Caso Henry: defesa pede novo depoimento para a mãe do menino

Defesa afirma que Monique Medeiros quer falar mais e insiste para que ela seja ouvida novamente pela Polícia Civil do Rio de Janeiro

A nova defesa da mãe do menino Henry Borel, Monique Medeiros, afirma que ela quer falar mais e vem insistindo nos últimos dias para que ela seja ouvida de novo pelos investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Cabe ao delegado Henrique Damasceno, que está à frente do caso, optar pela coleta de um segundo depoimento. Porém, ainda não foi divulgada nenhuma decisão.

Henry Borel, de apenas 4 anos, morreu em 8 de março; laudo indicou 23 ferimentos que geraram hemorragia interna e laceração hepática – Foto: Reprodução/InstagramHenry Borel, de apenas 4 anos, morreu em 8 de março; laudo indicou 23 ferimentos que geraram hemorragia interna e laceração hepática – Foto: Reprodução/Instagram

“Dentro do objetivo de atuar com a verdade, a defesa da Sra. Monique Medeiros insiste na necessidade da sua nova audição pelo senhor delegado de polícia que preside o inquérito e faz um público apelo, para a referida autoridade policial, neste sentido. Se várias pessoas foram ouvidas novamente, não tem sentido deixar de ouvir Monique. Logo ela que tanto tem a esclarecer. Não crê a defesa que exista algum motivo oculto para ‘calar Monique’ ou não se buscar a verdade por completo”, diz nota divulgada no sábado (17) pela defesa da mãe de Henry.

Em seu primeiro depoimento, Monique disse acreditar que Henry havia se acidentado ao cair da cama. Após o interrogatório, o delegado afirmou que a versão apresentada buscava proteger Dr. Jairinho.

No curso das investigações, foram recuperadas mensagens em que a babá de Henry relata à Monique um episódio em que o menino foi vítima de agressão de Dr. Jairinho. A mãe da criança, segundo o delegado, não denunciou o ocorrido na época e omitiu a informação no depoimento.

“Não procurou a polícia, não afastou a vítima do agressor, do convívio de uma criança de 4 anos, filho dela. É bom que se diga que ela tem obrigação legal”, pontuou Henrique Damasceno após o interrogatório.

No início das investigações, a defesa do casal era realizada pela mesma pessoa: o advogado André França Barreto. A mãe do menino Henry, no entanto, decidiu recorrer a outros profissionais no início da semana passada e passou a ser representada por Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Mattar Assad.

Na última quarta-feira (14), eles apresentaram formalmente o pedido
para que Monique fosse novamente interrogada e sustentam que ela tem outras informações para relatar.

Na nota divulgada neste sábado (17), os três também buscam chamar atenção para o perfil de Dr. Jairinho. Eles se referem aos depoimentos colhidos de outras mulheres que se relacionaram com o vereador no passado.

“A defesa observou, do estudo dos novos elementos do inquérito, que há repetição de um comportamento padrão de violência contra mulheres e crianças. Neste lamentável caso, a diferença foi a morte da criança”, diz o texto.

Após Monique contratar novos advogados, André França Barreto decidiu abandonar a defesa de Dr. Jairinho. O rompimento, segundo nota divulgada, foi consensual e buscou evitar um conflito de interesse já que não seria mais possível representar o casal. Até então, a defesa de Dr. Jairinho vinha reiterando sua inocência. Novos advogados ainda não foram constituídos.

Relembre o caso

O menino Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março em um apartamento onde morava com a mãe e o padrasto: o vereador
do Rio de Janeiro, Dr. Jairinho. O laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que a criança sofreu 23 ferimentos pelo corpo, que causaram “hemorragia interna e laceração hepática”.

Ele apresentava lesões hemorrágicas na cabeça, lesões no nariz, hematomas no punho e abdômen, contusões no rim e nos pulmões, além de hemorragia interna e rompimento do fígado.

Monique e Dr. Jairinho estão presos desde o dia 8 de abril. Eles são investigados por homicídio duplamente qualificado. No mesmo dia da prisão, Dr. Jairinho, que está em seu quinto mandato como vereador, foi expulso do Solidariedade, partido em que estava filiado.

+

Polícia