“Ela tinha pena dele”, diz prima de mulher assassinada pelo ex-marido em Florianópolis

Tatiana Cardoso de Lima, de 43 anos, havia se separado em janeiro, mas preferiu não pedir medida protetiva; nesta segunda (8), o ex-companheiro a matou com pelo menos sete tiros

Tatiana Cardoso de Lima, de 43 anos, caiu em uma emboscada antes de ser atingida pelo ex-marido com pelo menos sete tiros nesta segunda-feira (8). O crime aconteceu no local de trabalho dele, uma loja de automóveis no bairro Estreito, em Florianópolis.

O crime aconteceu nesta segunda-feira (8), no local de trabalho do homem, uma loja de automóveis no bairro Estreito, em Florianópolis.Casal estava separado desde janeiro – Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND

O homem, de 60 anos, teria chamado Tatiana para entregar a ela o valor da mensalidade escolar da filha mais nova do então ex-casal. Esse era o único pedido de Tatiana quando se separaram, no início do ano, após 25 anos de um relacionamento abusivo.

Alvo de agressões constantes, inclusive na frente dos filhos, Tatiana se separou no início do ano e passou a viver com a mãe. “Ele começou a segui-la e a ameaçar a família”, lembra a prima da vítima, Rochelle Nara.

Durante os 25 anos de casamento, a  mulher era censurada e humilhada pelo marido, 17 anos mais velho, que a mantinha sob seu total controle. “Se ela fosse para a academia, era porque ela tava indo atrás de homem”, conta a prima.

No último ano, a partir do incentivo da família, ela decidiu que “queria viver”; o homem, então, ficou ainda mais agressivo. Segundo Rochelle, mesmo reconhecendo o relacionamento abusivo, Tatiana não imaginava que ele seria capaz de matá-la.

“Era espetacular”

Após a separação, os filhos mais novos, de 20 e 7 anos, estavam morando com a avó e a mãe e, segundo Rochelle, viviam felizes. “A gente estava combinando de ir à igreja ontem”, lembra. As risadas, afirma a prima, marcavam as conversas.

Nos finais de semana disponíveis, a família ia sempre à casa de praia da mãe de Tatiana, na Pinheira, em Palhoça: “Ela organizava as festas”, conta. Para a prima, o sorriso frouxo era o principal atributo de Tatiana: “Ela era espetacular”.

Crime

Rochelle chegou a levar Tatiana, na última semana, a um escritório de advocacia, temendo justamente que fatalidades pudessem acontecer. A advogada teria sugerido que a mulher entrasse com uma medida protetiva. “Ela tinha pena dele”, revela a prima. “Ela só queria que ele pagasse a escola da filha”.

Polícia CivilCrime aconteceu no local de trabalho do homem, no Estreito, em Florianópolis – Foto: Divulgação / Polícia Civil

Nesta segunda-feira (8), o homem, então, pediu que ela o encontrasse em seu local de trabalho, uma loja de automóveis, para entregar o dinheiro que havia prometido. Lá, ele atirou pelo menos sete vezes em Tatiana.

O homem ainda teria ido, após o ato, até a casa da mãe da vítima, mas não encontrou ninguém. “Se ela tivesse lá, ele teria atirado”, garantiu Rochelle.

Após fugir em um veículo, ele foi preso em Porto Belo. A arma usada no crime foi encontrada na casa do irmão em São José.

De acordo com informações da Polícia Militar, o homem tinha registros policiais por atrito verbal e por lesão corporal dolosa contra mulher.

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