“Agora meus filhos estão sem pai”, diz esposa de atropelado por viatura da PM em Joinville

Homem morreu após uma viatura da Polícia Militar capotar e atingir três pessoas na zona Sul de Joinville

“Ainda não caiu a ficha. Está doendo muito, demais. Agora meus filhos estão sem pai”. Em lágrimas, a doméstica Jane Mary resume o seu sentimento desde a noite de quarta-feira (17), quando o marido foi atropelado por uma viatura da Polícia Militar na zona Sul de Joinville.

Jane Mary diz que vai buscar justiça para o marido atropelado por uma viatura da PM – Foto: Jonathan Rocha/NDTVJane Mary diz que vai buscar justiça para o marido atropelado por uma viatura da PM – Foto: Jonathan Rocha/NDTV

Ela conta que já estava deitada quando a família começou a escutar tiros e uma movimentação atípica na rua onde mora, no bairro Itaum. Curiosos, eles acabaram indo até o pátio da casa para ver do que se tratava. “Foi quando veio o carro e eu não vi mais nada”, relembra Jane, que acabou desmaiando.

O carro em questão era uma viatura da PM que vinha dar apoio a policiais que haviam participado de uma perseguição policial iniciada no bairro Fátima. Segundo a polícia, o motorista foi surpreendido por uma fila de veículos, o que fez com que perdesse o controle e capotasse o carro, atingindo três pessoas, entre elas, Fábio Ferreira, que morreu no local.

Viatura capotou e atingiu pessoas que estavam no pátio da casa – Foto: Ricardo Alves/NDTVViatura capotou e atingiu pessoas que estavam no pátio da casa – Foto: Ricardo Alves/NDTV

“A gente estava aqui dentro, a viatura veio desgovernada e pegou a gente. Ele morreu dentro de casa, não no meio da rua”, diz a esposa da vítima, que teve um corte na cabeça, levou pontos e ainda carrega outros hematomas nas costas.

Segundo testemunhas, os policiais envolvidos no acidente teriam saído do local sem prestar socorro. Em nota, porém, a PM afirma que os agentes envolvidos foram atendidos em estado de choque. “Eu vou fazer justiça, tiraram a vida dele dentro da minha casa”, diz Jane.

Fábio era alegre e brincalhão

Fábio Ferreira tinha 45 anos e veio de Belém, no Pará, a fim de buscar uma vida melhor em solo catarinense junto com a família.

O filho dele, Fábio Ferreira Junior, relembra os momentos com o pai ainda sem acreditar no acidente. “Ele era um amigo, um companheiro, fazia tudo por mim. Vai ser difícil não relembrar momentos bons com ele. Não tinha tempo ruim, ele era alegre, brincalhão com a gente”, fala.

Ele ainda lembra da última vez que viu o pai, quando passou pela casa dele na quarta. “Vim aqui, abracei e beijei ele como sempre faço no dia a dia”, disse.

Fábio Ferreira tinha acabado de completar 45 anos ao lado da esposa e dos filhos – Foto: Arquivo pessoal/NDFábio Ferreira tinha acabado de completar 45 anos ao lado da esposa e dos filhos – Foto: Arquivo pessoal/ND

O relato da Polícia Militar

De acordo com a Polícia Militar, era por volta das 23h30 quando um carro furou uma barreira policial no bairro Fátima. O motorista teria jogado o veículo contra a equipe e fugido em seguida. Com isso, os policiais iniciaram uma perseguição que envolveu troca de tiros e várias manobras perigosas por parte dos suspeitos.

Ao chegar na rua Rio Velho, o motorista fugitivo tentou jogar o carro contra a viatura da PM, que acabou colidindo na lateral do veículo e atingindo um poste. Após o acidente, os suspeitos foram presos.

Em seguida, o policial que dirigia uma outra viatura que vinha prestar apoio à equipe acabou perdendo o controle do carro, capotando e atropelando a família de Fábio Ferreira.

Segundo a PM, policiais que vinham em seguida solicitaram socorro aos bombeiros e paramédicos. Os ocupantes da viatura não se machucaram, mas foram atendidos em estado de choque. Um inquérito policial será instaurado para apurar a situação e deve ouvir todas as testemunhas.

Já o motorista do carro que furou a barreira foi preso em flagrante por direção perigosa, tentativa de homicídio, corrupção de menor e dano ao patrimônio público. Um adolescente que estava com ele também foi apreendido.

*Com informações de Ricardo Moreira, repórter da NDTV Joinville

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