Dono da Alfa Imunização é o terceiro preso em Operação da Polícia Civil

Silvestre Panstein, responsável pela Alfa Imunização, que tem contrato com indícios de superfaturamento com o Porto de São Francisco do Sul, foi detido durante a tarde; o filho já tinha sido preso

O responsável pela Alfa Imunização, Silvestre Panstein, também foi preso pela Polícia Civil na tarde desta quinta-feira, dia 29. Ele é o terceiro detido na Operação de combate à corrupção deflagrada pela Polícia Civil de Blumenau.

Silvestre é pai de Cristiano Panstein, que também foi preso na mesma operação, junto com Rafael Ferreira, este detido em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Silvestre Panstein, responsável pela Alfa Imunização, e o filho Cristiano Panstein – Foto: Montagem/DivulgaçãoND

Cristiano Panstein e Rafael Ferreira são da C.R.P Comércio de Papel. A empresa é de Guaramirim, mas tem filial em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Assim como a Alfa Imunização, a C.R.P é suspeita de envolvimento em fraudes em licitações e superfaturamento em contratos.

Cristiano Panstein e Silvestre Panstein também são suspeitos de financiarem campanhas políticas para depois conseguirem contratos usando a influência desses políticos.

“Os suspeitos financiavam campanhas com a promessa de benesse futura. E, às vezes, quando obtinham esses contratos devolviam parte desses contratos para os agentes públicos”, informou o delegado Lucas de Almeida, que liderou a Operação da Polícia Civil.

Denúncias trazidas pelo Grupo ND

Segundo denúncias trazidas à tona em uma série de reportagens pelo Grupo ND e que motivaram a investigação da Polícia Civil e Ministério Público, a SCPar Porto de São Francisco do Sul contratou, em março deste ano, com dispensa de licitação, a Alfa Imunização e Serviços Eireli – ME para fazer serviços de desinsetização, desratização, controle de larvas em coleções de águas paradas, controle da fauna, sinantrópica nociva (pombos) nas dependências do Porto de São Francisco do Sul pelo valor de R$ 2.109.561,50. Essa mesma empresa havia sido contratada, em julho de 2018, em pregão presencial, pelo valor de R$ 590 mil para fazer os mesmos serviços para o porto.

No entanto, segundo apurou a Polícia Civil, parte dos serviços não foi entregue, além do forte indício de superfaturamento nos contratos. O próprio Ministério Público de SC apontou indícios de irregularidades no contrato com a Alfa e pediu a imediata suspensão dos pagamentos por parte do porto.

A C.R.P Comércio de Papel tem contratos com o Porto de São Francisco do Sul desde 2015.

Documentos, celulares e computadores apreendidos

Além das três prisões desta quinta-feira, a Polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do ex-diretor presidente do Porto de São Francisco do Sul, Diego Machado Enke, em Jaraguá do Sul, onde foram apreendidos documentos, celulares e computadores. Neste momento, Enke é apenas investigado.  A Polícia irá analisar todo o material recolhido para depois pedir ou não o indiciamento dos envolvidos.

Outras pessoas também serão ouvidas pela Polícia Civil, que tem dez dias para entregar o relatório indiciando ou não os três suspeitos presos e o investigado Diego Machado Enke.

A operação da 4º Delegacia Especializada no Combate à Corrupção de Blumenau contou com apoio da 5º Decor-Deic, da DIC, da Dpcami e da 1º DP de Blumenau, além do Draco do Rio Grande do Sul e foi batizada “Pombo de Ouro” em menção direta aos contratos da Alfa Imunização.

Contraponto

A reportagem não conseguiu localizar Silvestre Panstein para ouviu seu posicionamento. Mas cedo, ND+ também tentou contato com Cristiano Panstein, Rafael Ferreira e Diego Machado Enke, mas não obteve retorno até o fechamento das reportagens.

A SCPar Porto de São Francisco do Sul se manifestou por nota dizendo que a atual gestão adotou novas práticas de governança e controle interno a fim de aprimorar os processos de contratação. Disse, ainda, que está colaborando com as investigações.

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