Criador de perfis que difamava pessoas públicas de Balneário Camboriú é preso

Páginas no Instagram com mais de 20 mil seguidores que atacaram mais de 100 pessoas entre influenciadores, empresários e autoridades também postava nudes e acusações

Tudo começou como uma brincadeira que saiu do controle. Essa é a explicação do suspeito preso em Balneário Camboriú, nesta sexta-feira (29), por criar perfis difamatórios no Instagram que postavam boatos, ofensas, acusações e nudes de figuras públicas, empresários e autoridades desde novembro de 2020.

Instagram no celularPáginas de Balneário Camboriú chagaram a 20 mil seguidores e ofendiam autoridades, influencers e figuras públicas – Foto: Reprodução/Agência Brasil

Entre as cerca de cem vítimas, pelo menos 40 registraram boletins de ocorrência. Muitas delas chegaram a contratar hackers para descobrir quem seria o autor das postagens, de acordo com o delegado da Polícia Civil David Queiroz. “Tamanho o nível de desespero, elas chegaram a dispor valores para tentar chegar a essa pessoa”, aponta o delegado.

O suspeito de 24 anos se apresenta como perito judicial em seu perfil pessoal e trabalha em uma corretora de imóveis. Na tarde de sexta, os policiais cumpriram uma ordem de busca e apreensão na casa do rapaz, no bairro Nova Esperança.

Na ocasião, foram apreendidos celulares e computadores. No local também foi encontrado um sagui, animal silvestre que não pode ser criado em cativeiro. Por esse motivo, ele foi preso em flagrante por crime ambiental. Após prestar depoimento, ele foi liberado.

“O suspeito confessou ser o autor dos perfis. Ele tinha amizade de Instagram com a maioria das vítimas, incluindo um delegado que também teve sua imagem exposta”, diz o delegado.

Como os perfis funcionavam

As investigações começaram em novembro quando as pessoas foram à delegacia denunciar as páginas “Ostopdebc” e “Apenasverdades”, mas segundo o criador dos perfis, elas existem antes desse período e passaram por modificações, como mudança de nomes, informa o delegado.

Nas postagens, empresários recebiam diversas acusações. Modelos e  digital influencers, frequentadoras de festas na cidade, eram intituladas como “drogadas e prostitutas”. Até fotos nuas foram publicadas nas páginas que chegaram a 20 mil seguidores e foram finalizadas no fim de dezembro.

O caso é extremamente complexo, de acordo com Queiroz, por envolver determinação de fornecimentos de dados do Instagram e do Facebook, cujas sedes ficam nos Estados Unidos. Por meio de investigações virtuais, aliadas à coleta de dados nas ruas, foi possível chegar ao autor. Mais detalhes não foram divulgados para não atrapalhar o andamento do inquérito policial.

A página chegou a pedir 50 mil biticoins – moeda virtual – em uma postagem para excluir um dos perfis difamatórios, mas, de acordo com o delegado, “os suspeitos se mostraram amadores. Apesar do amplo conhecimento de informática, eles não tinham para exigir dinheiro”, afirma Queiroz. Segundo as investigações, apenas a postagem pedindo dinheiro já caracteriza crime de extorsão.

O conhecimento técnico do grupo dificultou que os policiais conseguissem retirar as páginas do ar. “Eles utilizaram uma série de mecanismos para enganar a polícia. Por exemplo, usavam um programa que o telefone que acessava a página aparecia ser dos Estados Unidos”, detalhou o delegado.

O autor da página irá responder pelos crimes de injúria, calúnia, extorsão, divulgação de nudes e associação criminosa.

Pessoas que enviavam informações também serão responsabilizadas

Por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Discord”, que significa discórdia em português, ele e pelo menos outros três suspeitos compartilhavam fotos e informações sobre os alvos das postagens.

Além deles, pessoas enviavam mensagens via direct nas páginas com fotos e legendas pendido para que fossem publicadas. Elas também serão responsabilizadas.

“Podem ser acusadas de associação criminosa. Mas depende da análise do dolo. No mínimo, cometeram injúria como partícipes”, afirma o delegado.

Suspeito zombava da polícia e não demonstrou remorso

Em uma das postagens, um dos autores fazia piadas com a polícia, segundo Queiroz. “Nos stories eles falaram ‘cadê a polícia? ninguém vai me pegar’ e zombavam”, lembra.

“Vamos chegar nas outras pessoas responsáveis. A internet pode parecer um local sem lei e que fomenta impunidade, onde podem falar o que quiserem sem sofrer as consequências, mas todo tipo de crime deixa vestígios e temos mostrado a capacidade da Polícia Civil de Santa Catarina. A polícia mostrou que não há crime perfeito e esse tipo de comportamento é inadmissível”, ressalta o delegado.

Durante o interrogatório, Queiroz questionou o suspeito se ele sabia a dimensão dos danos que causou. “Perguntei ‘você tem noção de que alguém poderia cometer suicídio por conta da difamação?’. É bem chocante a falta de empatia dessas pessoas. Algo que parecia uma brincadeira devastou vidas. Atrás de avatares há pessoas reais que vão sofrer com esse tipo de coisa”, finalizou.

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