Após prisões em SC, PF vai investigar desvio e comércio ilegal de opióide em hospitais

Ação teve como objetivo desarticular uma quadrilha que desviava o anestésico fentanil de hospital em São Paulo para tráfico nos Estados Unidos

A Operação Ampulla, deflagrada nesta terça-feira (16), pela Polícia Federal, foi só uma etapa do trabalho que pretende ampliar a investigação com relação ao possível desvio de medicamentos controlados por hospitais. Os policiais pretendem verificar se profissionais da saúde de outras unidades hospitalares além da Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo, estão desviando fentanil e outras substâncias para o comércio ilegal dentro e fora do Brasil.

Operação Ampulla – Polícia Federal/DivulgaçãoOperação Ampulla – Polícia Federal/Divulgação

A operação teve como objetivo desarticular uma quadrilha que traficava o anestésico fentanil para os Estados Unidos. Cerca de 40 policiais federais foram mobilizados para cumprir oito mandados de prisão (quatro em São Paulo e quatro em Santa Catarina). Entre os mandados expedidos pela Justiça havia três prisões temporárias, cinco preventivas e nove mandados de busca e apreensão.

Até as 11h, a PF apreendeu aparelhos celulares e um imóvel comercial em Santa Catarina. Dois mandados de prisão ainda não haviam sido cumpridos no Estado e os suspeitos estão sendo considerados foragidos.

Os mandados foram cumpridos em Florianópolis, São José, Tijucas, São Paulo e Itanhaém (SP). A operação conta com a cooperação da agência norte-americana de combate a drogas, a DEA (Drug Enforcement Administration).

Chefe da quadrilha era morador do Campeche

Um dos mandados de prisão preventiva envolve um morador do bairro Campeche, em Florianópolis. Ele foi preso durante uma negociação em 14 de julho, em Miami, nos Estados Unidos. A suspeita é de que ele seja o chefe da quadrilha no Brasil.

Fentanil – Polícia Federal/DivulgaçãoFentanil – Polícia Federal/Divulgação

O homem, que não teve o nome revelado, não tinha antecedentes criminais e não era da área médica. No momento da prisão, nenhuma substância foi apreendida com ele. O suspeito está preso no país norte-americano acusado de conspiração. A pena mínima pode chegar a 15 anos de detenção.

Como funcionava o esquema

De acordo com Nelson Luiz Confortin Napp, delegado da PF e chefe da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes), as investigações tiveram início no fim de 2018, nos Estados Unidos. No país norte-americano, foram encontradas três encomendas postadas pelo correio em Florianópolis contendo a substância fentanil.

A partir de fevereiro deste ano, o compartilhamento de informações entre DEA e a PF, levou à identificação do remetente das remessas, que foram apreendidas, e à consequente prisão do morador do bairro Campeche.

Além dele, foram identificados um auxiliar de enfermagem e dois auxiliares de almoxarifado suspeitos de desviarem a substância da Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo, e revenderem para outras partes do Brasil, inclusive por meio de sites da internet.

Um dos suspeitos, inclusive, importava o medicamento da China para revender no Brasil. Além do fentanil, outros medicamentos controlados como a lidocaína, também eram desviados pelo trio.

Operação Ampulla da Polícia Federal conta com a cooperação da agência norte-americana de combate a drogas, a DEA (Drug Enforcement Administration) – Bruna Stroisch/NDOperação Ampulla da Polícia Federal conta com a cooperação da agência norte-americana de combate a drogas, a DEA (Drug Enforcement Administration) – Bruna Stroisch/ND

Os funcionários de SP irão responder por associação ao tráfico, uma vez que revendiam a substância dentro do país. Os detidos em SC serão indiciados por tráfico internacional de drogas. Segundo o delegado, o grupo atuava em conjunto no comércio ilegal do opióide. As penas máximas somadas podem superar os 30 anos de prisão.

Fentanil

O fentanil começou a ser usado na década de 1960 como anestésico intravenoso. É um opióide sintético utilizado como medicamento para a dor e que também pode ser usado para a anestesia. É de ação rápida e entre 50 a 100 vezes mais potente que a morfina.

Leia também:

Atualmente, o mau uso do fentanil se transformou em um problema de saúde pública nos Estados Unidos, estando relacionado a um número cada vez maior de mortes, dentre as quais a morte do cantor Prince no ano de 2016. A substância costuma ser misturada à cocaína e heroína para potencializar o efeito das drogas. Segundo Napp, o fentanil não é muito utilizado no Brasil por causa do alto custo, mas há relatos de vendas da substância para a mistura com cocaína.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Polícia

Loading...