos Antônio Júnior  era a administração de uma imobiliária. Júnior disse que enviou e-mail para o site reclamando do golpe, mas não obteve resposta. Para tentar ressarcir o valor, o presidente do Instituto Catarinense de Direito Digital, esclareceu que nestes casos a vítima tem que contratar um advogado. “O ressarcimento tem que ser feito por meio judicial”, explicou.

Na esfera criminal, de acordo com o delegado Fabrício Mann, o inquérito é instaurado na cidade onde foi feito o depósito bancário. Dos 15 casos registrados na 7ªDP, o policial está investigando os bancos onde os valores foram depositados. Nos boletins de ocorrência, não constam os números das agências. “Daqui para frente estou orientando os policiais a registrarem o número da conta e o da agência bancária aonde foi feito o crédito”.

Ainda de acordo com o policial, há vítimas que perderam mais de R$ 10 mil, como o argentino Augustin Pablo Bolano, que pretendia passar um mês com a família em Canasvieiras. “Ele fez um pagamento online referente a 50% do aluguel, de R$ 13,5 mil e quando chegou em Florianópolis no dia 5 de janeiro constatou que havia caído no golpe.

Fabrício lembrou que o golpe do falso corretor não é novidade. “Acontece em todos os verões, mas nesta temporada percebemos um aumento significativo”, disse.

Para evitar transtornos, o presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóvel de Santa Catarina) Carlos Beins, orienta a comunidade para que desconfie de ofertas que fogem dos padrões do mercado.  “Além disso, caso o ofertante se identifique como corretor de imóveis, o interessado deve pesquisar no site ou ligar para o Creci  se a pessoa realmente existe e é credenciada no conselho”.

Outra orientação, conforme Beins,  é para que não se façam depósitos adiantados, principalmente se o nome do titular da conta for diferente da pessoa com quem está negociando.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.

+

Segurança