Adolescente que confessou homicídio de policial militar é condenado em Joinville

Jovem de 16 anos recebeu pena de três anos de internação. O PM Alexandre Mauro Padilha morreu dez dias após ser baleado pelas costas em um bar no bairro Adhemar Garcia

Divulgação/ND

De acordo com o laudo pericial de exame cadavérico, os disparos que causaram a morte de Padilha ocorreram a uma distância de mais de 80 cm e atingiram a região posterior da cabeça e pescoço, causando grave lesão cerebral

O adolescente de 16 anos que confessou ter efetuado os disparos que causaram a morte do policial Alexandre Mauro Padilha, 41 anos, em dezembro de 2015, foi condenado, no dia 21 de janeiro, a três anos de internação. A sentença foi expedida pelo juiz Márcio Renê da Rocha, da Vara da Infância e Juventude, de Joinville.

Ele já estava internado no Casep (Centro de Internação Socioeducativo Provisório) e, segundo a sentença expedida em janeiro, o juiz solicitou que a internação seja mantida pelo prazo máximo de três anos, com avaliações semestrais.

Apesar da tese de defesa alegar que o adolescente teria agido “sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima”, o juiz não acatou o argumento alegando que “a reação do adolescente foi exagerada e inconsequente”. Segundo o magistrado, “a internação é a mais adequada, até porque medida mais branda se mostraria insuficiente e não teria o necessário caráter pedagógico de reeducação”.

A ação movida pelo Ministério Público em 16 de dezembro de 2015 contou, além da confissão e depoimento do adolescente, com o depoimento de um cabo da reserva da Polícia Militar. A testemunha, ouvida na investigação e em juízo, afirmou ter estado no local do crime – um bar no bairro Adhemar Garcia – momentos antes dos disparos efetuados pelo adolescente. De acordo com seu testemunho, ele se dirigiu ao bar, que fica próximo a sua residência, cerca de 20 minutos antes dos disparos, por volta das 2h40, para comprar bebidas.

Na chegada avistou Padilha e quando saiu, passou pela vítima, que estava abordando um adolescente. Ao chegar em casa, ouviu os disparos e viu uma viatura ir até o bar. Ao voltar ao local, Padilha já estava caído e agonizava. Segundo a testemunha, que conhecia Padilha, o policial tinha um temperamento forte e era esquentado. Ele ressaltou ainda que, em serviço, Padilha era um ótimo policial.

A versão da abordagem ao adolescente foi confirmada por ele próprio, que confessou, três dias após o crime, ter disparado contra Padilha. Segundo ele, o policial estava embriagado e havia jogado um copo de bebida no rosto de um primo.

Os dois já se conheciam, e, de acordo com ele, o policial sempre o abordava, inclusive quando estava de folga. O adolescente afirmou ainda, que após a confusão com o primo, tentou sair do bar, pois estava portando uma arma e ficou com receio de ser abordado. Padilha o abordou, mas não revistou. Assim que terminou a abordagem e guardou a arma que teria apontado ao adolescente, o jovem sacou a arma e disparou três vezes contra o policial, fugindo em seguida levando a arma de Padilha. Na fuga, perdeu a arma que utilizou no crime.

Segundo o adolescente, o crime foi motivado por ressentimento, pois sempre era abordado e humilhado. Ele afirmou não fazer parte de nenhuma facção criminosa.

Com 16 anos, o adolescente já possuía antes do crime, passagens policiais por receptação e porte de arma. De acordo com o laudo pericial de exame cadavérico, os disparos que causaram a morte de Padilha ocorreram a uma distância de mais de 80 cm e atingiram a região posterior da cabeça e pescoço, causando grave lesão cerebral. A família e o advogado do adolescente não quiseram se pronunciar.

Um dia após o policial ser baleado, sete mortes foram registradas em menos de três horas na mesma região da cidade.

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