Catarinense está entre os presos da Operação Carne Fraca

Executivo Roney Nogueira dos Santos, gerente de Relações Institucionais e Governamentais da BRF, começou a carreira em Itajaí

Uma operação deflagrada na manhã desta sexta-feira (17/03) pela Polícia Federal e pela Receita Federal envolvendo 1,1 mil policiais e 30 auditores fiscais e analistas tributários da Receita mexeu com o setor de carnes no país e com impacto ainda difícil de medir para empresas de renome de Santa Catarina. Entre os presos na Operação Carne Fraca, que busca desarticular uma “organização criminosa” que envolve corrupção de servidores públicos por alguns dos principais frigoríficos do país, está o catarinense Roney Nogueira dos Santos, gerente de Relações Institucionais e Governamentais da BRF, maior empresa privada de Santa Catarina, com sede em Itajaí, e detentora da marcas Sadia e Perdigão.

O executivo Roney Nogueira dos Santos estudou no Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal, de Itajaí, fez a faculdade de Economia na Univali, na mesma cidade, e MBA em Marketing Estratégico Internacional também na Univali de Itajaí. Ele atuou durante cinco anos como agente de inspeção federal na Arfrio S.A. Armazéns Gerais Frigoríficos, em Itajaí, de onde saiu, em 2002, para atuar na Perdigão como analista de Certificação Sanitária Internacional – Logística.

Em abril de 2006 Santos assumiu o cargo de gerente de Relações Institucionais e Governamentais Brasil da BRF, cargo que ele ocupa até agora. Além dele, outro executivo da BRF que teria sido preso nesta sexta-feira é o diretor da empresa para o Centro-Oeste, André Baldissera. A Operação Carne Fraca tem entre as empresas envolvidas, além da BRF, a JBS, que tem oito unidades de processamento de aves, três unidades de processamento de suínos e cinco unidades de valor agregado em Santa Catarina, e a marca Seara, que faz parte do portfólio da JBS e que teve origem na cidade catarinense de Seara.

Gigante global BRF, que tem sede em Itajaí, é uma das empresas investigadas na Operação Carne Fraca - Divulgação/ND
Gigante global BRF, que tem sede em Itajaí, é uma das empresas investigadas na Operação Carne Fraca – Divulgação/ND

Os 38 mandados de prisão e 194 mandados de busca de apreensão que compõem a Operação Carne Fria foram expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba. De acordo com a Receita Federal, a investigação em conjunto com a Polícia Federal apontou que a organização criminosa “seria liderada por servidores ocupantes de cargos de chefia e administração da Superintendência do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) no Paraná que, com o apoio e participação de outros servidores a eles subordinados, estariam recebendo vantagens indevidas pagas por executivos ou diretores de empresas – corruptoras ativas – sujeitas a inspeção pela SFA (Superintendência Federal da Agricultura no Paraná)”.

Ainda de acordo com a investigação, agentes fiscais do Mapa que não aceitavam compactuar com as irregularidades investigadas eram afastados de seus locais de trabalho, removidos ou exonerados de suas funções pelos ocupantes de cargos de chefia envolvidos no esquema. “As vantagens indevidas auferidas seriam decorrentes de ações ou omissões em fiscalizações realizadas pelos servidores envolvidos, que culminavam na permissão para que produtos alimentícios adulterados, impróprios para o consumo humano, pudessem circular livremente no mercado interno, servir como merenda escolar ou ser exportados”. Por envolver a adulteração de produtos, a operação deflagrada nesta sexta-feira envolvendo a indústria de carnes do país tem o mesmo impacto que as denúncias dos últimos anos envolvendo leite adulterado.

Com as práticas ilícitas, as empresas conseguiam ampliar os seus lucros e, segundo a Receita, gerar “proveitos financeiros expressivos aos participantes, os quais resultavam em bens ocultos ou registrados em nome de terceiros, além de outras formas de ocultação e de lavagem de dinheiro”.