Candidato a prefeito e ex-secretário da Saúde, Dalmo Claro é alvo da Operação Hemorragia

Ele é investigado devido a movimentações financeiras suspeitas entre anos de 2015 e 2017

O ex-candidato a prefeito de Joinville e ex-secretário de estado da saúde, Dalmo Claro de Oliveira, foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal nesta terça-feira (19) em Joinville, no Norte do estado.

A ação faz parte da segunda fase da Operação Alcatraz, denominada Hemorragia, e tem como alvo a repressão de uma organização criminosa especializada na prática de crimes de corrupção, fraude em procedimentos licitatórios e lavagem de dinheiro.

Essa é a primeira vez que Dalmo Claro concorre à prefeitura de Joinville – Foto: Divulgação/NDEssa é a primeira vez que Dalmo Claro concorre à prefeitura de Joinville – Foto: Divulgação/ND

No documento no qual o ND+ teve acesso, Dalmo é investigado por indícios de movimentações financeiras suspeitas envolvendo o nome do ex-secretário, que foi administrador da Fesc Gestão e Consultoria – empresa também investigada na operação.

“Conforme apurado […], apesar de possuir uma renda mensal de R$ 33.888,05, no ano de 2015, e de R$ 54.047,09, em 2016, o investigado movimentou valores da ordem de R$ 7.747.145,00 (em créditos) e R$ 7.863.281,00 (em débitos), no período de 01-01-2016 a 31-10-2016; e, em 2017, movimentou R$ 4.114.723,00 (em créditos) e R$ 3.864.407,00 (em débitos)”, diz a investigação.

Além disso, as movimentações teriam envolvido familiares do ex-secretário e pessoas jurídicas. Também foram constatadas transações envolvendo um funcionário da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), nos valores de R$ 30.000,00 e R$ 51.500,00.

“Com propriedade, a autoridade policial, em sua representação, ressaltou que ‘parte expressiva dos depósitos foram observados no período em que DALMO CLARO ocupava o cargo de Secretário de Saúde, em circunstâncias ainda a serem esclarecidas’. Consideração sua ligação com a empresa SAUDE SUPLEMENTAR e ainda ter ocupado o cargo de Secretário da Saúde, assim como diante das irregularidades apontadas nos respectivos processos licitatórios, essas movimentações financeiras se apresentam bastante suspeitas, em especial no que toca aos depósitos em espécie”, conforme um dos trechos da investigação.

Em outro trecho, no documento consta que Dalmo fazia parte de um grupo liderado por, então, ocupantes de altos cargos no governo do Estado, que praticavam ilicitudes envolvendo verbais federais, voltado a fraudes licitatórias e desvio de recursos públicos. Um dos integrantes seria o deputado estadual Júlio Garcia. 

A ação salienta, ainda, que Dalmo tinha ligações com uma das pessoas responsáveis pela formalização de contratos fictícios que visava o “repasse ilícito de valores ao núcleo políticos da organização criminosa”.

Por meio de mensagem, Dalmo informou que vai se inteirar adequadamente sobre as investigações para se pronunciar. Além disso, disse que as movimentações financeiras envolvendo o grupo econômico familiar ocorreu entre 2016 e 2017 por conta da venda e compra de imóveis.

Veja o posicionamento enviado ao ND+: 

“Ainda vou me inteirar adequadamente das investigações para me pronunciar. Mas, vi sua reportagem no ND e já percebi uma incorreção importante. Fui Secretário de Saúde de janeiro de 2011 a julho de 2013, e as movimentações financeiras elevadas de meu grupo econômico familiar se deu em 2016 e 2017 por conta de venda e compra de imóveis, lastreados por financiamento bancário” 

Operação Alcatraz

As investigações tiveram início em julho de 2018, após um encaminhamento do Ministério Público de Contas do Estado de Santa Catarina, que apontava indícios de desvios de recursos das Secretarias de Estado da Administração e Saúde.

As provas, segundo a Polícia Federal, indicam que a organização criminosa estaria atuando no governo do Estado por pelo menos dez anos – entre 2008 e 2018 -, e era comandada por ocupantes de cargos elevados de instituições públicas e que tinham forte influência política.

A PF informou que foi identificado que o governo do Estado teria pago às empresas investigadas mais de R$ 500 milhões, sendo grande parte vinda da Secretaria de Saúde do Estado.

Ao menos R$ 50 mil, conforme as investigações, teriam sido repassados por meio de contratos simulados a empresas que seriam de integrantes da organização criminosa, sendo identificados, ainda, indícios de pagamento de valores expressivos em espécie.

Ou seja, segundo a PF, a quantidade desviada era sacada da boca do caixa, inclusive de forma fracionada ou revertida em bens registrados em nome dos investigados.

Gráfico mostra como era a atuação do grupo – Foto: Polícia Federal/DivulgaçãoGráfico mostra como era a atuação do grupo – Foto: Polícia Federal/Divulgação

Nesta terça-feira (19), a justiça expediu 34 mandados de busca e apreensão, 11 de prisão preventiva e nove mandados de prisão temporária, que foram cumpridos em Florianópolis, Joinville e Xanxerê.

Em Joinville, dois empresários foram presos preventivamente nos Bairros Glória e Centro. Marcio Biff e Vilmar Alcides Burguesan  são sócios em empresas que desenvolvem sistemas e softwares para o gerenciamento de hospitais, clínicas e consultórios.

Marcio Biff e Vilmar Alcides Burguesan foram presos nesta terça-feira (19), na 2ª fase da Operação Alcatraz, em Joinville – Foto: Reprodução/Redes SociaisMarcio Biff e Vilmar Alcides Burguesan foram presos nesta terça-feira (19), na 2ª fase da Operação Alcatraz, em Joinville – Foto: Reprodução/Redes Sociais

O advogado de defesa de Marcio Biff e Vilmar Alcides Burguesan, Augusto de Arruda Botelho, enviou ao ND+ uma nota oficial contestando as acusações e alegando a inocência da empresa e dos sócios.

“A defesa da Micromed contesta com veemência as equivocadas acusações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A regularidade de sua operação e a inocência completa de seus sócios será demonstrada ao longo da investigação”, fala.

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