Como estão as vítimas do roubo a banco em Criciúma depois de um ano

Soldado baleado perdeu os movimentos e hoje vive acamado na casa da família; moradores também relembram os momentos de pânico durante a madrugada

Mesmo depois de 365 dias, as marcas de um dos maiores roubos do Brasil continuam na memória da população de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, e na vida de algumas pessoas, como é o caso do soldado Jeferson Esmeraldino.

Com a ajuda da mãe, Esmeraldino encara uma batalha diária – Foto: Christian Ayala/Divulgação NDCom a ajuda da mãe, Esmeraldino encara uma batalha diária – Foto: Christian Ayala/Divulgação ND

Durante a ação criminosa, Esmeraldino acabou cruzando o caminho dos bandidos, rumo ao cofre do Banco do Brasil, e foi baleado com um tiro de calibre grosso que acertou o seu abdômen.

“Quando chegou 4h meu esposo disse que ele tinha levado um tiro, mas que estava bem. Só que o coração de mãe não se engana. Já fui chorando daqui até lá e me deparei com o meu filho num estado muito grave”, relembra a mãe Sandra Aparecida Nunes, sobre uma das cenas que marcaria sua vida e de toda a família.

Soldado Jeferson Luiz Esmeraldino foi baleado durante roubo a banco- Foto: Reprodução/InternetSoldado Jeferson Luiz Esmeraldino foi baleado durante roubo a banco- Foto: Reprodução/Internet

O soldado chegou a passar por três cirurgias, mas hoje vive acamado. Ele não consegue mais andar nem falar e é dependente de outras pessoas para alimentação e outras necessidades.

Além dos movimentos, Esmeraldino teve os seus sonhos interrompidos. “Ele queria entrar pro Bope, mas não houve tempo. Agora final do ano ele ia estudar. Ele sempre gostou de salvar vidas e foi um filho honesto”, conta a mãe.

Desde criança, Jeferson sonhava em trabalhar nas forças de segurança. Em 2016, conseguiu aprovação no concurso da Polícia Militar e rapidamente se tornou policial da equipe tática. Depois do crime, foi promovido a cabo ao virar militar reformado.

Hoje Esmeraldino vive na casa da família com tudo improvisado, mas logo a situação deve mudar. Graças às doações, a família conseguiu comprar uma casa nova com um quarto adaptado para o cabo e devem se mudar em breve.

A madrugada de 30 de novembro de 2020 também marcou a vida do empresário Gean Michels e a da sua família. Eles viveram momentos de terror ao saber que a madrinha participava de uma confraternização a pouco metros do banco.

“A gente tentava controlar algum choro ou medo para sempre ter uma uma melhor situação, mas era um momento de muita tensão. O som dos tiros também era sinistro. Nunca tínhamos passado por nada parecido”, lembra.

A preocupação também tomou conta de outros moradores da região. Sem entenderem o que estava acontecendo naquela madrugada, alguns resolveram se esconder dentro de casa, da forma que fosse possível.

“Minha primeira e única reação foi me esconder dentro do guarda-roupa. Peguei o celular e fui lá para dentro, porque era o lugar que tinha mais paredes e fiquei ali o tempo todo vendo o WhatsApp e em estado de choque, não conseguia me mexer”, descreve a jornalista Maria Alice Cavaler.

Relembre o crime

Estima-se que 30 pessoas participaram diretamente do roubo à tesouraria regional do Banco do Brasil em Criciúma. Do local, os criminosos levaram R$ 125 milhões e fizeram reféns, bloquearam ruas, provocaram incêndios e atiraram várias vezes, inclusive contra o Batalhão da Polícia Militar.

Na madrugada do primeiro dia primeiro de dezembro, Criciúma, no Sul catarinense, sofreu com um assalto a banco e teve seu território sitiado – Foto: Reprodução/NDTVNa madrugada do primeiro dia primeiro de dezembro, Criciúma, no Sul catarinense, sofreu com um assalto a banco e teve seu território sitiado – Foto: Reprodução/NDTV

A ação foi planejada nos mínimos detalhes. Os criminosos alugaram pontos de apoio na cidade e utilizaram dez carros de luxo, empregados no ataque e na fuga. Os veículos foram pintados em um galpão, localizado em Içara também no Sul catarinense.

O primeiro passo do plano colocado em prática pelos criminosos foi um ataque ao Batalhão da Polícia Militar de Criciúma. Nos veículos de luxo, eles chegaram atirando contra a PM e atearam fogo num caminhão em frente à entrada e saída dos militares.

Depois seguiram em direção ao Centro da Cidade, quando cruzaram com a viatura onde estava Jefferson Esmeraldino e o balearam com um tiro no abdômen. A ação durou cerca de duas horas e, segundo as autoridades, foi planejada pelo menos um ano antes.

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