Em uma semana, terceiro ataque racista é registrado no Norte de SC

Caso ocorreu na noite desta quinta-feira (19) durante um evento online do IFC de São Francisco do Sul; na última semana, outro evento da instituição também foi alvo de ofensas

Pela terceira vez, em apenas uma semana, um evento online foi alvo de ataques racistas no Norte de Santa Catarina. Dessa vez, o caso ocorreu na noite desta quinta-feira (19) em um seminário promovido pelo Neabi (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas) do IFC (Instituto Federal Catarinense) de São Francisco do Sul.

Segundo a unidade, pessoas teriam entrado na sala virtual onde ocorria a atividade e passaram a ofender os participantes com falas e imagens racistas, homofóbicas e machistas.

Ataque ocorreu durante um evento online promovido nesta quinta-feira (19) pela instituição – Foto: Divulgação/IFCAtaque ocorreu durante um evento online promovido nesta quinta-feira (19) pela instituição – Foto: Divulgação/IFC

“Estávamos realizando um evento em comemoração ao dia da consciência negra, com uma palestra com convidados para discutir o racismo e o que pode ser feito. Logo no início, a sala foi invadida e imagens racistas, pornográficas e de exaltação ao nazismo, além de palavras de ódio, foram proferidas”, conta o diretor da unidade Adalto Aires Parada.

Após o ataque, a transmissão foi interrompida e os participantes continuaram o evento em outra sala. Participavam alunos, professores, convidados e membros da sociedade.

“Infelizmente teve esse ato que chocou a todos e vai contra os preceitos do instituto, que é buscar uma Santa Catarina mais igualitária”, conta o diretor.

Terceiro ataque em quatro meses

Em apenas quatro meses, esta é a terceira invasão deste tipo que ocorre na região: no dia 12 de novembro, um seminário do IFC, de Araquari, também foi alvo de ataques.

Já em agosto, o professor Jonathan Prateat recebeu ofensas durante uma transmissão da Acij (Associação Empresarial de Joinville). Também nesta semana, a primeira vereadora negra de Joinville, Ana Lúcia, foi alvo de ataques após as eleições.

Segundo Adalto, as imagens estão sendo encaminhadas para reitoria do Instituto, afim de verificar se a situação é um ato isolado ou se é realizado por algum grupo. Ainda não há informações se o ataque é de autoria das mesmas pessoas que invadiram a transmissão do campus de Araquari.

Em nota, a instituição alegou que, para eles, isto é uma forma de coibir e silenciar a discussão dessas temáticas “que fazem parte da construção do conhecimento”. Além disso, eles reiteram que repudiam tais atitudes e se solidarizaram com os envolvidos.

A instituição fará um boletim de ocorrência sobre o caso e encaminhará um ofício à Polícia Federal de Joinville. A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil, que informou que ainda não teve conhecimento dos fatos.

Veja a nota do IFC na íntegra:

“Na quinta-feira, 19 de novembro de 2020, durante evento promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus São Francisco do Sul, pessoas entraram na sala virtual da atividade e procederam a ofensas racistas, homofóbicas e machistas por meio de áudio e imagens. Esse fato não constitui uma ação isolada; outras invasões foram identificadas recentemente em atividades promovidas por instituições de ensino da Rede Federal, tanto no estado de Santa Catarina quanto em outros estados brasileiros. 

Neste momento histórico, em que a sociedade trava uma importante luta pela salvaguarda dos ideais democráticos e do constante cultivo da civilização, percebemos esses ataques como um desejo de coibir, invisibilizar e silenciar importantes temáticas que fazem parte da construção do conhecimento. 

O IFC Campus São Francisco do Sul, comprometido com a luta das minorias, posiciona-se em irrestrita solidariedade aos colegas e demais participantes ofendidos pelas lamentáveis manifestações e reitera que repudia atitudes hostis de qualquer natureza. Ressalta ainda que não recuará na implementação dos diálogos produtivos à sociedade, mantendo-se firme e resistente no sentido de estabelecer ações pessoais e institucionais que promovem e promoverão constante construção de mecanismos civilizatórios, de liberdade e de democracia.”

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