“Não é cultura, é covardia”: juíza apela contra a farra do boi em SC

Juíza Rosana Navega Chagas, do TJRJ, gravou vídeo em apelo aos municípios e governo do Estado contra a prática no litoral catarinense

Em vídeo divulgado neste sábado (3), a juíza do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) Rosana Navega Chagas fez um apelo pedindo maior fiscalização do Governo do Estado de Santa Catarina e municípios da Grande Florianópolis para combater a farra do boi.

Vale ressaltar que quatro ocorrências já foram registradas em Santa Catarina desde o dia 22 de fevereiro, quando começou a Operação Quaresma.

Farra do boi é considerada crime desde 1998 – Foto: Divulgação/RIC Mais SCFarra do boi é considerada crime desde 1998 – Foto: Divulgação/RIC Mais SC

No vídeo publicado no perfil “Brasil Contra a Farra“, no Instagram, a juíza falou que recebeu uma denúncia anônima citando cidades de Santa Catarina onde poderiam ocorrer a farra do boi. Entre elas estão Florianópolis, Bombinhas, Tijucas, Itapema, Porto Belo e Governador Celso Ramos.

“É uma vergonha essa brincadeira que chamam de cultura que os açorianos trouxeram para o Brasil. Vamos respeitar a natureza. Isso não é cultura, é covardia e crueldade”, disse a magistrada.

A governadora Daniela Reinehr foi procurada e, por meio da assessoria, informou que a Segurança Pública e as Polícias Militar e Civil já estão adotando ações para o período.

Menos registros em 2021

Segundo a PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), quatro ocorrências foram confirmadas durante a Operação Quaresma. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma diminuição de 11 registros.

Registro de ocorrências contra a Farra do Boi em SCPolícia Militar registrou menos casos do que no mesmo período de 2020 – Foto: PMSC/Divulgação/ND

Dos quatro casos registrados, dois foram em Florianópolis. O primeiro no bairro do Rio Tavares e outro na região do Porto da Lagoa. A Prefeitura da Capital foi procurada pelo ND+, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

A Prefeitura de Itapema, no Litoral Norte, informou que fiscalizações estão sendo realizadas pela PMSC e em conjunto com o GOR (Grupo de Operações e Resgates), responsável por resgatar os animais. O município ainda não registrou casos este ano.

Já a comunicação da Prefeitura de Porto Belo, onde um boi foi resgatado, disse que a PMSC vem fazendo a fiscalização e que o projeto do GOR trabalha com a conscientização e educação ambiental junto às crianças do município durante o ano.

“É um trabalho que fazemos, principalmente em Araçá, onde acreditamos que conscientizar as crianças pode resultar positivamente no futuro”, esclareceu a comunicação de Porto Belo, município localizado no Litoral Norte.

A prefeitura de Bombinhas, no Litoral Norte, onde também foi registrada uma ocorrência, foi procurada pela reportagem, mas não retornou até a publicação da reportagem.

Oito pessoas indiciadas pelo crime

Assim como o ND+ divulgou, a Polícia Civil de Santa Catarina descobriu uma grande associação criminosa responsável por organizar farras do boi, em Bombinhas.

As investigações iniciaram há cerca de um ano. De acordo com o delegado Ricardo Melo, os organizadores tinham um grupo de WhatsApp onde faziam todas as negociações.

O delegado revelou ao ND+ que o inquérito foi finalizado na última quinta-feira (1°) e oito pessoas foram indiciadas pelo crime.

“Três dos indiciados faziam parte do núcleo da associação criminosa. Um morador de Tijucas era responsável por fornecer os bois. Outro, de São José, ficava com o transporte e o terceiro era o organizador em Bombinhas. Outros três foram por participar ou financiar”, explicou o delegado Ricardo Melo.

Crime desde 1998, a lei federal prevê pena de, no máximo, três anos de prisão. Além disso, prevê multas de até R$ 10 mil.

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