Com oito assassinatos em 60 dias, violência em Chapecó preocupa autoridades

Número supera o índice de homicídios registrados no mesmo período em 2018. Delegado afirma que crimes ocorrem em dias de tempo seco

Em Chapecó, no Oeste catarinense, a violência tem preocupado as autoridades nos últimos dias. Em dois meses, oito pessoas foram assassinadas no município. Na semana passada uma família inteira foi encontrada morta a tiros em um apartamento.

Imagem ilustrativa – Foto: Shutterstock/NDImagem ilustrativa – Foto: Shutterstock/ND

Dados da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública de Santa Catarina), atualizados na última segunda-feira (11), demonstram que de janeiro a novembro deste ano foram registrados 32 homicídios no município. O número supera o mesmo período de 2018, quando ocorreram 29 assassinatos. Em 2017 e 2016 foram registrados 33 cada.

O delegado Vagner Tiago Ramos Papini, responsável pela DIC (Divisão de Investigação Criminal), discorda do número da secretaria. Ele afirma que são 30 casos, mas, mesmo assim, reconhece que há necessidade de um trabalho mais eficaz no sentido de prevenir este tipo de crime.

“Ainda não sabemos a causa dessa divergência de números, mas acreditamos que são de duas ossadas encontradas num poço no Distrito de Marechal Bormann, em julho deste ano. Como a investigação foi para localizar os cadáveres e os fatos ocorreram em anos anteriores, não colocamos essas mortes em nossa contabilidade”, disse o delegado.

Papini acredita que o número de homicídio em 2019 ainda deve aumentar. “Vamos fechar o ano com uma quantidade superior ao registrado em 2018. Acredito que vamos chegar a 34 mortes, isso se tudo ocorrer bem”, lamenta Papini.

O número atual de homicídios, de acordo com a SSP, supera o total do ano de 2018, quando foram 31 assassinatos no município. No entanto, 2016 foi o mais violento, com 41 mortes, seguido por 2017, com 37.

Vagner Papini, delegado da DIC Chapecó – Foto: Willian Ricardo/Arquivo pessoal

Fator e motivação

Papini ressalta que as condições climáticas contribuem para a incidência de mortes violentas, em Chapecó. “Observamos que quando o tempo está quente e sem chuva, cresce o número de assassinatos. Praticamente todos os homicídios são praticados quando estamos nestas condições”, analisa o delegado.

Na semana passada, dois casos brutais chocaram a população do município, ambos com indícios de crimes qualificados pelo motivo fútil (falta de real motivo).

Na quarta-feira (6), pai, mãe e filha foram achados mortos em um apartamento, com tiros na cabeça e costas. A polícia acredita que o homem tenha matado a família e depois tirado a própria vida.

Já no sábado (9), um adolescente de 16 anos foi morto com um golpe de faca no peito. Ele retornava de um parque de diversões. A polícia acredita em um possível desentendimento.

“Geralmente são diversos fatores, a maioria são desavenças ordinárias, coisas do cotidiano que acabam se resolvendo da maneira bastante traumática”, comenta Papini.

Perfil dos envolvidos

Na maioria dos crimes ocorridos neste ano em Chapecó, o perfil dos envolvidos é praticamente o mesmo. São pessoas relacionadas com algum tipo de crime e com histórico policial.

Idade dos envolvidos – Foto: Arte/NDIdade dos envolvidos – Foto: Arte/ND

Dados da DIC apontam que os homicídios — em sua maioria — são registrados com armas de fogo. O segundo recurso é a faca. No entanto, em 2019, houve um registro de assassinato por atropelamento, que ocorreu no Bairro Efapi.

Investigação

Geralmente, quando um assassinato ocorre, a primeira instituição a chegar ao local é a Polícia Militar. Cabe a ela levantar os primeiros elementos capazes de identificar a possível causa e mapear suspeitos.

Em algumas situações, a própria Polícia Militar prende os suspeitos. No entanto, todo o trabalho de investigação sobre os fatos cabem a Polícia Civil, através da Divisão de Investigação Criminal.

De 2017 para cá, a delegacia especializada em investigar mortes violentas, em Chapecó, já elucidou 90 homicídios. Com esse número, a DIC possui um índice de resolutividade bastante elevado, principalmente quanto à prisão dos envolvidos.

A expectativa da DIC é de concluir até o fim do ano todos os casos registrados em 2019. “Estamos com todos os inquéritos em andamento e com a investigação avançada. Em alguns possuímos praticamente todas as provas coletadas”, acredita Vagner Papini.

Preocupação

A preocupação das polícias a partir de agora é com aqueles apenados que em breve ganharão as ruas novamente, através das portarias temporárias, conhecidas como “saidão”, para as festividades de Natal e Ano Novo. Ou, por meio da redução de pena, migração de regime.

“Boa parte dos apenados, detidos a cerca de dois anos, já cumpriram as suas penas e vão retornar para o seio da sociedade. É importante que a população confie na Polícia Militar e nos repasse informações para que de uma forma urgente esses indivíduos sejam presos e retornem ao sistema carcerário, se não tiverem se recuperado durante a prisão”, disse o Coronel Ricardo Alves da Silva, comandante do 2ºBPM.

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