Oficial afastado da comissão do Detran após desvio de motores circulava em Palio com placas frias

Débora Klempous/ND

Documentação apresentada pelo delegado Renato Hendges mostra favorecimento a filho do tenente coronel José Theodósio de Souza Junior

Além de ser investigado no escândalo de desvio de motores do Complexo Administrativo da SSP, em São José, onde ficam depositados carros apreendidos e sucatas, o tenente-coronel José Theodósio de Souza Junior, da Polícia Militar, também teria praticado outros desvios de conduta incompatíveis com a função. Na época, em 2010, ele era presidente da Comissão Permanente de Leilões do Detran.

De acordo com o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina, Renato Hendges, o oficial teria mandado o próprio filho, Rodrigo Nolasco  de Souza, participar de um leilão de veículos em Joinville.  “O jovem arrematou um Palio, ano 1996, por R$ 4 mil. Porém, quem usava o carro era o próprio oficial”, acusou o delegado.  O arremate do veículo ocorreu em 2010.

Ainda de acordo com Renato Hendges, o veículo trafegava em Florianópolis com placas frias. Um funcionário do Detran, que avistou o veículo estacionado na frente do órgão, trancou a saída do carro, atravessando uma viatura na frente para impedir que o motorista saísse do local, mas foi punido pelo oficial.

A denúncia foi a ar na RICTV Record, em reportagem de Nader Kalil, no Jornal Meio Dia. No início da tarde, a SSP informou em nota oficial que o secretário César Grubba determinou ao diretor geral do Detran, Vanderlei Rosso, o envio imediato de relatório sobre a nova denúncia contra o ex-presidente da Comissão de Leilões.

Adepol ironiza investigação da SSP

O presidente da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia), Renato Hendges, ironizou o resultado da sindicância investigativa da SSP que dissolveu a Comissão Permanente de Leilões do Detran, por fraude na retirada de sucatas e motores do pátio do complexo administrativo, em Barreiros.“Estamos revivendo a era do Pinóquio”, disse, referindo-se à personagem criada pelo italiano Carlo Collodi, que relaciona mentiras com o crescimento do nariz do bonequinho de madeira.

Hendges diz não entender o fato de um agente público denunciar uma irregularidade e ser exonerado da função. Ele se refere ao gerente do complexo administrativo, Jorge Luiz Klöppel. “Antes de o caso ganhar repercussão, deram férias para ele, substituindo-o na gerência por Juliano Zytkuenwisz”, alfinetou. Apesar da documentação apresentada pelo presidente da Adepol, o secretário César Grubba desmente a exoneração de Kloppel. “Ele está em férias, nada mais”, disse. O retorno é previsto para 15 de maio.

Parecer libera apenas peças para trituração

No parecer da Procuradoria Geral do Estado, liberando as peças a serem trituradas, o procurador Eduardo Zanatta Brandeburgo explicou que apenas emitiu parecer jurídico, respondendo a perguntas do secretário César Grubba:  “Se sucatas e peças inservíveis poderiam ser levadas pela empresa que ganhou a licitação. E se a Gerdau, vencedora da licitação, poderia terceirizar uma empresa para transportar,  descontaminar e triturar as peças antes de processar a vendas”. Os dois questionamentos foram aprovados.

A sindicância instaurada pela SSP, que culminou com a dissolução da Comissão Permanente do Detran, considerou irregular a retirada dos motores apreendidos pela Deic e que estavam no complexo administrativo. As peças inteiras foram levados misturados com a carga de sucatas. De acordo com o controle de entrada no pátio do complexo, Sidney Martins, da G-Truck, e Theodósio foram várias vezes ao pátio do complexo, para escolha dos motores desviados.

Sindicância sem presença do corregedor-geral é questionada

A Adepol questiona a sindicância, que não teve participação do corregedor-geral da SSP, delegado Ricardo Feijó. Ele não participou desta investigação. Segundo Hendges, Grubba foi avisado imediatamente após os delegados constatarem que motores de caminhões retirados irregularmente do pátio da SSP estavam no ferro-velho Nascimento em Joinville.

Um dos delegados que investiga o caso na Deic, Ronaldo Green, estranhou o fato de o secretário adjunto, Fernando Rodrigo de Menezes, ter insinuado que as peças “teriam sido plantadas” no ferro-velho de Joinville. No dia seguinte, acrescentou Hendges, dois promotores estiveram na Deic e constataram a veracidade da denúncia, documentada por fotografias e imagens de vídeo.

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