Criminosos se passam por advogados para aplicar golpes em servidores aposentados de SC

Golpistas têm usado o nome de advogados de sindicatos para tentar tirar dinheiro de quem tem ação judicial contra o Estado

Criminosos têm usado o nome de advogados de sindicatos para tentar tirar dinheiro de quem tem ação judicial contra o Estado em Santa Catarina. Geralmente, o golpe começa com uma mensagem por celular.

Foi assim que Pedro Olado Dutra, servidor público aposentado da saúde em Santa Catarina, quase caiu na armadilha. No texto, a pessoa se identificou como Yasmin e disse que era representante de um escritório de advocacia. Ela perguntou se ele lembrava de um processo movido contra o Estado em 2015 e informou que o dinheiro da ação foi liberado. Para isso, era preciso ligar para um número e falar com Grace Santos ou Fernando Santos.

Criminosos se passam por advogados para aplicar golpes em servidores aposentados de SC – Foto: PixabayCriminosos se passam por advogados para aplicar golpes em servidores aposentados de SC – Foto: Pixabay

Grace e Fernando Santos são advogados do SindSaúde/SC (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde Pública Estadual e Privado de Florianópolis e Região), que assessora Pedro na ação contra o Estado. O aposentado ligou para o número indicado pela suposta representante Yasmin e num primeiro momento nem desconfiou de nada.

“Todos os meus dados eles tinham. Só pediram para eu confirmar. O nome da minha mãe, o meu nome completo, o meu CPF, a data de nascimento, tudo certinho”, contou Dutra. Para ter acesso ao dinheiro, Pedro deveria fazer um Pix para pagar as despesas de cartório, no valor de quase R$ 5 mil. Ele abriu o aplicativo do banco e foi seguindo as orientações.

Segundo o aposentado, o golpista que o atendeu “deu o número do número do celular e o valor, mas tudo assim, número por número. A pessoa já tá empolgada com aquele valor que vai receber, aí nem pensa”. A sorte foi que um dos filhos de Dutra estava em casa e alertou o pai, que na última hora desistiu de fazer a transferência.

Uma outra servidora pública aposentada, que preferiu não se identificar, foi abordada da mesma forma. Ela chegou a receber um documento, dizendo que a Justiça havia liberado mais de R$ 100 mil referentes ao processo para ela. A mulher chegou a transferir o dinheiro solicitado pelos golpistas, o mesmo valor de quase R$ 5 mil, mas o banco cancelou a operação.

“A situação foi induzida. Foi tão séria, foi tão certinho que eu é que perguntei como é que poderia fazer. Uma transferência ou se podia fazer um Pix. Imediatamente, ele disse pra fazer o Pix. Eles ditaram os números. Quando ele acabou de ditar os números, eu perguntei: isso significa que eu vou pagar R$ 4.900 e alguma coisa? Porque foi arredondado, não chegou a R$ 5 mil. Aí, ele disse que sim. Eu fiz”, relatou a vítima.

Para convencer as vítimas, os golpistas se passam por advogados de sindicatos de servidores públicos que entraram com ações coletivas de trabalho contra o Estado de Santa Catarina. O advogado do SindSaúde/SC Ernesto Silva teve o nome envolvido no golpe da Falsa Assessoria Jurídica.

De acordo com o advogado, “esses golpistas vão até o site do Tribunal de Justiça, pegam as informações do servidor lá no site do tribunal (o número do processo, o nome completo, CPF, telefone), fazem contato se passando por alguém do sindicato e, com isso, solicitam dinheiro”.

Segundo o SindSaúde, as ações coletivas podem ser consultadas nos portais judiciais, mas os detalhes dos processos são restritos e só os advogados têm acesso. O departamento jurídico do sindicato acredita que de alguma forma os golpistas conseguem as informações sigilosas das peças processuais, como dados pessoais dos servidores, e a partir daí tentam convencer as vítimas a cair na armadilha.

A reportagem do Balanço Geral Florianópolis entrou em contato com dois números de celular informados nas mensagens recebidas pelos servidores. Em um deles, uma mulher que se identificou como Priscila atendeu e disse que o telefone era de uma central de advogados.

O repórter Paulo Mueller, da NDTV, pediu então para falar com o advogado Ernesto Silva e a atendente transferiu a ligação. Um homem se passando por Silva atendeu o telefonema. Quando o repórter o pressionou, perguntando se ele era realmente o advogado do sindicato e dizendo que o verdadeiro Ernesto Silva estava com ele, o golpista desligou o telefone.

“É importante que fique claro que o sindicato, o escritório, nunca solicita dinheiro para liberação de valores. Se o servidor tem dinheiro a receber, ele vai receber independentemente de depositar uma antecipação pro sindicato ou pro escritório”, explicou o verdadeiro Ernesto Silva.

Pelo menos oito servidores atendidos pelo SindSaúde caíram no golpe. Um deles chegou a transferir para os criminosos R$ 20 mil. A Polícia Civil está investigando o golpe e lembra que existe na internet uma campanha do próprio órgão de segurança com orientações para a população não cair em ciladas e perder dinheiro.

O delegado Gustavo Altemar, disse que “através da prevenção, que é a principal medida, evitar que o quantitativo desse tipo de golpe, desse tipo de crime venha a aumentar ainda mais. A gente tem os estudos estatísticos da nossa diretoria de inteligência que nos mostram que, se utilizar todos os métodos de prevenção descritos nessa cartilha, vai cair pelo menos em 90% o índice desses crimes”.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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