Deputado Julio Garcia e ex-governador Eduardo Moreira são alvos da Operação Alcatraz

Advogado de defesa do presidente da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) confirmou prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; Eduardo Moreira foi alvo de busca e apreensão

O presidente da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), Julio Garcia, e o ex-governador de Santa Catarina Eduardo Pinho Moreira foram alvos da segunda fase da Operação Alcatraz, denominada Hemorragia, que foi deflagrada no início da manhã desta terça-feira (19).

Julio Garcia teve a prisão domiciliar decretada e usará tornozeleira eletrônica. Moreira, por sua vez, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

“O ex-governador Eduardo Moreira não está sendo investigado em nenhuma operação da Polícia Federal. Seu nome foi apenas citado nas investigações e por isso o mandado de busca e apreensão de poucos documentos e de seu celular”, disse a assessoria do ex-governador.

PF cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento de Eduardo Moreira – Foto: Daniel Queiroz/NDPF cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento de Eduardo Moreira – Foto: Daniel Queiroz/ND

Conforme Moreira, “trata-se de um encaminhamento natural”, por ele ter exercido cargos de governador e vice-governador no período das investigações.

A primeira fase da Operação Alcatraz foi deflagrada em maio de 2019, mas as investigações tiveram início em julho de 2018. O objetivo era combater fraudes a licitações e desvios de recursos públicos ligados a contratos de prestação de serviços de mão de obra terceirizada e do ramo de tecnologia.

“Vamos colaborar para que os fatos sejam esclarecidos. Minha vida pública sempre foi pautada por honestidade, transparência, diálogo e trabalho”, disse Moreira na nota encaminhada pela assessoria.

Empresas de tecnologia

Entre os investigados estão um ex-secretário de Estado, um ex-secretário adjunto, além de empresários – dois deles seriam de Joinville. Conforme a Polícia Federal, três empresas de tecnologia de grande porte, com sede em Florianópolis, também são alvo da operação.

Uma delas é a Qualirede, que atua no ramo de gestão em planos de saúde, entre eles o SC Saúde. Outro alvo da PF, conforme apurado pela reportagem, é o empresário Jefferson Colombo, dono da empresa Apporti Soluções em Tecnologia, com sede na Capital catarinense. Ele foi preso preventivamente na operação. A reportagem do ND+ procurou a defesa do empresário, mas não obteve retorno até a atualização da matéria.

Durante uma das denúncias na primeira fase da operação Alcatraz, ainda em 2019, Colombo havia sido apontada pela PF como operador financeiro de Julio Garcia. Na época, o presidente da Alesc negou qualquer tipo de envolvimento com as acusações.

Segundo o parlamentar, seu nome entrou na investigação porque a Polícia Federal tinha como alvo “uma pessoa muito próxima” e o atingiu “lateralmente”.

O dono da Apporti, empresa que estava sendo investigada por fraude em licitação na época, é genro da ex-mulher de Garcia. “Minha relação com o Jefferson é de amigo, não tenho nada com a empresa dele”, afirmou Garcia na ocasião.

Julio Garcia

Conforme apurado pelo colunista do Grupo ND, Moacir Pereira, Julio Garcia prestou depoimento na sede da Polícia Federal, em Florianópolis, durante a manhã.

Deputado Julio Garcia é um dos alvos da operação – Foto: Daniel Conzi/Agência ALDeputado Julio Garcia é um dos alvos da operação – Foto: Daniel Conzi/Agência AL

O advogado de defesa do parlamentar, Cesar Abreu, confirmou a prisão domiciliar de Garcia. Abreu acompanhou o deputado em uma das salas da Polícia Federal. Em seguida, o parlamentar já seria liberado e utilizará tornozeleira eletrônica.

Até o final desta manhã, o advogado aguardava o conteúdo do indiciamento do presidente da Alesc e as razões do decreto de prisão domiciliar. Segundo informou a Moacir Pereira, não há qualquer documento sobre as origens e o conteúdo das acusações.

A Qualirede, por sua vez, enviou nota informando que “foi surpreendida na manhã desta terça-feira com a deflagração de mais uma etapa da Operação Alcatraz”. O comunicado afirma que a empresa está levantando detalhes sobre as investigações da PF e da Receita Federal, e que ainda não teve acesso aos autos.

“Assim que tiver mais informações, se manifestará sobre o assunto. A empresa reforça que está contribuindo com as investigações e tem convicção de que tudo será esclarecido”, finaliza.

A operação

Esta fase da Operação Alcatraz contou com a participação de 150 policiais federais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e do Paraná.

Além disso, 14 auditores fiscais da Receita Federal também atuaram na operação.

A Justiça expediu 34 mandados de busca e apreensão, 11 de prisão preventiva e nove mandados de prisão temporária, que estão sendo cumpridos em Florianópolis, Joinville e Xanxerê. Segundo apurado pelo Grupo ND, em Joinville os presos seriam empresários.

Prisões efetuadas:

  • Duas prisões preventivas  em Joinville;
  • Uma prisão preventiva em um município próximo de Itajaí;
  • Oito prisões preventivas em Florianópolis;
  • Uma prisão temporária em Biguaçu.

Foram apreendidos documentos, veículos e valores em espécie. A operação segue em andamento.

De acordo com Rogério Penna, auditor fiscal da Receita Federal, R$ 20,5 milhões já foram ressarcidos aos cofres públicos. A expectativa com a segunda etapa da operação é que os ressarcimentos superem os R$ 100 milhões.

A ação tem como alvo a repressão de uma organização criminosa especializada na prática de crimes de corrupção, fraude em procedimentos licitatórios e lavagem de dinheiro.

Uma delação premiada feita por uma operadora financeira durante a primeira etapa da Operação Alcatraz complementou a investigação.

Conforme Alisson Cirilo Campos, procurador da República, a operadora teria feito a delação ser ter conhecimento da investigação em curso. Foram fornecidas provas, nomes de envolvidos e outros elementos que corroboraram com a investigação.

Conforme informado pela Polícia Federal às 14h55 desta terça-feira, foram cumpridos todos os mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão.

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