Entenda a participação do companheiro da acusada de matar grávida de Canelinha no crime

Segundo promotor, há evidências da participação de Zulmar Schiestl "no sentido de ter ciência de tudo o que estava acontecendo"

Rozalba Maria Grime, de 28 anos, e Zulmar Schiestl, de 44, já respondem na Justiça pelo assassinato da jovem grávida de Canelinha. O casal foi denunciado na sexta-feira (4) pelo crime de feminicídio, com outras qualificadoras. Para o Ministério Público, apesar do companheiro da acusada negar que sabia do crime, ele é cúmplice do crime. 

Morta ao ter o ventre cortado com um estilete e sua filha retirada da barriga, em 27 de agosto, a jovem moradora de Canelinha, na Grande Florianópolis, foi encontrada sem vida em um galpão de cerâmica abandonado no bairro Galera. Em depoimento um dia após o crime, Rozalba confessou o assassinato e disse que a morte foi premeditada.  

Rozalba e Zulmar – Foto: Rozalba e Zulmar/Reprodução Redes Sociais/ND

De acordo com o promotor Alexandre Carrinho Muniz, há indícios e evidências da participação de Zulmar “no sentido de ter ciência de tudo o que estava acontecendo”. Além disso, o depoimento de Rozalba não bate com período de gestação.

Em depoimento, a acusada afirmou que esteve grávida no ano passado e que perdeu o bebê em janeiro, mas que não revelou para os familiares e permaneceu com a falsa gestação. Pelos cálculos, o nascimento da criança deveria ocorrer até junho. 

“Para nós, o que acontece é que ela não podia ter concebido a criança ou ter ciência de que estava grávida na data que ela afirmou. Ela afirmou que estava grávida no final e outubro e teria contado para o companheiro dela na primeira quinzena de novembro. Só que por esse cálculo, ele já deveria saber que o filho deveria ter nascido”, afirmou o promotor.

Questionado sobre a veracidade da gravidez de Rozalba, Alexandre afirmou que o MP ainda analisa as provas, principalmente no aspecto da participação de Zulmar no caso: 

“O fato dela estar grávida antes, para ela não faz diferença no crime. Mas para ele faz, porque se ele sabia que ela não estava grávida e, de repente, ela aparece com uma criança e ele ‘concorda com isso’, é óbvio que ele sabia o que estava acontecendo”, afirmou. 

Além de Alexandre, a promotora Mirela Dutra Alberton, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Tijucas, trabalha no caso. O promotor Fred Anderson Vicente, que auxiliou nas investigações iniciais e assinou a denúncia, também acompanha os trabalhos. 

Gravidez psicológica ou barriga falsa

Outro dúvida que permanece é sobre uma possível gestação psicológica de Rozalba. No entanto, conforme o promotor Alexandre, não há provas de que isso tenha ocorrido.

Em depoimento à Polícia Civil, a acusada também não deu indícios da síndrome rara. No quadro, a mulher, que não está grávida, acredita que espera um bebê e passa a apresentar sintomas típicos de uma gravidez, como ausência de menstruação e aumento do volume abdominal.

“Essas circunstâncias, de que ela tinha barriga falsa ou se era uma gravidez psicológica ou não, isso tudo pode ser avaliado durante o processo, mas não foi no inquérito policial. […] Nada impede que outras provas sejam melhor trabalhadas neste processo”, afirmou. 

Nas redes sociais, Rozalba postava fotos e fazia menção de que estava cada vez mais perto de ganhar o bebê. Em agosto, a mulher chegou a fazer uma rifa para arrecadar fraldas. O nome da criança, que havia escolhido, era Antonella. 

Rozalba fez uma live na noite de 9 de agosto para arrecadar fraldas – Foto: Rozalba/Reprodução Redes Sociais/ND

Crime de feminicídio

Apesar do feminicídio ser mais comum quando envolve violência doméstica,  a qualificadora foi incluída no caso da jovem grávida pois o crime foi praticado em razão do sexo feminino. De acordo com o promotor Alexandre Carrinho Muniz, a vítima foi escolhida pelo casal exatamente por estar grávida. 

“Nem todo homicídio contra uma mulher é feminicídio, você tem que perguntar quais foram as condições em que esse crime ocorreu e se o fato dela ser mulher foi o fator determinante para que ele ocorresse. No caso aí, o fato de ela [vítima] ser gestante é um crime que pode ocorrer contra uma mulher”, disse. 

Além do feminicídio, o MP imputou cinco outras qualificadoras: motivo torpe; mediante dissimulação; uso de recurso que dificultou a defesa da vítima; meio cruel e assegurar a execução de outros crimes (subtração de incapaz e parto suposto). 

Rozalba e Zulmar respondem ainda por tentativa de homicídio qualificado contra a bebê, ocultação de cadáver, parto suposto, subtração de incapaz e fraude processual. Somadas, as penas mínimas superam 36 anos. O fato da vítima ser gestante pode elevar ainda mais o prazo de condenação.

Contrapontos

Zulmar Schiestl

A defesa do senhor Zulmar, através seu advogado, Dr. Ivan Roberto Martins Junior, tem a dizer que comprovará a sua inocência durante a instrução processual, bem como não medirá esforços até que venha à tona a verdade, qual seja, o fato de que o mesmo não teve nenhum tipo de participação nos crimes dos quais está sendo injustamente acusado.

Rozalba

A acusada solicitou um advogado pela Defensoria Pública de Santa Catarina. No andamento do processo, é o juiz  que deve nomear a defesa. Até a última atualização deste texto, o nome do defensor não havia sido informado.

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