Acusada de matar grávida em Canelinha era “divertida, alegre e brincalhona”

Psicóloga da Polícia Civil avalia que crime brutal pode ter sido cometido por surto psicótico ou psicopatia; investigações continuam em andamento

Uma fonte ligada à suspeita do assassinato da grávida em Canelinha, no Vale do Rio Tijucas, falou com exclusividade à reportagem do nd+ nesta terça-feira (1º). Segundo a mulher, que pediu para não ser identificada, a acusada, de 26 anos, nunca teve comportamentos “fora do normal”. Ela diz que a suspeita sempre foi “divertida, alegre, brincalhona”.

Conforme Maíra Marchi Gomes, psicóloga da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) de São José, a motivação do crime pode ter sido influenciada por vários fatores externos. Entre eles a pressão da sociedade para uma mulher se tornar mãe, e até uma possível violência que ela possa ter sofrido ou presenciado.

Vítima foi achada em uma cerâmica abandonada – Foto: Natália Minich/VipSocial

“É um caso grave com múltiplos fatores. Pode ter sido um surto psicótico, em que no momento do crime, ela perde o controle mental. Ou crime de perversão mesmo, a chamada psicopatia”, explica a psicóloga.

A avaliação de um possível surto psicótico pode ser solicitada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), pelo juiz do caso ou pela Polícia Civil, que investiga o caso. Essa análise pode ajudar na resolução do crime.

Segundo a fonte ligada à suspeita, ela estava casada há cinco anos. De acordo com as investigações preliminares, a acusada havia engravidado em outubro e sofrido um aborto em janeiro.

Em entrevista coletiva, a Polícia Civil de Tijucas, que investiga o caso, disse que ela havia escondido da família a perda do bebê, e passou a procurar por grávidas na região, chegando a aliciar outras mulheres em Canelinha.

A acusada confessou e afirmou, em depoimento, que agiu sozinha, sem o conhecimento do marido. Ela e o homem foram presos em flagrante. Os dois serão acusados de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e lesão corporal grave contra o bebê.

O homem negou ter participado do crime, mas, segundo o delegado, a dinâmica do crime “faz ter suspeitas de sua efetiva participação”.

A reportagem do nd+ não identificou os suspeitos até o momento pois não havia defesa constituída. O nome da vítima também não foi divulgado para preservar a identidade da criança, conforme preconiza o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Relembre o caso

O crime aconteceu em uma cerâmica abandonada no bairro Galera, no município de Canelinha. A vítima havia desaparecido no último dia 27, depois de sair para um chá de bebê surpresa. O corpo da grávida foi encontrado na manhã de sexta-feira (28), sem o bebê.

Segundo a polícia, a vítima sofreu um golpe de tijolo na cabeça. De acordo com o laudo do IML (Instituto Médico Legal), ela morreu devido a uma hemorragia, causada pelo corte feito na barriga para retirar o bebê.

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