Mulher é perseguida após reagir a assédio em Blumenau

Ela estava correndo quando foi abordada pelo motorista; caso ocorreu em Blumenau

A advogada Monica Matsuo, de 41 anos, viveu uma experiência de horror no início deste sábado (4) em Blumenau, no Vale do Itajaí. Durante a corrida que costuma fazer todas as manhãs, por volta das 06h30, foi abordada por um motorista. Ao reagir ao assédio, foi perseguida e quase agredida pelo homem, que portava um cassetete. A vítima fez um Boletim de Ocorrência, mas o agressor foi liberado pela polícia.

Localidade onde ocorreu a perseguição, na rua Antonio da Veiga, em Blumenau – Foto: Internet/Redação NDLocalidade onde ocorreu a perseguição, na rua Antonio da Veiga, em Blumenau – Foto: Internet/Redação ND

Segundo Monica, ela estava correndo na rua São Paulo, na esquina próxima à empresa Sênior Sistemas, quando percebeu a aproximação de um veículo Onix branco. “Ele parou o carro e abaixou os vidros das janelas para “mexer” comigo”, conta.

Ela reagiu ao assédio. “Eu respondi à altura, disse – ah, vai se catar”. Contrariado, o agressor passou a perseguir a mulher. Ela seguiu correndo em direção ao Giassi Supermercados, acessando a rua Antônio da Veiga.

Enquanto isso, o motorista deu a volta e encontrou ela novamente, quando parou o carro e desceu proferindo xingamentos à mulher. Ele ainda retornou ao carro e voltou portando um cassetete.

Na altura de um ponto de ônibus, localizado em frente à Universidade Regional de Blumenau (Furb), um rapaz se mobilizou para ajudar Monica. Segundo a vítima, o rapaz tentou parar o homem, que partiu para cima do jovem. Assim, os dois (Monica e o jovem) passaram a correr para buscar ajuda.

Local onde fica o ponto de ônibus onde um jovem passou a ajudar a vítima; o motorista já tinha parado o carro e portava um cacetete – Foto: Reprodução/InternetLocal onde fica o ponto de ônibus onde um jovem passou a ajudar a vítima; o motorista já tinha parado o carro e portava um cacetete – Foto: Reprodução/Internet

Em determinado momento o jovem achou uma garrafa de vidro na rua, e segundo a vítima os dois começaram uma luta. Foi aí que Monica chamou a polícia e seus familiares.

O abusador estava no local quando a Polícia Militar chegou. Monica conta que mesmo com os policiais no local, o agressor continuava a gesticular. “Ele me olhava com cara de ódio”, relata. Monica fez um Boletim de Ocorrência, e a polícia liberou o agressor. Uma audiência foi marcada para março de 2022.

Boletim de Ocorrência registrado por Monica Mitsuo – Foto: Divulgação/Redação NDBoletim de Ocorrência registrado por Monica Mitsuo – Foto: Divulgação/Redação ND

“Ontem eu saí para fazer a unha, e eu olhava para todo carro branco”

Depois do ocorrido, Monica diz que seu marido e filho estão revoltados, e que a situação deixou a família como um todo muito instável. Além disso, existe o receio de sair novamente. Mesmo se dizendo forte e determinada a processar o agressor, a vítima tem lidado com o medo pós-traumático.

“Ontem eu fui fazer a unha, e enquanto caminhava eu olhava para todos os carros brancos que estavam passando”, diz.

A advogada ainda conta que ficou assustada porque muitas pessoas não pararam para ajudar durante a situação. Conta que gritou por ajuda, mas que muitos não deram atenção ao que ocorria, apenas o jovem. O ocorrido fez com que Monica, como advogada, olhasse de forma diferente para as causas femininas.

“Por isso que as mulheres têm tanto medo. Porque o vizinho da frente vê e fecha a porta”, fala.

A vítima também conta que desde o incidente outras mulheres têm manifestado nas redes sociais terem sofrido algum tipo de abuso do agressor. Isso deixa mais forte a determinação de Monica de processar o homem.

“Imagina se tivesse sido uma menina que não sabe como reagir? Se defender?”, questiona.

O jovem que ajudou Monica a fugir gravou um vídeo exclusivo para a reportagem do Balanço Geral relatando o que aconteceu; assista.

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