Há 10 anos, acidente deixava 33 mineiros soterrados: repórter da NDTV relembra cobertura

Repórter da NDTV, Celito Esteves, viveu de perto o resgate dos trabalhadores no Chile, que teve repercussão mundial; ele conta detalhes da experiência

Há exatos 10 anos, no dia 5 de agosto de 2010, um acidente na mina de São José, no Chile, desmoronou e deixou 33 trabalhadores soterrados a 700 metros de profundidade. Os mineiros só deram sinal de vida 17 dias após o incidente.

A partir daí, criou-se uma comoção mundial no processo de resgate dos trabalhadores enquanto eles tentavam sobreviver sob um forte calor e escassez de comida e água potável.

Há dez anos atrás, no dia 5 de agosto de 2010, 33 mineiros foram soterrados em uma mina a 688 metros de profundidade, no Chile, em um dos piores acidentes de trabalho já registrados. Para o resgate dos trabalhadores foi necessário a perfuração de um poço, pelo qual inicialmente os trabalhadores recebiam água e mantimentos. Posteriormente ele foi alargado, o que possibilitou a retirada dos trabalhadores através de uma cápsula de mais de cinco metros. O primeiro trabalhador foi retirado no dia 12 de outubro, e o último dois dias depois. – Foto: Agência Brasil/Divulgação/ND

Os trabalhadores foram trazidos de volta à superfície no dia 13 de outubro de 2010, mais de dois meses após o acidente. Foram exatos 69 dias soterrados.

Repórter da NDTV narra cobertura

O repórter da NDTV, Celito Esteves, esteve no local e acompanhou o resgate de perto. Ele relembra a experiência em entrevista concedida ao nd+. “O resgate dos mineiros foi o trabalho mais marcante que já presenciei em 12 países em que fiz cobertura para telejornais”, afirma Celito.

“Eu estava em Quito, no Equador, gravando sobre uma tentativa de golpe de Estado, quando o telefone tocou, pedindo pra nossa equipe abortar a missão e mudar de rota: ‘vocês podem sair de Quito direto pro Chile? É que o resgate dos mineiros vai ser antecipado…’. E foi o que aconteceu. A operação delicada de trazer os 33 lá de baixo era para quatro meses e acabou em 2 meses e 10 dias.” conta o repórter.

O processo de resgate dos mineiros teve repercussão mundial, foi transmitida ao vivo pelas redes de televisão e contou com uma audiência digna de Copa de Mundo.

O repórter Celito Esteves relata que chegou a acampar no local para não perder o acontecimento. “Partindo de Quito, desembarcamos em Antofagasta, a 530 quilômetros da mina São José. Viajamos de carro por 7h, e ficamos a espera do grande momento, o que poderia ser uma semana, mês, ou mais”, relembra.

“O que tinha no ar era uma expectativa. Podíamos ter escolhido hospedagem na cidade de Copiapó, a mais próxima do deserto do Atacama, mas preferimos comprar barraca e sacos de dormir para ficar lá no alto da mina para não correr o risco de perder passo-a-passo do resgate”, descreve Celito.

Todo o esforço foi recompensado, de acordo com o repórter. “Valeu muito. Dia e noite ali, convivendo com os familiares dos mineiros, vivemos momentos emocionantes”.

História que virou filme

Os 33 mineiros foram resgatados um por um, por meio de uma cápsula denominada “Fênix”, que foi projetada pela Nasa. A história chegou a virar filme. A produção Hollywoodiana protagonizada por Antonio Banderas e Rodrigo Santoro chamada “Os 33” foi lançada em 2015.

Para Celito Esteves, a experiência teve uma particularidade especial: ele comemorou seu aniversário durante o resgate. “Foi marcante demais pra mim por conta de uma curiosidade: passei meu aniversário, 12 de outubro, lá no deserto, e foi exatamente na noite do dia 12 que a cápsula desceu 700 metros para resgatar o primeiro mineiro”.

A ação de resgate teve fim no dia 14 de outubro de 2010. Todos os 33 mineiros conseguiram voltar a superfície com vida.

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