Conheça a vida de Mauriceia, a menina brincalhona e sorridente que foi morta em SC

Seu Ermindo detalha sobre a vida da catarinense achada morta em escombros de uma casa consumida pelo fogo

Uma menina meiga, amorosa, brincalhona e sorridente. É assim que o empresário Ermindo Estraich descreve a filha Mauriceia Estraich, de 22 anos, achada morta em meio aos escombros de uma casa destruída por um incêndio na manhã de domingo (28), no município de Descanso, no Oeste catarinense. A jovem morava no local com o companheiro, que não estava no imóvel no momento da tragédia. O caso que é investigado como feminicídio já conta com um suspeito preso pela PC (Polícia Civil).

A jovem Mauriceia de 22 anos morreu carbonizada no último domingo (28) na casa em que morava com o companheiro. – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução/NDA jovem Mauriceia de 22 anos morreu carbonizada no último domingo (28) na casa em que morava com o companheiro. – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução/ND

A jovem de cabelos claros era reconhecida como uma garota sonhadora e dedicada, principalmente aos estudos. “Por onde passou deixou apenas amizades e boas lembranças”, comentou o pai. 

Ela morou em Descanso até os 4 anos de idade. Com a separação dos pais, a jovem foi viver com a mãe no município de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, onde permaneceu por 12 anos. Aos 16 anos, voltou a morar com seu Ermindo e concluiu os estudos na Escola Everardo Backheuser. 

Logo que saiu da escola, Mauriceia começou a cursar Administração em uma universidade em São Miguel do Oeste, cidade a cerca de 15 quilômetros da casa do pai. A formatura ocorreu em fevereiro deste ano.  “Em todos os lugares que ela estudou deixou uma marca com seu caráter e jeito de ser. Uma menina respeitosa, cheia de sonhos e alegria”, contou o pai.

Quando completou 18 anos, a jovem — que fazia estágio em uma construtora — decidiu morar com o companheiro em um apartamento localizado no Centro de São Miguel do Oeste. Quase um ano depois, o casal retornou para Descanso, onde morou em uma casa cedida pela família. Após algum tempo, compraram um terreno, construíram uma casa e se mudaram para o novo endereço.  Em abril de 2021 completaria um ano que os dois moravam no local destruído pelo fogo na manhã de domingo. 

O último contato

O semblante da jovem era diferente na sexta-feira (26) quando ela teve o último contato com o pai. Os dois conversaram quando Mauriceia foi até a casa dele para buscar água em um poço artesiano. Segundo ele, a filha parecia querer falar algo, mas não se abria: “cheguei a perguntar se estava tudo bem e ela me disse que sim.”

Pai da jovem, Ermindo Antônio Estraich, conta como era a filha de 22 anos – Foto: Arquivo pessoal/DivulgaçãoPai da jovem, Ermindo Antônio Estraich, conta como era a filha de 22 anos – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

O pai não teve contato com a filha no sábado (27). Já no domingo foi acordado com uma ligação de sua secretária informando que a casa da filha dele estava em chamas, perto das 6 horas da manhã. “Fui até lá e estava tudo destruído. Quando pedi pela minha filha me bateu um desespero. Os bombeiros me falaram que estavam procurando ela, mas precisavam terminar de conter as chamas. Fui amparado por vizinhos, mas logo a confirmação da morte dela veio por um bombeiro”, recorda.

Mauriceia trabalhou em várias lojas tanto em São Miguel do Oeste como em Descanso, mas na última terça-feira (23), recebeu a proposta para trabalhar com seu pai. “Ela aceitou, ficou feliz e contente. Estava tudo certo para começar a trabalhar comigo”, lembra seu Ermindo, que é dono de uma empresa de produtos naturais. 

A vida do casal 

Ermindo diz que não acompanhou de perto o relacionamento do casal, que inclusive chegaram a ficar pouco mais de um ano sem se encontrar. Ele afirma nunca ter ouvido a filha relatar brigas entre os dois. “Tinha algumas informações de outras pessoas sobre problemas entre eles, mas com meus olhos nunca vi nada”, comentou.

A casa de madeira foi destruída pelo fogo. – Foto: Marcos de Lima/ Portal Peperi/NDA casa de madeira foi destruída pelo fogo. – Foto: Marcos de Lima/ Portal Peperi/ND

No domingo, data da tragédia, o companheiro de Mauriceia tinha saído para jogar canastra e, por volta das 2h30 da madrugada, ela ligou para ele pedindo se era para ir buscá-lo. Segundo Ermindo, ele disse que não e ficou na casa do pai dele.

O corpo da jovem ainda não foi sepultado, pois a polícia espera outros exames para identificar a causa da morte. Contudo, uma análise preliminar apontou que ela estava com vida quando o fogo começou. “A jovem respirou fumaça, o que demonstra que estava viva no momento do incêndio”, disse o delegado da Polícia Civil, Cléverson Luis Müller. 

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