Joinville ganha investimentos na área de segurança, mas ainda há muito para ser feito

Desde junho de 2011 cidade ganhou 3 delegacias, reforma no presídio, nova ala na penitenciária e sede própria de batalhão da PM

Luciano Moraes/ND

Capacidade do presídio (ao fundo) e da penitenciária, foram ampliadas

Entre junho de 2011 e o mês passado o governo estadual concluiu uma série de investimentos na área de segurança pública em Joinville. Foram inauguradas três delegacias – nos bairros Vila Nova, Morro do Meio e Itinga; uma ala do regime semi-aberto da Penitenciária Industrial e a sede do 17o Batalhão de Polícia Militar. O Presídio Regional de Joinville passou por reforma após registrar oito fugas e 17 tentativas no ano passado. Foram instaladas 58 câmeras de segurança ao redor da unidade e grades nos pátios dos Pavilhões 4 e 5, de onde a maioria dos presos fugiu. A crise no setor em Joinville foi amenizada, mas ainda há muito a fazer.
No Presídio de Joinville, um dos mais graves problemas é a superlotação. Atualmente a unidade  abriga 1.040 detentos, mas tem capacidade para no máximo 650. O diretor Cristiano Teixeira da Silva lembra que quando chegou à unidade para trabalhar como chefe de segurança, em 2008, havia em torno de 755 detentos encarcerados no complexo. Desde 2009 o presídio passou por duas reformas de ampliação, cada uma custou mais de R$ 3,7 milhões. Foram criadas mais 352 vagas, só que a população carcerária continuou a crescer.
Para amenizar a situação na unidade foram contratados 20 vigilantes terceirizados para reforçar a equipe de 15 agentes prisionais. Esta mudança aconteceu depois de um período de pouco mais de 30 dias de intervenção do Deap (Departamento de Administração Prisional) que encerrou com a nomeação de Cristiano Teixeira da Silva como diretor, 11o a assumir a unidade desde novembro de 2006. “Para as questões das fugas as reformas foram suficientes, mas no geral bastante coisa ainda precisa ser revista. A sala de entrada, onde acontece a recepção das visitas, e o parlatório precisam passar por reformas”.
“Não adianta só reprimir, precisa prevenir. O presídio não oferece educação, nada para que o preso possa se ocupar. A reincidência é grande, tem que haver uma política de prevenção. O caminho é investir também na questão social”, diz Cristiano. 

Presídio e penitenciária

Para amenizar a falta de vagas no sistema prisional joinvilense o governo estadual inaugurou, em 13 de março deste ano, a nova ala do regime semi-aberto da PIJ (Penitenciária Industrial de Joinville). O prédio custou R$ 1,2 milhão e tem capacidade para abrigar 176 detentos. De acordo com o diretor da unidade, Richard Harrison Chagas, 53 presos da penitenciária que cumprem sentença no semi-aberto – podem sair da unidade durante o dia para trabalhar e devem retornar à noite –, já foram transferidos para nova ala.
A nova ala representou um alívio para o Presídio Regional de Joinville, pois 53 presos alojados na unidade, que já estão condenados e cumprem pena em regime fechado, foram transferidos para a PIJ. A expectativa é que pelo menos outros 50 sejam remanejados conforme as vagas na nova ala sejam preenchidas.
O diretor da penitenciária atribuí o aumento da população carcerária a dois fatores principais: policiamento e falta de oportunidades para reintegração dos detentos. “Hoje na penitenciária 73% dos presos tem apenas ensino fundamental incompleto. Eles saem daqui e tem dificuldades para arrumar um serviço”, diz.

Polícia Civil

Desde junho de 2011, quando foram inauguradas três unidades, Joinville conta com sete delegacias de bairro – Itaum, Morro do Meio, Vila Nova, Pirabeiraba, Costa e Silva, Aventureiro e Itinga- e duas especializadas, a de Proteção à Mulher e de Trânsito. Além disso, há a Central de Polícia, responsável pelo atendimento dos casos de flagrante e que também abriga o DIC (Divisão de Investigação Criminal). Mas a Polícia Civi reconhece que precisa de mais efetivo e equipamentos, “Temos a intenção de criar uma delegacia na área central, precisamos comprar coletes balísticos, aumentar entre 30% a 40% o efetivo policial e reformar a estrutura física”, resume o delegado regional Dirceu Silveira Júnior.

Polícia Militar

Criado em 2008, o 17o Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento na zona Sul de Joinville, ganhou sede própria no dia 19 de março deste ano. O prédio, de 674 metros quadrados, custou R$ 580 mil ao governo estadual e está localizado na rua Arlindo Pereira Macedo, bairro Petrópolis. A corporação conta com 250 policiais militares para atender 18 bairros e a aproximadamente 250 mil habitantes.
“O batalhão precisa principalmente de reposição no efetivo e de viaturas, temos uma defasagem nestes dois pontos”, revela o tenente-coronel Adílson Michelli, comandante do 17° BPM. Conforme o oficial, seria necessário que a corporação recebesse pelo menos mais 20 viaturas e o reforço de cem policiais. Apesar do déficit, Michelli ressalta que as últimas operações realizadas pelo 17° BPM vêm surtindo resultados positivos na queda dos índices de criminalidade na zona Sul.
“Se você analisar nunca prendemos tanta gente quanto nos último meses. Se tem bandido na rua não é por causa da polícia, mas por causa das nossa legislação que é muito branda”.

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