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O Dilema das Redes: brasileiro se sente “confortável” em trocar dados por benefícios

O Dilema das Redes: brasileiro se sente “confortável” em trocar dados por benefícios - Divulgação / Netflix

O Dilema das Redes: brasileiro se sente “confortável” em trocar dados por benefícios - Divulgação / Netflix

O documentário O Dilema das Redes, lançado na última semana pela Netflix, traz um alerta sobre como as redes sociais utilizam dados de usuários para criar um sistema de manipulação e lucro para as empresas.

A produção norte-americana – que traz relatos de ex-executivos de companhias como Facebook, Google, Twitter e Youtube – encerra com uma mensagem perturbadora. Os próprios engenheiros que ajudaram a impulsionar as gigantes do Vale do Silício, agora, sugerem que as pessoas deixem de fomentar as máquinas com informações privadas.

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Mas será que, para garantir mais privacidade, os brasileiros estariam dispostos a abrir mão dos benefícios que as ferramentas digitais oferecem? Um estudo realizado neste ano pela empresa de segurança Kaspersky mostra que a maioria se sente confortável em compartilhar dados para conseguir vantagens.

De acordo com o levantamento, 80% dos brasileiros aceitariam expor seus perfis em redes sociais para encontrar amigos de longa data. Já 70% o fariam sem problemas se o propósito for obter descontos em compras online.

A maioria também diz não se importar com a devassa à sua privacidade desde que, em troca, ganhe experiências exclusivas (65%), garanta um bom imóvel para alugar (55%), tenha um monitoramento de segurança em viagens (50%) ou no cartão de crédito (44%), ou ainda obtenha um visto para outro país (49%). Mais de um terço (37%) estaria satisfeito caso um governo rastreasse atividades nas mídias sociais para manter os cidadãos seguros.

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Os resultados constam na pesquisa global Créditos sociais e segurança: adotando o mundo das avaliações. O estudo da Kaspersky visa entender a percepção das pessoas sobre as avaliações sociais e se elas estão preparadas para participar destes sistemas.

A pesquisa foi feita em parceria com a consultoria Toluna, entre janeiro e fevereiro de 2020, e escutou 10.500 consumidores em mais de 20 países: Austrália, Áustria, Argentina, Brasil, Chile, China, Colômbia, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Peru, Portugal, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Suíça, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnã.

A amostra de cada país foi formada por adultos com 17 anos ou mais com cotas representativas nacionalmente definidas para sexo, idade e região. Todos os entrevistados precisavam ter acesso à internet para participar da pesquisa.

Créditos Sociais
Incialmente usados por instituições financeiras e lojas online para auxiliar na tomada de decisão na aprovação de uma transação ou compra virtual, os sistemas de créditos sociais (ou social rating) tiveram uma grande expansão e passaram a ser aplicados em distintas áreas.

Esses sistemas trabalham com algoritmos automatizados que se baseiam no comportamento e na influência dos usuários na internet. Por exemplo, para combater a pandemia da Covid-19, muitos governos ao redor do mundo o implementaram para acompanhar a movimentação urbana de pessoas, sua capacidade de comprar mercadorias ou o acesso delas a serviços sociais.

Porém, uma análise da mesma Kaspersky sobre a segurança dos sistemas de social rating mostrou que esses programas podem ser especialmente vulneráveis à manipulação artificial, como reduzir a pontuação de alguém para diversos fins.

Além disso, como qualquer outro sistema, eles estão suscetíveis a diferentes tipos de ataque, seja na implementação técnica e de programação, seja na mecânica do sistema. O último poderia levar ao surgimento de um novo tipo de mercado clandestino, em que as pontuações dos usuários seriam convertidas em dinheiro real e vice-versa.

De acordo com a pesquisa da Kaspersky, 61% dos consumidores brasileiros não sabem (11%) ou nunca ouviram falar (50%) dos sistemas de social rating. Apesar desses sistemas já serem bastante usados e estarem cada vez mais conhecidos, os consumidores não sabem muito bem sobre sua operação e a eficiência com que eles estão sendo implementados.