Empresas investigadas na Operação Poseidon vendiam peixes pelo triplo do valor de mercado

Peixes de origem asiática eram vendidos como se fossem linguado

Algumas empresas de pesca da região de Itajaí investigadas na Operação Poseidon, da Polícia Federal (PF), vendiam pescado por valor três vezes maior que o praticado no mercado. De acordo com as investigações da PF, as indústrias compravam peixes de baixo valor na Ásia e revendiam o produto como se fossem de espécies consideradas nobres no mercado nacional. A polícia trabalhou na investigação durante seis meses e, nesta quinta-feira (10), cumpriu mandados de busca e apreensão. Depois que os produtos coletados nas empresas forem analisados, a Justiça pode expedir mandados de prisão para os envolvidos.

Reprodução/RICTV Record

PF permaneceu 10 horas em uma das empresas

Os crimes foram descobertos pelo Ministério da Agricultura, que recebeu denúncias e repassou o caso à Polícia Federal. A polícia afirma que as empresas compravam espécies que na China não são consumidas justamente por causa da falta da qualidade e revendiam no Brasil se fossem linguado, um peixe bem comum na nossa região.

Os peixes chegavam ao mercado em filés congelados. A fraude dificilmente poderia ser percebida pelo consumidor. As empresas compravam, por exemplo, a espécie alabote dente curvo, que seria vendida por R$ 9,90 o quilo, e embalavam o produto como se fosse linguado, que custa quase R$ 30 o quilo.

Segundo a Polícia Federal, os peixes importados e até espécies em extinção eram vendidos principalmente como se fossem linguado, merluza, côngrio, pescada, garoupa e sardinha. A investigação aponta que o esquema acontecia em sete empresas nos municípios de Itapema, Navegantes e Itajaí, as maiores do país no ramo.

Os policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão e coletaram amostras de peixe, notas fiscais e outros documentos nas empresas. Uma das fábricas investigadas teve a produção interrompida e as entregas suspensas por 10 horas, enquanto os policiais realizavam a investigação.

As denúncias são antigas e algumas empresas até já haviam sido autuadas pelo Ministério da Agricultura, mas a polícia tinha dificuldade para conseguir provas. Por isso, peritos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal fizeram a identificação genética dos peixes comercializados. Através da análise do DNA, os peritos conseguiram provar que os peixes embalados não correspondiam à descrição das embalagens.

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