PM ocupa Monte Cristo e Chico Mendes, em Florianópolis

Segundo moradores, presença dos policias traz segurança, mas não resolve os problemas

Deivid Ioung, 25, sonha com um futuro melhor para Benjamin, que promete nascer em dezembro. Morador do bairro Monte Cristo, o jovem que trabalha em uma lanchonete presenciou a ocupação pelas tropas do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na noite de terça-feira com certo ceticismo. “A polícia dá uma tranquilizada, mas sabemos que os problemas da comunidade são maiores. Falta tudo. Desde lugar pra gurizada brincar até médico no posto de saúde. Vou ser pai agora quero criar meu filho aqui”, desabafou na noite desta quarta-feira (5), a segunda desde a nova fase da operação.

Marco Santiago/ND

Cavalaria da PM reforça patrulhamento no Monte Cristo e Chico Mendes

No dia 30 de julho, a Polícia Militar deflagrou a segunda edição da Operação Ordem e Progresso, que resultou na apreensão de três pistolas 9mm, uma delas com um carregador modificado, para dar mais potência à arma, uma pistola calibre .380, duas balanças, 3,2 quilos de maconha, 22 munições de calibre 12 e uma réplica de metralhadora.

A partir dessa terça, o comando da operação passou para o Bope (Batalhão de Operações Especiais), que ocupará o bairro e a comunidade Chico Mendes por tempo indeterminado. Além da ocupação da polícia, diversos comércios também foram fechados por falta de alvará pela Polícia Civil.

Segundo o major André Luis Binder, comandante do Bope, o objetivo “é combater o tráfico de drogas e as rixas entre gangues”. Os policiais estão espalhados por pontos estratégicos da comunidade.

A ocupação gera curiosidade e incertezas nos moradores, que dizem não ter a rotina alterada por causa da presença policial. “Na verdade, o que rola é uma briga do tráfico, que não tem nada a ver com a comunidade”, afirmou um morador que pediu pra não ser identificado.

Na opinião de Deivid, a falta de referências transformou a região no que é. “Se tu fala que mora no Monte Cristo o pessoal já olha com preconceito, mas eu pretendo ficar aqui, criar meu filho aqui e espero que as coisas melhorem”, disse.

“Os políticos só aparecem aqui em época de eleição. A Escola Américo Dutra Machado é mais conhecida como ‘Vai quem quer’. O campinho que tem aqui perto foi a comunidade quem fez”, contou.

O comandante do 22º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Marcos Barreto Valença, falou em “reorganização social”. Segundo ele, o Bope vai fazer um trabalho de saturação com apoio da Companhia de Policiamento com Cães e da Cavalaria.

“A territorialidade do Monte Cristo agora está com o Bope por tempo indeterminado até que possa ser repassado para o policiamento ordinário novamente”, afirmou Valença.

As disputas pelos pontos de venda de droga na região teriam desencadeado uma disputa entre gangues rivais. O que tem provocado seguidas trocas de tiros.

Na semana passada, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão. Nos locais onde foram encontradas as armas e drogas, nove pessoas foram autuadas em flagrante. 

Segundo o Bope, desde a ocupação nenhuma ocorrência foi registrada. No entanto, moradores relataram que durante a noite de terça se ouviu tiros. Mais cedo, durante o dia, uma pessoa foi baleada.

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